ARACAJU/SE, 26 de fevereiro de 2026 , 19:56:17

Protocolo pode colocar Sergipe como referência nacional no atendimento a pacientes infartados

 

As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no Brasil e no mundo. Entre elas, a Síndrome Coronariana Aguda (SCA), que inclui a angina instável e o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), concentra os maiores índices de mortalidade. Diante desse cenário, o Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse) implementou o Grupo de Estudo “Time de Dor Torácica”, com foco no aprimoramento do protocolo estadual já existente para o cuidado ao paciente com IAM.

A iniciativa promove novos ajustes, parâmetros e atualizações na linha de cuidado, fortalecendo um modelo que já está implantado, mas que agora passa por um processo de qualificação e padronização em toda a Rede Estadual de Saúde. O novo formato segue as diretrizes nacionais da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), além das recomendações internacionais da American College of Cardiology, da American Heart Association e da European Society of Cardiology.

Mais do que uma ação pontual, trata-se do aperfeiçoamento de um fluxo assistencial que organiza desde a identificação precoce dos sintomas até o tratamento definitivo, integrando as unidades da rede ao Serviço de Hemodinâmica do Huse, referência estadual para realização de angioplastia pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Esse modelo aprimorado coloca Sergipe em posição de destaque no país, ao estruturar uma linha de cuidado ao paciente com IAM baseada em protocolo unificado, regulação integrada e acesso garantido à angioplastia na rede pública, uma iniciativa considerada inovadora no cenário brasileiro pela articulação entre toda a rede estadual e o centro angioplastador de referência.

 Ajustes no protocolo estadual

A dor no peito é o principal sintoma do IAM. No Huse, entre oito e dez pacientes infartados são atendidos diariamente no Centro de Hemodinâmica Dr. José Augusto Soares Barreto, o que evidencia a alta demanda e a necessidade de um fluxo cada vez mais ágil e padronizado.

Formado por médicos e enfermeiros do serviço de hemodinâmica, o Grupo de Dor Torácica monitora indicadores assistenciais e conduz os aprimoramentos no protocolo que será aplicado de forma integrada nas unidades gerenciadas pela Secretaria de Estado da Saúde (SES).

De acordo com o coordenador da Linha de Cuidado do Paciente Cardiovascular do Huse, José Edvaldo Santos, o principal avanço está na integração entre diagnóstico, regulação e intervenção terapêutica. “A definição do tipo de infarto é feita pelo eletrocardiograma. No IAM com supradesnivelamento do segmento ST há obstrução total da artéria coronária; no IAM sem supra, a obstrução é parcial, mas o risco também é elevado. Em ambos os casos, a resposta precisa ser rápida”, explica.

Segundo ele, o objetivo é garantir que toda a rede atue sob os mesmos critérios técnicos. “Estamos promovendo ajustes para padronizar condutas, reduzir o tempo de resposta e assegurar que o paciente com IAM receba o tratamento adequado no momento certo”.

Atendimento no tempo adequado

Nos casos de IAM com supradesnivelamento do ST, o paciente é encaminhado imediatamente para angioplastia, tratamento padrão-ouro, com acionamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e transporte direto para a unidade de referência em hemodinâmica. “No infarto, cada minuto representa perda de músculo cardíaco. Quanto mais rápido desobstruímos a artéria, menor o dano ao coração e maiores as chances de recuperação”, destaca o cardiologista.

Os novos parâmetros também reforçam a realização de cateterismo em até 24 horas para pacientes com IAM sem supradesnivelamento, além da priorização de eletrocardiogramas com sinais isquêmicos de alto risco. “A doença cardiovascular é tempo-dependente. Reduzir o intervalo entre diagnóstico e tratamento significa menos complicações, menos insuficiência cardíaca e menos mortes”.

Rede integrada e referência estadual

O modelo também fortalece a integração estadual por meio da telecardiologia, permitindo que exames realizados nos municípios sejam avaliados rapidamente por especialistas e que a regulação organize o transporte de forma segura e ágil.

Com protocolo aprimorado, critérios unificados e acesso garantido ao serviço estadual de hemodinâmica e centro angioplastador de referência, Sergipe consolida um novo modelo assistencial no cuidado ao paciente com IAM, alinhado às diretrizes nacionais e internacionais e focado na redução da mortalidade por infarto.

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