ARACAJU/SE, 3 de fevereiro de 2026 , 14:43:32

Com infraestrutura acessível, Aracaju se consolida como cidade da atividade física ao ar livre

 

Aracaju vem se firmando, cada vez mais, como um con vite aberto ao movimento. Entre o rio, o mar e áreas verdes espalhadas pela cidade, a capital sergipana oferece um cenário que vai muito além das academias. A infraestrutura acolhedora e considerada por muitos como democrática transforma espaços públicos em verdadeiros pontos de encontro para quem busca saúde, bem-estar e contato com a natureza. Do stand-up paddle no Mosqueiro às corridas e pedaladas em áreas de proteção para prática esportiva ou no Parque da Sementeira, passando pelas quadras de areia da Arena Cinelândia, na Orla da Atalaia, opções não faltam para quem quer praticar atividade física ao ar livre.

Educador físico e corredor, Lucas Nascimento encontrou em Aracaju um terreno fértil para transformar o hábito pessoal em profissão. Natural de Serrinha, na Bahia, ele conta que veio para a capital sergipana para estudar Educação Física e acabou se envolvendo de vez com a corrida ao perceber o quanto a cidade respira esporte. “Quando eu vi o movimento que acontece aqui, percebi uma peculiaridade: o aracajuano corre muito, gosta de praticar esporte. Tendo espaço para praticar, vendo outras assessorias utilizando diversos locais, eu me interessei. Eu já tinha o hábito de correr, então aproveitei esse contato com a corrida e com a oportunidade do espaço. Assim que me formei, resolvi abrir uma assessoria porque o espaço pedia, o mercado estava aquecido, com muita demanda. E a resposta foi muito boa, tanto no centro quanto na Zona Sul, de pessoas que querem praticar atividade, que usam o espaço e buscam acompanhamento profissional”, disse

Para Lucas, a facilidade de acesso e a forma como a cidade foi pensada fazem diferença na rotina de quem pratica esporte, especialmente nos horários mais cedo. “As vias são muito boas, o ir e vir é fácil, o local de chegada ajuda muito. Na orla, por exemplo, tem vias que levam até aqui e vias que são fechadas para a prática de atividade. O espaço é grande, receptível, e você vê que foi pensado para atividade física. Tem diversos pontos para praticar esporte, e isso faz com que o espaço seja democrático: tem lugar para assessoria, para quem quer correr sozinho, para o serviço público, para o privado”, acrescentou.

Ele também destaca que esse ambiente estimula um estilo de vida mais ativo. “O aracajuano pede muito por saúde. Ele gosta do simples, de sair para fazer uma caminhada, algo que já está na rotina. Isso faz com que as pessoas vivam mais e melhor. Quando você facilita a chegada ao local e oferece um bom espaço, cria uma população ativa. Acho que, daqui a alguns anos, vamos ter uma sociedade mais saudável, que envelhece com mais qualidade de vida. E o mais bonito é ver que é uma atividade que dá para fazer em família: criança, casal, gente com carrinho de bebê. Praticar junto, em grupo, fortalece não só o físico, mas também a saúde como um todo”.

Na areia da Praia da Cinelândia, o vôlei é mais um exemplo de como Aracaju transforma paisagem em espaço de convivência e esporte. É lá que Tarisson Santana, jogador de vôlei natural de Rondônia, desenvolve seu trabalho. Há dez anos morando na capital sergipana, ele se aproximou do esporte ainda criança, influenciado pela mãe, que realizava ações sociais por meio da prática esportiva.

“Desde pequeno eu convivi muito nesse ambiente e me interessei por conta disso. Comecei a praticar, viajar, competir e decidi me tornar professor por causa dessa experiência. Desde que cheguei em Aracaju, a gente viu uma mudança muito grande nesse espaço. A orla é enorme, muito agradável, linda, e começamos a utilizar esse ambiente porque muitos alunos procuram esse tipo de lugar”, explicou o professor de vôlei.

Segundo Tarisson, o período pós-pandemia ampliou o olhar sobre o papel do esporte. “Antes, a gente via a escolinha muito voltada para competição. Depois, todo mundo entendeu que não é só isso. Hoje temos um grande público de iniciantes, pessoas que tentaram jogar na adolescência, não conseguiram e criaram um bloqueio com o esporte. A gente consegue quebrar esses bloqueios, mostrar que elas conseguem aprender. Já tivemos casos de pessoas que vieram por indicação terapêutica, com relatos importantes na parte emocional. É um ambiente de socialização, de criar amizades, de contato humano”.

Ele destaca ainda os impactos físicos e mentais percebidos no dia a dia. “Na parte física, é condicionamento, exercícios de respiração, controle. A movimentação já trabalha musculatura e respiração. Os relatos de melhora no sono, no dia a dia, na qualidade de vida são muitos. O esporte aqui acaba sendo um cuidado completo, enfatizou Tarisson Santana.

No rio Vaza-Barris, no bairro Mosqueiro, o stand up paddle vem ganhando cada vez mais espaço como uma das práticas esportivas que traduzem a relação direta de Aracaju com a natureza. Para Otávio Assis, criador do projeto Sup Amigos, em 2011, a modalidade é acessível e convidativa desde o primeiro contato. “O sup é uma atividade bem fácil de se fazer, mais fácil que andar de bicicleta, do que subir numa árvore, dar um mortal ou uma meia-lua de compasso. O nosso estuário aqui do Vaza-Barris é excelente, com várias rotas curtas e atrativos do mangue”, explica. Segundo ele, os percursos, com cerca de dois quilômetros de ida e volta, permitem ao iniciante vivenciar o contato direto com a fauna e a flora, além de aprender manobras em meio às embarcações.

Otávio também destaca a diversidade de roteiros que ampliam a experiência para praticantes mais experientes, passando por pontos turísticos como a Prainha do Viral, a Ilha dos Namorados e a Crôa do Goré. Entre as ações mais simbólicas do projeto está a Remada com Café. “Acredito que seja a remada temática mais antiga do Brasil. Ela é bem legal porque tem todo o apoio da equipe. A gente vai apoiando, quem não conseguir a gente reboca, e é bem tranquilo. A maioria das pessoas, às vezes, nunca remou e, em cinco minutos, está em pé sobre a água”, relata. Para ele, esse ambiente acolhedor reforça o potencial da capital sergipana. “Aracaju é um lugar mágico. Ela é moderna, mas antiga, bucólica, tranquila, e tem tudo para deslanchar na parte do esporte, seja no triatlo, na corrida ou no sup”, afirma.

Esse cenário natural e urbano é visto como um privilégio para o sergipano. A psicóloga Victoria Alexia Santana da Silva ressalta que a possibilidade de praticar esportes ao ar livre contribui diretamente para o bem-estar. “É muito importante no sentido de lazer, da pessoa sair um pouquinho de casa e se distrair. A gente percebe que muitas pessoas estão anulando essa parte do lazer, focando só no trabalho”, observa. Para ela, Aracaju oferece uma variedade de espaços que estimulam atividades como corrida, ciclismo e o próprio sup, o que reflete positivamente na saúde mental. “Isso ajuda de certa forma na saúde mental também”, completa.

A prática do stand up paddle também encanta quem visita a cidade, atraído pela paisagem e pela experiência sensorial proporcionada pelo contato com a água. A professora Michele Shmit, turista do Rio Grande do Sul, destaca a conexão com a natureza como principal motivação. “É importante que a gente se conecte com a natureza, porque o ser humano está muito distante, ainda mais vivendo imerso nas telas. Estar no meio da água proporciona outra visão de mundo: você enxerga o céu, a natureza, vive aquele momento e consegue esvaziar a cabeça”, relata. Adepta da modalidade durante viagens, ela conta que sempre busca essa vivência nas férias. “Quando vou para um lugar de praia, já procuro um espaço para fazer essa atividade”, finalizou.

Fonte: AAN

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