Você costuma tirar seus medicamentos da embalagem original para armazená-los em sacos plásticos, potes ou porta-comprimidos? Organizar medicamentos fora da embalagem original pode não ser uma prática adequada, pois coloca em risco a eficácia e a segurança do tratamento. O uso racional de medicamentos envolve não apenas a prescrição e a administração corretas, mas também o armazenamento adequado.
A embalagem dos medicamentos desempenha papel fundamental na manutenção da estabilidade: ela protege o produto de fatores que podem degradar o princípio ativo, como luz, umidade, oxigênio e variações de temperatura.
Alguns princípios ativos, em contato com o ar, variações de temperatura ou luz, podem sofrer oxidação ou reações fotoquímicas que reduzem sua eficácia, ou até mesmo absorver água do ambiente, o que acelera reações indesejáveis ou altera sua forma física. Por isso, frascos e potes costumam vir com dessecantes que não devem ser removidos.
Quais são os riscos de tirar o medicamento da embalagem original?
Ao transferir comprimidos ou cápsulas para potes, sacos plásticos ou porta-comprimidos, o paciente pode estar exposto a riscos importantes:
- Degradação do princípio ativo, com redução da potência.
- Alteração do perfil de dissolução, especialmente em comprimidos revestidos.
- Perda da eficácia terapêutica, podendo levar a falhas no tratamento.
- Aumento do risco de erros de medicação, devido à perda de identificação.
- Possibilidade de contaminação, especialmente em ambientes úmidos.
- Blísteres, frascos de vidro âmbar, potes com dessecantes, embalagens aluminizadas e tampas com sistemas de vedação são projetados para manter o princípio ativo estável, evitando sua degradação precoce.
- A data de validade impressa no rótulo só é garantida enquanto o medicamento permanece nessas condições.
E o porta-comprimidos? Pode ou não pode usar?
O uso de porta-comprimidos pode ser útil para a organização das doses e melhorar a adesão ao tratamento, desde que seja feito com critério e com orientação farmacêutica.
Pode ser utilizado quando:
- O medicamento é considerado estável.
- Há orientação de um farmacêutico ou profissional de saúde.
- A organização é feita apenas para curto período, preferencialmente até 24 horas.
Quando não é recomendado:
- Cápsulas moles, efervescentes ou revestidas: estes formatos dependem do invólucro ou revestimento para manter propriedades específicas (solubilidade, liberação no trato digestivo etc.).
- Medicamentos sensíveis à umidade e luz: quando a embalagem é parte da barreira protetora, retirá-la pode acelerar a degradação.
- Sem orientação farmacêutica: fazer a transferência por conta própria pode comprometer a eficácia e a segurança.
- Sempre que houver dúvida sobre a possibilidade de transferir um medicamento para outro recipiente, a orientação de um profissional farmacêutico é fundamental. Pequenos cuidados no armazenamento podem fazer grande diferença nos resultados do tratamento. Essas orientações fazem parte das boas práticas de uso racional de medicamentos e contribuem para a segurança do paciente.
*Texto escrito pela farmacêutica e bioquímica Ana Paula Machado Klinkowström Bruzetti (CRF 28.963-SP)
Fonte: CNN Brasil





