ARACAJU/SE, 4 de fevereiro de 2026 , 10:21:23

Polícia pede internação de adolescente acusado de matar cão Orelha em Florianópolis

 

A Polícia Civil de Santa Catarina pediu à Justiça a internação de um adolescente apontado como responsável pela morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis. A solicitação foi feita após a conclusão do inquérito, finalizado nesta terça-feira  (3), e encaminhado ao Ministério Público e ao Judiciário.

A internação é uma medida socioeducativa equivalente à prisão no sistema adulto e foi solicitada em razão da gravidade do ato infracional, segundo a polícia. A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (Deacle) e pela Delegacia de Proteção Animal (DPA).

Além da morte de Orelha, a Polícia Civil apura uma tentativa de afogamento contra outro cão comunitário, chamado Caramelo. Nesse caso, quatro adolescentes foram responsabilizados. Já no inquérito sobre a morte de Orelha, um adolescente foi apontado como autor da agressão fatal.

Três adultos também foram indiciados por coação a testemunha. De acordo com a polícia, eles teriam tentado interferir no andamento das investigações.

O cão Orelha foi atacado na madrugada do dia 4 de janeiro. Laudos da Polícia Científica apontam que o animal sofreu uma pancada contundente na cabeça, possivelmente causada por um chute ou por um objeto rígido, como uma garrafa ou pedaço de madeira. O cachorro chegou a ser socorrido por moradores da região no dia seguinte, mas não resistiu e morreu em uma clínica veterinária.

Investigação

Para identificar os envolvidos, a Polícia Civil montou uma força-tarefa. Mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança foram analisadas, a partir de registros de 14 equipamentos diferentes. Ao todo, 24 testemunhas foram ouvidas e oito adolescentes investigados. Um software de análise de localização também foi utilizado.

Segundo a polícia, o adolescente apontado como autor da agressão apresentou contradições em depoimento. Imagens mostram que ele saiu de um condomínio às 5h25 e retornou às 5h58, horário que não coincide com a versão apresentada à polícia.

No mesmo dia em que os suspeitos foram identificados, o adolescente viajou para os Estados Unidos, onde permaneceu até 29 de janeiro. Ao retornar ao Brasil, foi interceptado no aeroporto. Durante a abordagem, um familiar tentou esconder um boné e um moletom que, de acordo com a investigação, teriam sido usados no dia do crime.

No caso envolvendo o cão Caramelo, a polícia apurou que o animal foi levado ao mar no colo por um adolescente, mas conseguiu escapar. Quatro adolescentes foram representados à Justiça por esse episódio.

O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, informou, por meio das redes sociais, que adotou o cão Caramelo.

A Polícia Civil informou ainda que a análise dos dados extraídos de celulares apreendidos continua em andamento e pode reforçar as provas já reunidas ou revelar novos elementos. Todos os procedimentos foram encaminhados ao Ministério Público e ao Judiciário.

O que diz a defesa

Em nota, a defesa do adolescente apontado como responsável pela morte de Orelha afirmou que a conclusão do inquérito se baseia em elementos “meramente circunstanciais”, que, segundo os advogados, não constituem prova suficiente para conclusões definitivas.

A defesa também questiona a comprovação das agressões, a divulgação de imagens e a relação entre as roupas que, segundo a polícia, teriam sido escondidas pela família e o crime investigado. Os advogados afirmam ainda que, no horário citado pela polícia, há imagens de outros adolescentes circulando no local onde ocorreu a agressão.

*Com informações CNN Brasil

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