ARACAJU/SE, 20 de janeiro de 2026 , 14:41:36

Brasil exporta menos café em 2025, mas faturamento bate recorde

 

O Brasil exportou 40,05 milhões de sacas de café em 2025, uma queda de 20,8% em relação ao ano anterior. Apesar do volume menor, o valor das exportações atingiu um recorde histórico de US$ 15,6 bilhões, um crescimento de 24,1%, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

A retração já era esperada após o desempenho excepcional de 2024 e a menor disponibilidade do produto no ano passado. O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, destaca que o clima adverso e o esgotamento dos estoques contribuíram para a redução. “Exportamos volumes recordes em 2024, o que diminuiu a oferta em 2025”, afirma.

Além da menor oferta, o chamado “tarifaço” norte-americano, que impôs tarifas de 50% sobre o café brasileiro entre agosto e novembro, agravou a queda nas vendas. Durante o período, os embarques aos Estados Unidos caíram 55%. O produto solúvel continua sujeito à taxação, o que mantém o ritmo de retração nas exportações para o país.

Ferreira aponta ainda os entraves logísticos como outro fator de prejuízo. “A falta de estrutura adequada para cargas conteinerizadas gerou perdas de R$ 61,5 milhões em 2025, devido a atrasos e custos extras nos portos”, relata. Segundo o boletim Detention Zero, elaborado pela ElloX Digital em parceria com o Cecafé, 55% dos navios enfrentaram atrasos em 2024, impedindo o embarque médio mensal de 613,4 mil sacas.

Alemanha assume liderança nas importações de café brasileiro

A Alemanha ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o principal destino do café brasileiro, com 5,41 milhões de sacas importadas (13,5% do total), mesmo com queda de 28,8% em relação a 2024. Os EUA ficaram em segundo lugar, com 5,38 milhões (-33,9%).

Também figuram entre os cinco maiores compradores a Itália (3,15 milhões; -19,6%), o Japão (2,65 milhões; +19,4%) e a Bélgica (2,32 milhões; -47%). Entre os dez principais importadores, apenas Turquia (+3,3%) e China (+19,5%) ampliaram suas compras em 2025.

O café arábica manteve a liderança com 32,3 milhões de sacas exportadas (80,7% do total), seguido por canéfora (4 milhões), café solúvel (3,69 milhões) e torrado e moído (58,5 mil).

Os cafés diferenciados, com certificações sustentáveis ou de qualidade superior, representaram 20,3% das exportações totais – 8,15 milhões de sacas. Embora o volume tenha caído 10,9%, a receita aumentou 39,1%, alcançando US$ 3,53 bilhões. O preço médio da saca foi de US$ 432,78.

Os EUA lideraram a importação desses cafés premium, com 1,32 milhão de sacas, seguidos por Alemanha, Bélgica, Holanda e Itália.

Porto de Santos concentra 79% das exportações

O Porto de Santos permaneceu como o principal canal de embarque do café brasileiro, responsável por 31,5 milhões de sacas (78,7% do total). O porto do Rio de Janeiro respondeu por 17,7% (7,1 milhões de sacas), enquanto Paranaguá (PR) movimentou 371 mil sacas (0,9%).

Para Ferreira, a receita recorde reflete tanto o aumento das cotações internacionais quanto o investimento constante dos cafeicultores em tecnologia e qualidade. “O Brasil segue como referência mundial, exportando para mais de 120 países e mantendo mais de um terço do market share global”, afirma o presidente do Cecafé.

Fonte: Agro em Campo

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