ARACAJU/SE, 23 de janeiro de 2026 , 11:58:58

Renda real em alta sustenta o consumo das famílias em 2025

 

A melhora no cenário macroeconômico brasileiro, com avanço do emprego e ganhos reais de renda, ajudou a sustentar o consumo das famílias ao longo de 2025. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o Consumo nos Lares cresceu 3,68% no último ano, resultado muito próximo ao registrado em 2024, quando subiu 3,72%, confirmando dois anos consecutivos de expansão.

O desempenho ocorre em um ambiente ainda marcado por juros elevados, mas compensado pelo mercado de trabalho aquecido, inflação de alimentos mais controlada e mais recursos na economia. Para o vice-presidente da Abras, Marcio Milan, a combinação desses fatores deu mais previsibilidade ao consumo. “A renda real em alta e a acomodação dos preços dos alimentos ajudaram a reduzir oscilações e sustentaram o consumo, especialmente no último trimestre do ano”, afirma.

Estímulos

O consumo em 2025 foi menos dependente de estímulos pontuais, segundo o executivo, e mais ancorada em fundamentos macroeconômicos. “A taxa de desemprego recuou ao longo do ano, encerrando o trimestre até novembro em 5,8%, enquanto a renda real avançou, o que ampliou o poder de compra das famílias.”

Por outro lado, a inflação dos alimentos perdeu força. A variação de preços de 35 produtos de largo consumo, que formam o indicador Abras Mercado, fechou 2025 com alta acumulada de apenas 0,73%, com preço médio nacional de R$ 800,35. O alívio veio principalmente da forte queda de produtos básicos, como arroz, que recuou 26,55%, leite longa vida com queda de 12,87% e feijão de 4,21%, itens com peso relevante no orçamento das famílias.

Esse movimento ajudou a neutralizar pressões pontuais em outras categorias, como carnes, produtos de higiene e limpeza, além da alta expressiva do café de 35,64%, permitindo que o consumo avançasse.

Alta em dezembro

Na leitura mensal, o consumo das famílias avançou 15,69% em dezembro frente a novembro, desempenho superior ao observado no mesmo período de 2024, quando subiu 12,81%. Na comparação de dezembro de 2025 ante igual período do ano anterior, a alta foi de 9,52%.

Segundo a Abras, o movimento reflete o padrão sazonal típico do fim de ano, impulsionado pelo pagamento do 13º salário, transferências sociais e maior circulação de renda. “Houve uma aceleração concentrada no último trimestre, mas sem distorcer o resultado do ano como um todo”, explica Milan.

Foram injetados R$ 48 bilhões a mais na economia por meio do 13º salário, além disso foram mais R$ 12,74 bilhões vindos do Bolsa Família ao longo do ano para 48,92 milhões de beneficiários e outros R$ 485,87 milhões transferidos pelo programa Auxílio Gás para mais de 4,41 milhões de famílias.

Os dados da pesquisa são deflacionados pelo IPCA, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e abrangem todos os formatos de supermercados, do atacarejo às lojas de bairro.

Inflação controlada

Além do mercado de trabalho, a acomodação dos preços dos alimentos foi decisiva para o desempenho do consumo em 2025. Safras recordes de grãos, condições climáticas mais favoráveis e um câmbio mais estável reduziram o custo da alimentação no domicílio.

Enquanto carnes e proteínas tiveram variações moderadas ao longo do ano, os produtos básicos apresentaram quedas expressivas, funcionando como um amortecedor importante para o orçamento das famílias, especialmente aquelas de menor renda, que usam boa parte dos seus recursos para compras de alimento.

Perspectiva para 2026

Para 2026, a Abras projeta crescimento de 3,2% no consumo das famílias, sustentado por novos impulsos à renda, limitado apenas pelo ambiente financeiro ainda restritivo. Entre os fatores positivos estão a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, o reajuste real do salário-mínimo para R$ 1.621, e a manutenção de programas de transferência de renda, como Bolsa Família, Pé-de-Meia e Gás para Todos.

“Esses recursos todos tendem a reforçar o consumo já nos primeiros meses do ano, especialmente entre as famílias de menor renda”, avalia Milan.

Por outro lado, a taxa Selic elevada mantém o crédito mais seletivo e impõe cautela às decisões de consumo, funcionando como um freio a uma aceleração mais intensa. Além disso, riscos externos como desaceleração global, câmbio e clima permanecem no radar, segundo a Abras.

Fonte: InfoMoney

Você pode querer ler também