De um pequeno arraial de pescadores a uma das maiores capitais regionais do Brasil. A cidade de Aracaju completou 170 anos de uma história que começou em 17 de março de 1855, quando o então presidente da Província de Sergipe, Inácio Joaquim Barbosa, decidiu transferir a capital de São Cristóvão para a pequena vila, às margens do Rio Sergipe e com saída para o mar. De lá para cá, seguiu-se uma trajetória de evolução e crescimento, que contou com a participação decisiva de muitas pessoas, instituições e iniciativas que, à sua maneira, foram acrescentando suas contribuições.
Uma das mais significativas foi a da Universidade Tiradentes (Unit), cuja caminhada começou a partir da criação do Ginásio Tiradentes, no dia 21 de abril de 1962, em uma casa alugada na Rua Laranjeiras, no Centro. A pequena escola foi crescendo junto com a cidade, estabelecendo-se em uma sede própria construída na Rua Lagarto, em 1969, e ali implantando seus primeiros cursos superiores, a partir da criação das Faculdades Tiradentes, em 1972.
Em torno destes locais, ocorreu um fenômeno que ajudou no crescimento e na expansão da cidade: intensa movimentação de pessoas e serviços impulsionou o comércio, atraindo principalmente pessoas que trabalhavam na cidade durante o dia. “Você tem uma escola, um Colégio Tiradentes que se desponta como faculdade e chega à universidade dentro de uma área urbana que é o Centro. E ajuda a formar uma série de pessoas, principalmente dentro do ensino superior noturno. A gente deu muita oportunidade às pessoas que não tinham condições de fazer estudar manhã e tarde, e a Unit vem com essa proposta, desde o seu nascedouro, em cursos de demanda da sociedade”, considera o professor Marcos Wandir Nery Lobão, diretor de Relações Institucionais da Unit.
O que aconteceu no entorno do atual Campus Centro e dos serviços prestados através de seus cursos, entre as décadas de 1970 e 2000, repetiu-se a partir de 1995 em outra região da cidade, na zona sul: a do bairro Farolândia, ao lado do Conjunto Augusto Franco, que na época um grande deserto, com descampados e faixas de areia, além de um velho farol e grandes propriedades de terra que estavam abandonadas. Uma delas, pertencente à família de um antigo comerciante de ferragens, foi escolhida para a construção do campus da Universidade Tiradentes, que tinha acabado de ser reconhecida oficialmente pelo Ministério da Educação (MEC).
Segundo o contador José Ednilson dos Santos, um dos funcionários mais antigos da Unit, a escolha do local seguiu uma tendência percebida à época pelo fundador da instituição, o professor Jouberto Uchôa de Mendonça. “Como ele sempre foi um cara que teve visão, ele entendeu que Aracaju iria crescer para o sul, na direção da zona de expansão. E como esse sítio era uma área muito grande, ele enxergou dentro do seu planejamento uma expectativa de crescer ao vir pra cá”, diz ele, que além de trabalhar na então Fits, já morava no Augusto Franco e sabia como era aquele local. “Era uma área de difícil acesso, que ninguém passava à noite, e tinha uma capela deteriorada com muito mato em volta”, acrescenta.
À medida em que o campus foi sendo construído, a partir da reforma da velha capela, outras obras foram acontecendo no entorno da área, com a construção de ruas, avenidas, casas, condomínios e, principalmente, o comércio. Tudo que pudesse suprir a demanda de milhares de estudantes que vinham do interior sergipano e até de estados vizinhos para estudar na Unit e trabalhar em outros bairros de Aracaju, quando não no próprio bairro. “As casas começaram a vir para cá. Onde tem pessoas, principalmente alunos, tem que ter um comércio. Onde se cria um campus, também tem loja, posto de gasolina, conveniência, bar, restaurante, livraria, copiadora, o pipoqueiro… Tanto dentro quanto fora da faculdade”, destaca Ednilson
Hoje, o antigo deserto tem 41.116 habitantes, segundo a última estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Uma população maior do que a de 65 municípios sergipanos. Hoje, José Ednilson é um destes moradores. E no fundo, ele tinha a certeza de que o entorno daquela antiga capela se transformaria em um dos principais bairros da cidade. “Não sei se eu imaginava, porque isso é questão de desenvolvimento e depende também de política pública. Mas tenho a certeza que eu não duvidava disso, pela pessoa que é o professor Uchôa: um educador e empreendedor acima de tudo”, conclui.
Outras contribuições
A geração de emprego e de renda em torno de suas unidades é apenas uma das contribuições prestadas pela Unit ao longo dos seus 63 anos de atividade. O professor Marcos Wandir destaca a formação de profissionais e de quadros que se destacaram no mercado profissional e que também entraram para a vida pública, ocupando cargos de gestão e de relevância na administração da cidade, do Estado e até mesmo da União. “A qualidade desse ensino sobrepôs uma série de barreiras, e hoje, a gente tem a relevância da formação destas pessoas pela Unit, ou pela Faculdade Tiradentes, com elas ocupando postos importantes, seja do setor empresarial ou do setor público”, afirma.
Ainda de acordo com o professor, a Unit também têm se destacado por manter um diálogo muito próximo com o poder público municipal, em todas as suas esferas e administrações. Um diálogo através do qual o conhecimento produzido em salas de aula se reverteu em projetos conjuntos, propostas e soluções para resolver problemas e promover avanços no dia-a-dia de Aracaju, principalmente em áreas como saúde, educação, assistência social, economia, mobilidade urbana e meio ambiente.
“Quando a gente fala de políticas públicas, a gente tem que associar a formação dos nossos alunos e dos nossos professores em relação ao que é relevante para a sociedade. Nós temos ações que envolvem Aracaju e vários outros municípios a partir da Universidade de Tiradentes, do seu Instituto de Pesquisa [ITP] e do Tiradentes Innovation Center. Socorrer ou mesmo trabalhar junto, apoiar uma determinada política pública com programas efetivos, também atrai empreendimentos privados, e essas grandes parcerias empresariais é que também têm mantido a universidade pujante e viva”, frisa Wandir.
Fonte: Asscom Unit