O governo brasileiro deve manifestar sobre a situação da Venezuela durante reunião do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), prevista para segunda-feira (5).
Segundo apurou a CNN, o embaixador Sérgio Danese, representante do Brasil na ONU, deve reforçar a fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que, no sábado (3) – mesmo dia em que os Estados Unidos atacaram a Venezuela –, disse que o país norte-americano cometeu uma “afronta gravíssima” e ultrapassou uma “linha inaceitável”.
A reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas foi solicitada pela Colômbia após a ação militar dos EUA em território venezuelano que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.
O conselho é composto por cinco países permanentes – China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos – e outros 10 que são eleitos para mandatos de dois anos. A Colômbia é a atual representante da América do Sul. O Brasil não integra o grupo atualmente.
De acordo com as regras da ONU, países não-membros, como o Brasil, podem participar das reuniões do conselho e pedir o uso da palavra. Eles, porém, não têm direito a voto.
Esta será a terceira vez que o Conselho de Segurança da ONU se reúne para tratar da situação na Venezuela. Outros dois encontros foram realizados em outubro e dezembro do ano passado.
Ataque dos EUA à Venezuela
A operação militar para capturar Nicolás Maduro teve início por volta das 3h (horário de Brasília) de sábado, com explosões e registros de fumaça em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, por cerca de 90 minutos.
Tropas norte-americanas chegaram ao complexo onde estavam Maduro e sua esposa, Cilia Flores. A ação foi liderada pela Força Delta, unidade de elite de operações especiais do Exército dos Estados Unidos.
Minutos após a captura, Maduro e a esposa foram levados de helicóptero sobre o mar até o navio militar USS Iwo Jima, que estava no Caribe há meses. Horas depois, por volta das 18h40 (horário de Brasília), o líder venezuelano chegou aos Estados Unidos escoltado por agentes federais, algemado e vestindo roupas cinzas.
Maduro foi encaminhado ao Centro de Detenção Metropolitano, no Brooklyn, onde permanece detido. A unidade já recebeu outros presos envolvidos em casos federais de grande repercussão.
Próximos passos
Nicolás Maduro deve comparecer pela primeira vez a um tribunal em Nova York às 14h desta segunda-feira (5), no horário de Brasília.
Na acusação apresentada no sábado, o Departamento de Justiça dos EUA afirma que Maduro e aliados transformaram as instituições venezuelanas em um esquema de corrupção alimentado pelo narcotráfico.
Em pronunciamento oficial, Donald Trump declarou que os Estados Unidos irão governar a Venezuela imediatamente após a captura de Maduro.
Novo posicionamento do Brasil e reunião da Celac
Neste domingo, o Brasil, junto de México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha, defendeu uma solução sem “ingerência externa” na Venezuela. A nota conjunta dos países também expressou “preocupação” com qualquer tentativa de “controle governamental”.
O posicionamento foi publicado horas antes de uma reunião da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) para discutir, entre outros temas, a situação da Venezuela após o ataque dos Estados Unidos.
O encontro, que ocorreu de forma virtual e a portas fechadas, terminou sem um posicionamento público do bloco. Segundo a CNN apurou com fontes do governo brasileiro, a falta de um posicionamento acaba expondo uma divergência política sobre o ocorrido entre as nações que integram o grupo.
A Celac foi criada no México, em 2010, que reúne 33 países da região. A aliança busca a integração latino-americana e caribenha, além da coordenação política, econômica e social dos países.
A CNN apurou que, durante a reunião, porém, o Itamaraty, por meio do chanceler Mauro Vieira, manteve uma posição contra a captura de Maduro e contra a atuação militar dos EUA no país vizinho.
Fonte: CNN Brasil





