ARACAJU/SE, 10 de março de 2026 , 12:01:36

Crédito rural cresce 7% no Plano Safra 2025/26 e alcança R$ 354,4 bi até fevereiro

 

O crédito rural empresarial continua em expansão no ciclo 2025/2026 do Plano Safra. Entre julho de 2025 e fevereiro de 2026, o total contratado chegou a R$ 354,4 bilhões, o que representa alta de 7% em relação aos R$ 330,8 bilhões registrados no mesmo período da safra anterior, de acordo com o Boletim de Crédito Rural divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Os recursos efetivamente liberados nas contas dos produtores somaram R$ 342,9 bilhões, avanço de 4% no comparativo anual. O bom desempenho foi impulsionado principalmente pela alta das Cédulas de Produto Rural (CPR) e pela expansão do crédito para industrialização agrícola, que compensaram retrações nas modalidades tradicionais de custeio e investimento.

CPR e industrialização puxam crescimento

As CPRs emitidas por produtores em favor de instituições financeiras foram o principal motor da expansão. As contratações atingiram R$ 163,4 bilhões, um salto de 39% sobre o ciclo anterior. Somadas às operações de custeio tradicional, o volume total destinado ao financiamento da safra chegou a R$ 269,8 bilhões, alta de 12%.

A industrialização agropecuária também ganhou destaque, com crescimento de 56% nas contratações, totalizando R$ 22,2 bilhões. As concessões acompanharam o ritmo e avançaram 51%, chegando a R$ 21,5 bilhões.

Linhas tradicionais recuam

Na direção oposta, as linhas tradicionais de financiamento recuaram. O custeio contratado caiu 13%, para R$ 106,4 bilhões, enquanto as liberações efetivas recuaram 16% (R$ 103,4 bilhões). O investimento teve retração ainda mais expressiva: queda de 20% nas contratações (R$ 39,5 bilhões) e 33% nas concessões (R$ 33 bilhões).

A comercialização também sofreu redução, com recuo de 15% nas contratações (R$ 22,9 bilhões) e de 19% nas concessões (R$ 21,8 bilhões). Segundo a Secretaria de Política Agrícola do Mapa, o setor mantém cautela diante dos custos financeiros elevados, com expectativa de que a taxa Selic recue em até dois pontos percentuais até o fim de 2026.

Os principais programas de investimento rural registraram retração em relação à safra passada. O Moderfrota liderou as quedas, com redução de 49%, passando de R$ 6,85 bilhões para R$ 3,48 bilhões. O Proirriga caiu 48%, o Inovagro 33% e o Pronamp 34%. O Prodecoop teve a menor variação negativa, com recuo de apenas 3%.

Fontes de recursos e modalidades

As fontes controladas totalizaram R$ 98,8 bilhões, crescimento de R$ 6,5 bilhões sobre janeiro. Destaque para as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) na modalidade controlada, que dispararam 4.038%, alcançando R$ 25,7 bilhões, reflexo de mudanças regulatórias recentes.

Os recursos obrigatórios avançaram 5%, para R$ 36 bilhões, enquanto a poupança rural controlada caiu 26% e os fundos constitucionais diminuíram 7%. Já as fontes não controladas somaram R$ 80,7 bilhões, queda de 24%, com recuo de 36% nas LCAs livres e alta de 28% na poupança rural livre.

Recursos equalizáveis ainda têm saldo elevado

Dos R$ 113,4 bilhões em recursos equalizáveis previstos no Plano Safra 2025/2026, foram liberados até fevereiro R$ 44,1 bilhões, ou 39% do total. Isso significa que 61% ainda estão disponíveis para contratação até o fim do ciclo.

O custeio equalizado executou 44% dos R$ 63 bilhões programados, e o investimento equalizado, 33% dos R$ 49,5 bilhões previstos. No ranking das instituições financeiras, o Banco do Brasil lidera em ambas as modalidades, seguido de BNDES, Sicoob e Sicredi, enquanto a Cresol já executou 100% do crédito equalizado de custeio.

Atualmente, há R$ 15,1 bilhões contratados, mas ainda não liberados, incluindo R$ 7,0 bilhões em financiamentos sem vínculo, R$ 1,2 bilhão no Pronamp, R$ 800 milhões no PCA, R$ 500 milhões no Funcafé e R$ 500 milhões no Moderfrota.

Fonte: Agro em Campo

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