ARACAJU/SE, 7 de janeiro de 2026 , 12:17:30

Primeiro-ministro da Groenlândia reage após a nova ameaça de anexação de Trump: ‘Já chega!’

 

“Já chega!”, reagiu nesta segunda-feira o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, após nova ameaça de anexação feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a defender que a ilha ártica deveria fazer parte do território americano.

A reação se juntou à da Colômbia, que também rechaçou as ameaças e acusações de Trump contra o presidente Gustavo Petro. Após os ataques à Venezuela, o presidente americano havia dito que realizar operação militar na Colômbia “soava bem”.

“Chega de pressão. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação. Estamos abertos ao diálogo. Estamos abertos às discussões. Mas isso deve ser feito pelos canais adequados e com respeito ao direito internacional”, escreveu no Facebook o chefe do governo groenlandês.

No domingo, Trump reiterou publicamente a intenção de anexar a Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca e considerado estratégico por suas riquezas naturais. A declaração ocorreu apesar dos reiterados apelos das autoridades locais e do governo de Copenhague para que Washington respeite a integridade territorial da ilha.

‘Em breve’

O embaixador da Dinamarca nos Estados Unidos pediu “respeito total” à integridade territorial da Groenlândia, após a esposa de um assessor de Donald Trump compartilhar uma imagem da ilha ártica dinamarquesa com as cores da bandeira dos EUA.

A postagem foi feita horas depois de o país atacar a Venezuela e capturar o presidente Nicolás Maduro, que foi levado à força para Nova York, onde deve ser julgado.

Katie Miller, esposa do chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, publicou a foto do sábado, em seu perfil na rede social X, acompanhada de uma breve legenda em letras maiúscula: “SOON” (“em breve”, em tradução).

Desde o seu regresso à Casa Branca em janeiro, Trump afirmou em repetidas ocasiões que os Estados Unidos “necessitam” deste território autônomo da Dinamarca, rico em recursos, por razões de segurança, e negou-se a descartar o uso da força para controlá-lo.

A publicação de Miller em X também foi produzida depois que o exército dos Estados Unidos capturou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, durante uma incursão militar surpreendente que incluiu bombardeios sobre a capital, Caracas, e outras regiões do país.

“Um pequeno lembrete amigável sobre os Estados Unidos e o Reino da Dinamarca: somos aliados próximos e devemos continuar a trabalhar juntos como tal”, disse Jesper Møller Sørensen, embaixador da Dinamarca nos Estados Unidos, em resposta à mensagem de Katie Miller.

“E sim, esperamos o respeito total da integridade territorial do Reino da Dinamarca”, escreveu.

Especialistas consideraram que a operação na Venezuela é uma advertência aos aliados dos Estados Unidos preocupados com as ameaças de Trump de apoderar-se de recursos estratégicos, começando por sua declaração voluntária de anexação da Groenlândia. O presidente deixou claro o interesse no petróleo venezuelano e, na coletiva que concedeu em sua residência na Flórida ainda no sábado, garantiu que empresas petrolíferas americanas vão assumir a produção e a exploração do recurso em solo venezuelano. Nos últimos meses, o governo dos EUA roubou barcos carregados com petróleo que deixavam o país latino-americano.

— Nossas grandes petrolíferas, as maiores de qualquer lugar no mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar infraestrutura horrivelmente quebrada, a infraestrutura do petróleo, e começar a fazer dinheiro para o país — disse Trump no pronunciamento inicial à imprensa, durante entrevista coletiva em Mar-a-Lago.

Katie Miller foi durante um tempo assessora e porta-voz da comissão para a eficácia governamental Doge, então dirigida por Elon Musk, antes de ser contratada pelo multimilionário no setor privado.

Fonte: O Globo

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