A Polícia Civil de Sergipe, por meio da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM), divulga, nesta quarta-feira (21), o balanço das ações de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. Os números revelam que, apesar da redução histórica dos feminicídios ao longo dos últimos anos — com queda de mais de 50% entre 2021 e 2024 —, o ano de 2025 registrou um aumento pontual nos casos, o que motivou o reforço das estratégias de prevenção, repressão qualificada e orientação às mulheres sergipanas.
De acordo com a delegada Lara Schuster, titular da DEAM, Sergipe vinha mantendo uma trajetória de redução contínua dos feminicídios, com registros de 21, 19 e 16 casos nos anos de 2021, 2022 e 2023, respectivamente, até encerrar 2024 com 10 ocorrências. No entanto, em 2025, foram contabilizados 15 casos, sendo sete deles concentrados apenas no mês de dezembro, cenário que acendeu um alerta para a intensificação das ações policiais e do trabalho de conscientização da população.
Mesmo diante do aumento registrado em 2025, a delegada enfatiza que todos os casos de feminicídio ocorridos em Sergipe tiveram resposta rápida e efetiva por parte da Polícia Civil. Com uma taxa de 100% dos crimes foram solucionados, com a devida identificação e prisão dos autores.
Entre os meses de dezembro de 2025 e janeiro de 2026, a DEAM representou por 15 prisões preventivas e oito medidas cautelares. Somente em janeiro, seis mandados de prisão foram cumpridos por descumprimento de medidas protetivas, além de outros dois executados com apoio de equipes policiais de outras unidades.
“O descumprimento de medida protetiva é tratado com prioridade absoluta. São procedimentos céleres, que podem resultar em prisão em flagrante ou preventiva, justamente para evitar a escalada da violência”, destacou a delegada.
Violência não começa no feminicídio
A delegada Lara Schuster chama atenção para um dado considerado crucial na análise dos casos mais graves: das 15 vítimas de feminicídio em 2025, apenas duas haviam solicitado medida protetiva anteriormente, e a maioria sequer havia registrado boletim de ocorrência antes do crime.
“A violência doméstica é escalonada. Ela não começa no feminicídio. Começa com controle, humilhação, agressões verbais, ameaças, e vai se agravando até chegar à agressão física e, em alguns casos, à morte. É por isso que insistimos tanto na denúncia precoce”, alertou.
Entre os crimes mais recorrentes registrados pela DEAM estão ameaça, crimes contra a honra, agressões verbais e físicas, com agravamento recente na intensidade das lesões causadas às vítimas.
A medida protetiva de urgência é um dos mecanismos mais eficazes de proteção à mulher em situação de violência. O descumprimento da ordem judicial autoriza prisão imediata do agressor, além da adoção de outras medidas cautelares.
A delegada destaca, ainda, que o medo de denunciar é um obstáculo para muitas mulheres, mas os dados demonstram que aquelas que não buscam ajuda tendem a permanecer mais tempo em situação de violência e ficam mais vulneráveis a crimes graves. “Denunciar não piora a situação. Pelo contrário, rompe o ciclo da violência e possibilita a atuação do Estado para proteger a vítima”, enfatizou.
Canais de denúncia
Hoje, o estado de Sergipe conta com diversos canais para atendimento às vítimas, de forma contínua. O Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV) opera 24 horas. Assim como a Delegacia Virtual (Devir Mulher), por meio do qual as vítimas podem solicitar medida protetiva sem sair de casa, a Central de Atendimento à Mulher (180), além dos canais já conhecidos como o Disque-denúncia da Polícia Civil (181) e o 190 da Polícia Militar.
A Polícia Civil reforça que qualquer pessoa pode denunciar casos de violência contra a mulher, mesmo não sendo a vítima direta. Todas as informações recebidas são apuradas, e o sigilo é garantido.




