A devolução de animais após a adoção tem se tornado um entrave no combate ao abandono de cães e gatos em Aracaju. O alerta é da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Aracaju (Sema), que aponta a prática como recorrente e prejudicial tanto para os animais quanto para a rede de proteção, já sobrecarregada.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que o Brasil tenha cerca de 30 milhões de cães e gatos vivendo em situação de abandono. Além de crime previsto na legislação brasileira desde 1998, o abandono é agravado, segundo protetores, pela devolução de animais que já haviam sido adotados e iniciado processo de adaptação em um novo lar.
De acordo com a Sema, quando o vínculo é rompido, o animal pode apresentar estresse, medo, insegurança e alterações comportamentais. A devolução também pressiona abrigos, muitos deles lotados, reduzindo a capacidade de acolhimento de outros pets em situação de risco.
À frente da ONG Thundercats, a protetora Gisele Gil afirma que a adoção exige responsabilidade contínua. “As pessoas precisam entender que os animais são seres amorosos que também merecem muito respeito e cuidado. Não se pode pensar em adoção, sem pensar em compromisso e disponibilidade de tempo. É preciso ter paciência na adaptação, a convivência com nenhum ser se dá de forma mágica, também não é assim com um bichinho”, disse.
Fundadora da ONG Bando de Bichos, Sheila Hora reforça que a escolha deve levar em conta o perfil do tutor. “Na minha experiência, o animal adulto tende a se adaptar mais rápido ao novo lar. Então, se a pessoa sabe que não tem tanta paciência ou disponibilidade nesse início, talvez seja mais adequado optar por um animal adulto. O filhote é lindo, pequenininho, e muitas vezes as pessoas acabam romantizando essa fase. Mas é importante lembrar que ele precisa de um período maior de adaptação”, explicou.
Ela alerta ainda para erros comuns no início da convivência. “Eu acredito que, em cerca de 30 dias, o animal já esteja bem adaptado. Mas, o tutor não pode pegar um filhote que acabou de ser desmamado e simplesmente deixá-lo sozinho no quintal. Se for para agir assim, é melhor nem adotar. A adoção é um compromisso de vida. Exige tempo, responsabilidade e também envolve custos”, comentou.
Coordenadora do programa Aju Animal, Anne Carollyne Costa destaca que a decisão deve ser planejada por toda a família. “Verificar se todos da casa estão de acordo com a chegada do animal, se alguém possui alergia a pelo, por exemplo, se terá tempo e energia para se dedicar aos passeios e, principalmente, paciência para passar pelo processo de adaptação”, orientou.
*Com informações AAN





