ARACAJU/SE, 29 de agosto de 2025 , 9:56:03

Historiador explica a importância de Sergipe decretar emancipação política

O historiador e diretor do Arquivo Público do Município de São Cristóvão, Adailton Andrade,  concedeu entrevista ao portal AJN1 para explicar um pouco a importância da emancipação política de Sergipe, decretada há 201 anos e celebrada todo dia 8 de julho. Confira a seguir:

AJN1 – Quando Sergipe Del Rey se tornou independente? Que momento da História nossa então capitania vivia?

Adailton Andrade – O território que viria a ser a capitania de Sergipe D’El-Rei originou-se de uma cidade chamada São Cristóvão, erguida, onde hoje é Aracaju, nas proximidades  do atual  aeroporto Santa Maria . Mas a colonização propriamente dita somente aconteceu em 1590, após a destruição das tribos indígenas hostis. A região do arraial de São Cristóvão, sede da capitania de Sergipe D’ El-Rei tornou-se então importante pólo de criação de gado e de cana-de-açúcar. No período das invasões holandesas, que correspondeu à primeira metade do século XVII, a economia de Sergipe D’El-Rei ficou prejudicada, recuperando-se, no entanto, com a retomada da região pelos portugueses, em 1645. Sergipe

AJN1 – E por que essa decisão de se separar da Bahia?

AA – Constantes intervenções na vida sergipana contribuíram para que aumentassem os protestos nas câmaras municipais contra a dependência da Bahia. Então, no dia 08 de Julho de 1820, um Decreto de Dom João VI elevava Sergipe à categoria de Capitania independente da Bahia e Província do Império do Brasil, com o brigadeiro Carlos César Burlamaque nomeado seu primeiro governador.

AJN1  – Quem deu essa independência aos sergipanos?

AA- Carta Régia assinada por Dom João VI elevava Sergipe à categoria de Capitania independente da Bahia, mas se esperou D. Pedro I chegar ao trono em justamente  com a independência  do Brasil 2 anos depois  para legitimar   a decisão  tomada  por  seu  Pai, o Rei  das  duas  coroas,  mas  de fato  foi a  promulgação da  1º constituição  Brasileira em 1824,  que Sergipe  de  fato  se apresenta  como capitania  independente .

AJN1 – Alguma personalidade se destacou nessa luta pela emancipação?

AA – O próprio  D. João VI ai assinar  a Carta  Regia , seu filho D. Pedro I em  confirmar e legitimar  a decisão  tomada  por seu pai,  Carlos César Burlamaque o primeiro  governador  ou presidente   de província  como era chamado na época.

AJN1 – Como Sergipe atuava enquanto capitania da Bahia?

AA – Durante mais de dois séculos, Sergipe foi capitania subalterna, dedicada a abastecer a capital baiana através da sua produção agropecuária, recebendo dela as autoridades, as famílias dominantes, os encargos e os produtos do seu comércio. Sergipe já dava motivos   para não precisar ser dependente de outra  capitania, se  alto  sustentava  e  sustentava  vilas  e  capitanias  vizinhas  .

AJN1 – Foi uma emancipação pacífica?

AA – Não foi pacífica, até o primeiro  governador  não conseguiu  tomar posse. A independência, porém, durou pouco. Em 1821, logo depois de chegar em Sergipe, Burlamaque foi preso por ordem da Junta Governamental da Bahia e conduzido para Salvador por não querer aderir ao movimento constitucionalista.

AJN1 – Qual a principal fonte de renda dos sergipanos à época?

AA – A capitania Sergipana já tinha se tornado um importante pólo de criação de gado e de cana-de-açúcar cultivo da rainha de mandioca, algodão e o fumo, ainda tivemos  uma grande produção de  sal, Sergipe  já era  independente  economicamente  da Bahia  e  já sustentava  polos vizinhos. Mas toda essa produção, deixava os impostos com os vizinhos Baianos já o único porto mais próximos  aquém  éramos   ligado  era  a Bahia

AJN1 – E como ficou a economia de Sergipe imediatamente após ganhar o status de Província?

AA – Inicia-se a introdução da cultura canavieira nos vales dos rios São Francisco, Japaratuba, Sergipe, Vaza-Barris, Piauí e Real; a existência de áreas inadequadas à plantação de cana-de-açúcar no litoral e no sertão favorece o surgimento da pecuária (possuindo um dos maiores rebanhos do Brasil colonial. Isso acelerou o processo  de  independência, segundo Felisbelo Freire em “História de Sergipe”, publicado em 1891). Sergipe torna-se, então, um fornecedor de animais de tração para as fazendas da Bahia e de Pernambuco. Houve também uma significativa produção de couro.

AJN1 – Reparei certa controvérsia entre estudiosos do tema. Em quais pontos vocês convergem e onde há dúvidas?

AA – Para alguns estudiosos, a nossa independência é fruto do reconhecimento do rei D. João VI aos sergipanos que que ajudaram na vitória da Corte Portuguesa sobre a Revolução Pernambucana de 1817. Para outros, é mais importante pensar a Independência de Sergipe no contexto do próprio processo da Independência do Brasil.

AJN1 – Como você avalia a evolução política e econômica de Sergipe nesses mais de dois séculos de emancipação? Foi uma causa benéfica?

AA – Há 201 anos, no dia 08 de julho de 1820, os sergipanos receberam do Rei Dom João VI, a Carta Régia decretando a emancipação política de Sergipe do Estado da Bahia. A independência do território sergipano foi marcada por intensas lutas políticas. Muita coisa a se estudar a dialogar com as fontes   que por sua vez, existe algumas contradições  no  meio dos historiadores, Felisbelo Freire descreve que alçar Sergipe a uma capitania independente foi a maneira que o Rei D. João VI encontrou para compensar a participação dos sergipanos na vitória da Corte Portuguesa sobre a Revolução Pernambucana de 1817. Outros tem um ponto de vista diferente e isso torna a história   viva capaz de  apresentar  várias  abordagens  do mesmo tema. Cada tempo com seu ciclo  econômico, sempre  tornando  o menor   estado da federação atrativo  com suas  riquezas minerais, nosso petróleo, nosso potássio  e agora  surge  a   carnalita  sem esquecer  do gás natural.  São 2  séculos  de história e tradição   com  muita história  para contar , sua gente, suas  tradições,  Nossa  separação  da Bahia  sim foi benéfico,  com isso nasceu  nossa  sergipanidade, nossa resistência de se firmar  como  um pequeno notável que  tem  um povo feliz , trabalhar  e ordeiro.

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