O agronegócio brasileiro é uma potência mundial, mas que ainda enfrenta um problema silencioso que atravessa propriedades de todos os portes: a falta de gestão profissional. Para o médico-veterinário, professor e especialista em produção animal e gestão rural Guilherme Vieira, este é o principal motivo que impede os pecuaristas de aumentar lucro, reduzir desperdícios e tomar decisões mais estratégicas.
De acordo com o levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os anos de 2023 e 2024 foram marcados por queda significativa na rentabilidade da agricultura e da pecuária, mesmo com produção elevada.
Margens menores resultaram da combinação entre preços mais baixos, custos altos, eventos climáticos e instabilidade econômica. Em cenários assim, propriedades sem gestão sofrem ainda mais: produzem muito, mas lucram pouco.
Para Guilherme Vieira, isso ocorre porque grande parte dos agropecuaristas concentra esforços apenas na produção. “A maioria sabe produzir bem, mas não domina os números da propriedade. Sem controle de custos, o produtor vende achando que ganhou, mas muitas vezes saiu no prejuízo”, explica. Ele destaca que a ausência de indicadores, registro de despesas e planejamento financeiro impede que a propriedade evolua. “O que falta não é capacidade produtiva, é gestão.”
Má gestão é o ponto cego que trava o lucro no campo
Um dos maiores erros é iniciar a produção antes do planejamento com índices produtivos (técnicos) e organizar os dados fundamentais da propriedade.“Os maiores erros que vejo hoje nas fazendas começam sempre pelo mesmo ponto: a geração de dados. Falta dado. Falta controle. A maioria dos produtores não registra seus índices técnicos e índices econômicos, que são essenciais para entender se a fazenda está atingindo suas metas de produção“, aponta.
Os índices técnicos são números que mostram o que a fazenda produz e com que eficiência. “Se ele programa produzir determinada quantidade de arrobas e, no fim do ciclo, atingir ou não essa meta, isso vai gerar dados para ele se ele atingiu o objetivo. A maioria dos gestores que nos procuram têm dificuldade muito grande de determinar quais são seus objetivos e suas metas de produção”, explica.
No campo, tudo precisa ser medido. Produtividade, metas de arrobas, ganho médio diário, lotação, custo por hectare, margem por animal e retorno do investimento são exemplos de indicadores que determinam se a propriedade está avançando ou não.
Portanto, o primeiro passo para uma boa gestão é fazer um inventário completo da fazenda. “A pergunta que mais me fazem nos cursos é: ‘Professor, qual é a primeira coisa que devo fazer para começar a gestão da fazenda?’ E a resposta é sempre a mesma: faça um inventário completo da fazenda“.
O gestor da fazenda precisa saber exatamente o que tem em sua fazenda, a falta desse registro é o ponto que mais trava a gestão. “Não basta quantificar; é preciso qualificar: quanto já foi investido na sua fazenda? Em que estado está cada item? Sem esse inventário, não existe gestão possível, ele precisa conhecer a fazenda.”, complementa.”, explica.
Cenário do Agronegócio em Sergipe
Em Sergipe, o agronegócio representa cerca de 6% do PIB estadual, com alta produtividade em culturas como milho, laranja, batata-doce, arroz e limão. Para transformar produção em lucro real, a gestão é um fator decisivo, especialmente em um estado marcado por pequenas propriedades e grande dependência de eficiência operacional.
Na pecuária, Sergipe tem alcançado resultados expressivos. Entre os estados do Nordeste, foi o que registrou maior crescimento na produção de leite, com avanço de 22,6% entre os primeiros trimestres de 2023 e 2024. No terceiro trimestre de 2025, o volume chegou a 154,3 milhões de litros, representando cerca de 85% do valor total da produção.
O desempenho é puxado por três municípios que figuram entre os 20 maiores produtores de leite do Brasil: Poço Redondo, Porto da Folha e Nossa Senhora da Glória.
Outro destaque vai para a pecuária de corte. Em 2024, o estado sergipano cresceu 4,21%, atingindo aproximadamente 1,35 milhão de cabeças, em todos os 75 estados do estado. Em 2024, o rebanho bovino sergipano cresceu 4,21%, alcançando 1,35 milhão de cabeças, distribuídas nos 75 municípios do estado.
Segundo o especialista, o estado sergipano não foge a realidade do restante do país. “O que vejo em Sergipe é o mesmo que vejo no Brasil inteiro: falta de planejamento da produção. O diferencial do curso aqui é acompanhar essa tendência nacional e ajudar o produtor sergipano a finalmente implementar gestão real na propriedade.”
Com o cenário econômico volátil e custos de insumos cada vez maiores, o produtor que não domina seus indicadores opera no escuro. E esse é um risco alto para qualquer propriedade.
“O produtor que aprende a gerir bem passa a ter controle total da fazenda: sabe onde está perdendo dinheiro, onde pode otimizar, e como aumentar margem sem aumentar custo”, reforça o professor.
Assim, a fazenda deixa de ser dependente de dinheiro de outras atividades e começa a caminhar com as próprias pernas. Já vi produtores venderem uma fazenda improdutiva e transformarem a outra em empresa sustentável apenas aplicando o que aprenderam no curso.
Conheça o Dr. Guilherme Vieira
Com quase quatro décadas dedicadas ao campo, Dr. Guilherme Vieira é hoje um dos principais nomes da gestão agropecuária no Brasil. Médico-veterinário de formação, ele iniciou sua carreira atuando diretamente na lida com pequenos e grandes animais, experiência que moldou sua visão prática e profunda sobre os desafios enfrentados pelos produtores rurais.
Ao longo dos anos, expandiu sua atuação para a produção animal e, posteriormente, para a vida acadêmica sem nunca se afastar do campo. Construiu uma trajetória sólida em ensino superior, com mestrado, doutorado, atuação como professor nos cursos de Administração em Agronegócios e Medicina Veterinária nas Faculdades Unime, FTC, UNIFACS, Uneb – Campus Barreiras, no qual fez o projeto e implantou o curso de Medicina Veterinária. Universidade Federal da Bahia (UFBA) e contribuições marcantes na formação de novos profissionais.
Para ajudar produtores sergipanos a romper o ciclo de alta produção e baixo lucro, melhorando a gestão da propriedade, Guilherme retorna a Sergipe para ministrar o curso Gestão Agropecuária de Alta Performance, com foco em indicadores, planejamento e rentabilidade real.
Fonte: Assessoria de Imprensa





