ARACAJU/SE, 22 de fevereiro de 2026 , 10:36:05

Para melhorar convivência escolar em Sergipe, adolescentes querem mais esportes e atividades sobre bullying, racismo e prevenção de violências, diz pesquisa

 

Jogos, competições e olimpíadas despontam como a principal sugestão para melhorar a convivência escolar em Sergipe, apontados por 44% dos estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental das redes estadual e municipais. A preferência é unânime entre as faixas etárias: tanto os de 6º e 7º anos quanto os de 8º e 9º anos destacam essa opção. Entre os mais novos, atividades que tratem de bullying, racismo e prevenção de violências surgem em segundo lugar, com 35%, seguidas pela melhoria dos espaços da escola para convivência, citada por 34%. Já entre os mais velhos, a melhoria dos espaços ganha ligeira prioridade (35%), enquanto as discussões sobre violências ficam com 32%, sinalizando um foco em integração e proteção no dia a dia.

Os dados são parte da pesquisa realizada pelo Ministério da Educação (MEC), em parceria com Itaú Social, Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação) e Undime (União dos Dirigentes Municipais de Educação), que ouviu 19,2 mil estudantes sergipanos.

“As vozes dos adolescentes de Sergipe são um chamado para construirmos escolas que respondam às suas necessidades e aspirações. Esses resultados nos mostram que, ao ouvirmos, podemos criar políticas educacionais mais conectadas a essa fase do desenvolvimento humano e à realidade local”, diz Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social.

O que a escola representa para os estudantes

Para os adolescentes de 6º e 7º anos, a escola é, acima de tudo, um lugar de laços humanos: 85% declaram ter amigos ou amigas com quem gostam de estar, 78% contam com pelo menos um adulto em quem confiam e 76% sentem que os profissionais respeitam e valorizam os estudantes.

Entre os de 8º e 9º anos, as relações sociais seguem fortes, com 82% valorizando a presença de amigos próximos. O olhar também se volta para o desenvolvimento, já que 73% destacam o aumento de conhecimentos sobre as disciplinas e 72% percebem a escola como preparação para escolhas futuras, incluindo ensino médio, faculdade, trabalho ou carreira.

Os conteúdos que fazem os estudantes se desenvolverem mais para a vida

Disciplinas tradicionais como Língua Portuguesa, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza continuam no topo das preferências, escolhidas por 48% dos estudantes de 6º e 7º anos e por 40% dos de 8º e 9º anos. Esportes e bem-estar mantêm-se em evidência, com 39% e 37% respectivamente nas faixas. Artes e cultura aparecem com 31% entre os mais novos, enquanto educação financeira entra na lista dos mais velhos, com 27%.

Atividades indispensáveis na escola do futuro

Tecnologia e mídias digitais lideram as expectativas para o que os adolescentes consideram como uma escola do futuro, citadas por 42% em ambas as faixas etárias. Práticas esportivas vêm logo atrás, com 40% entre os de 6º e 7º anos e 37% entre os de 8º e 9º anos. Aulas práticas, com projetos e atividades “mão na massa”, completam a preferência, alcançando 38% e 36% respectivamente.

Formas de aprender melhor na escola

Experiências fora da sala de aula ganham destaque crescente: visitas, passeios e trabalhos externos são preferidos por 37% dos mais novos e por 43% dos mais velhos. Trabalhos em grupo caem de 33% para 27% entre os grupos. Estudo individual e leituras registram 28% no 6º e 7º anos, ao passo que aulas de reforço em pontos de dificuldade surgem com 26% exclusivamente entre os de 8º e 9º anos.

Sobre o relatório

                A pesquisa com dados do estado de Sergipe faz parte do Relatório Nacional da Semana da Escuta das Adolescências, que traz as percepções dos estudantes sobre suas identidades, diversidades e obstáculos à participação, estimulando gestores, professores e comunidades a promoverem escolas mais inclusivas e transformadoras.

No contexto nacional, a iniciativa ouviu mais de 2,3 milhões de estudantes das redes estaduais e municipais, marcando um passo importante na elaboração de uma política pública voltada especialmente para os Anos Finais do Ensino Fundamental. Os dados reforçam a necessidade de escolas que dialoguem com as experiências e expectativas dos alunos, promovendo uma educação mais prática, participativa e conectada à vida cotidiana.

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