ARACAJU/SE, 15 de janeiro de 2026 , 11:23:22

BC decreta liquidação extrajudicial da Reag Investimentos, envolvida no caso Master

 

O Banco Central decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários — que é o novo nome da Reag Investimentos, com sede em São Paulo (SP).

A empresa está sendo investigada na segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master.

Durante a operação, deflagrada nesta quarta-feira (14), João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag, foi alvo de mandados de busca e apreensão. A Polícia Federal também levou adiante buscas em endereços ligados ao dono do Master, Daniel Vorcaro, e seus parentes.

A reportagem entrou em contato com a Reag Investimentos mas ainda não obteve retorno.

Com a decretação da liquidação da administradora pelo Banco Central, os fundos ligados à Reag não foram encerrados. A Reag atua como gestora e administradora de mais de 80 fundos de investimento. A medida do BC atinge a instituição responsável pela administração, e não os fundos em si, que permanecem ativos no mercado.

Ou seja, as carteiras seguem existindo, mas deverão buscar novas instituições para exercer a função de administração e garantir a continuidade das operações.

A Reag Investimentos é controlada pelo Grupo Reag, que também reúne em seu portfólio as empresas Reag Capital Holding e a Companhia Brasileira de Serviços Financeiros (CIABRASF), cada uma com operações e naturezas distintas.

A Reag Investimentos atua nos segmentos de gestão de ativos (Asset Management) e de patrimônio (Wealth Management).

O que diz o BC

Em nota, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que a instituição se enquadra no segmento S4 da regulação prudencial, e representa menos de 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Na prática, isso significa que eventuais problemas nessas instituições não representam risco relevante para o Sistema Financeiro Nacional, razão pela qual elas seguem regras regulatórias mais simples do que as aplicadas aos grandes bancos.

O segmento reúne instituições financeiras de pequeno porte, com participação muito reduzida no mercado e baixo impacto para a estabilidade do sistema financeiro.

Segundo a autoridade monetária, a decretação da liquidação extrajudicial foi motivada por “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN”.

O BC afirmou ainda que “continuará adotando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades, nos termos de suas competências legais”.

De acordo com o comunicado, o resultado das apurações “poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e ao encaminhamento de comunicações às autoridades competentes”, conforme a legislação vigente.

“Ainda nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição”, concluiu o Banco Central.

Master é investigado por fraude bilionária

O caso do Banco Master virou o centro de um escândalo financeiro nacional e de uma disputa institucional.

Em novembro, o Banco Central (BC) determinou a liquidação extrajudicial do banco. A liquidação ocorreu após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Master para o Banco de Brasília (BRB) no valor de R$ 12,2 bilhões.

Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, essa pode ser a “maior fraude bancária” do país.

Segundo a investigação, a Reag foi parceira do Banco Master na administração de fundos e é suspeita de participação nas fraudes financeiras.

A operação deflagrada ontem resultou na apreensão de carros, relógios de luxo e outros bens de alto valor em endereços ligados a suspeitos de fraudes financeiras no Banco Master.

Por decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram autorizados 42 mandados de busca e apreensão, além do sequestro e bloqueio de bens e valores que, segundo a PF, ultrapassam R$ 5,7 bilhões.

Durante as diligências, os agentes também encontraram dinheiro em espécie. Até a última atualização, haviam sido apreendidos R$ 97,3 mil em numerário.

As ações ocorreram em São Paulo — inclusive em endereços na Avenida Faria Lima, um dos principais polos financeiros do país — e nos estados da Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

Investigação por elo com PCC

A Reag Investimentos, gestora com ações negociadas na B3, também foi uma das empresas investigadas na megaoperação Carbono Oculto, deflagrada contra o PCC em oito estados.

A operação é considerada a maior já realizada no país contra o crime organizado e mirou um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis, que teria sonegado mais de R$ 7,6 bilhões em impostos.

Segundo as investigações, o PCC atuava desde a importação irregular de produtos químicos para adulterar combustíveis até a lavagem de dinheiro por meio de fundos de investimento e fintechs.

A Receita Federal identificou ao menos 40 fundos, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões, controlados pela facção e usados para ocultar recursos no mercado financeiro, especialmente na região da Avenida Faria Lima.

Na ocasião, as investigações da Polícia Federal apontaram irregularidades em várias etapas de produção e distribuição de combustíveis no país, além de um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro que teria envolvido fintechs, fundos de investimentos e outras empresas do setor financeiro.

Mais de 350 pessoas físicas e jurídicas são investigadas por crimes como lavagem de dinheiro, fraude fiscal, adulteração de combustíveis e crimes ambientais.

À epoca, a Reag afirmou em nota que colaborou com as autoridades, diz que agiu de forma regular nos fundos em que prestou serviços e negou qualquer envolvimento com atividades criminosas.

Em setembro do ano passado, o fundador João Carlos Mansur renunciou ao cargo de presidente do conselho de administração da Reag após a megaoperação contra o PCC.

Na ocasião, a empresa informou que suas acionistas controladoras, Reag Asset Management (gestão de ativos) e Reag Alpha Fundo de Investimento Financeiro em Ações, fecharam acordo para vender sua participação de 87,38% na companhia à Arandu Partners Holding, formada pelos principais executivos da própria Reag.

O valor estimado da transação foi de R$ 100 milhões, com possibilidade de pagamento adicional variável atrelado ao desempenho operacional da empresa nos próximos cinco anos.

Fonte: G1

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