São 173 quilômetros de praias com coqueiros, dunas, florestas virgens e manguezais. O cenário de Sergipe, que atrai turistas por suas belezas naturais, guarda uma riqueza menos conhecida pela população em geral e, mais especificamente, por investidores. Ela se encontra na produção econômica do estado, que conta com um alto potencial exportador ainda a ser explorado. Em 2019, as exportações sergipanas totalizaram cerca de US$ 656 mil, sendo os principais serviços exportados os de fornecimento de alimentação e bebidas e serviços de hospedagem (94,8%). O estado, no entanto, reserva grandes oportunidades no setor têxtil, por exemplo.
Os dados foram trazidos pelo estudo “Sergipe – Perfil e Oportunidades de Exportações e Investimentos 2021”, realizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Ao fazer um panorama geral da economia do estado, a publicação contribui com o processo de formulação de políticas públicas para o comércio exterior do estado e fornece insumos para os processos de tomada de decisão das empresas sergipanas em suas estratégias de exportação.
“Foram mapeados, com base em metodologia desenvolvida especificamente para este estudo, os setores de baixo desempenho exportador com maior potencial para a exportação de bens”, aponta a publicação. Ao avaliar os complexos do estado, a Apex-Brasil identificou 105 oportunidades de exportação, que foram divididas em sete categorias. Reunindo 70,5% do total, as categorias de “Moda, Higiene Pessoal e Cosméticos” (52) e “Alimentos e Bebidas” (22) registraram o maior número de oportunidades. Os complexos de “Máquinas e Equipamentos, Aparelhos e Materiais Elétricos”; “Metalurgia e Produtos de Metal”; “Produtos de Borracha e de Material Plástico”; “Produtos Minerais Não Metálicos”; e “Produtos Químicos” aparecem em seguida.
Além de utilizar metodologia própria, a Apex-Brasil ainda analisou 116 setores agregados conforme a Classificação Nacional por Atividades Econômicas (CNAE). No estado, foram identificados os cinco setores com os maiores potenciais de negócios no exterior: “Fabricação de produtos cerâmicos”, “Fabricação de outros produtos alimentícios”, “Preparação e fiação de fibras têxteis”, “Confecção de artigos do vestuário e acessórios” e “Fabricação de artefatos têxteis, exceto vestuário”. O estudo destaca que, dos cinco setores, três podem ser associados à indústria têxtil. São segmentos com uma estrutura produtiva consolidada, mas que ainda não despontam no comércio internacional.
De Sergipe para o mundo
De acordo com o estudo “Sergipe – Perfil e Oportunidades de Exportações e Investimentos 2021”, os principais setores exportadores por Sergipe são “suco de laranja congelado” e “demais preparações alimentícias” – este, um dos setores que apresentou crescimento em 2020, apesar dos desafios enfrentados, sobretudo, em virtude da pandemia de Covid-19. Entre 2019 e 2020, o setor de “preparações alimentícias” cresceu 77,9%. Ainda de acordo com a publicação da agência, o estado manteve um de seus melhores resultados globais no último ano e, um dos fatores que pode ter contribuído para manter o número de empresas exportadoras no estado foi a ação proativa da Apex-Brasil. Isso porque, no período, houve uma intensificação das ações de sensibilização, capacitação e fomento realizadas pela agência, de modo virtual, junto às empresas brasileiras, no contexto da pandemia.
Os municípios de Sergipe apresentam alto grau de especialização nos segmentos exportados por cada um deles. O principal é Estância, por dominar 83,4% das exportações totais do estado. O segundo principal município exportador de Sergipe é a capital, Aracaju, sendo responsável por 5,4% das exportações estaduais em 2020; e o terceiro lugar fica com o município de São Domingos. Já quando se avalia o potencial exportador, a lista de municípios inclui outras cidades na lista, além de contemplar municípios que já contam com o know-how em comércio exterior. Os municípios de Nossa Senhora do Socorro, Riachuelo, Ribeirópolis e Tobias Barreto integram a lista dos que guardam potencial para otimizar as exportações em setores previamente identificados.
Os principais destinos para as exportações sergipanas se concentram especialmente na Europa e na América do Norte – em 2020, quase 90% do valor exportado foi destinado aos Países Baixos e à Bélgica, que atuaram como hubs de comércio na Europa. Mas segundo o estudo desenvolvido pela Apex-Brasil, foram identificadas oportunidades de exportação, em especial, para países da América do Sul. São eles: Colômbia, Equador, Bolívia e Paraguai, além dos Países Baixos. Na publicação, são identificados os produtos mais atrativos para cada um dos cinco destinos: as oportunidades foram delimitadas conforme o Mapa Estratégico de Mercados e Oportunidades Comerciais para as Exportações Brasileiras e de acordo com a pauta exportadora de Sergipe para o país destino analisado.