Vendas online disparam em Sergipe, mas 95% do faturamento fica fora do estado

O comércio eletrônico em Sergipe registrou um crescimento real de 544,2% entre 2016 e 2025, alcançando R$ 2,23 bilhões e consolidando-se como um dos principais vetores de consumo no estado, ainda que amplamente dominado por empresas de fora. Os dados fazem parte de um estudo inédito elaborado em parceria com a Fecomércio Bahia, assinado pelos economistas Guilherme Dietze e Marcio Rocha.
Em termos nominais, a expansão é ainda mais expressiva: o faturamento das vendas online destinadas a consumidores sergipanos saltou de R$ 211,9 milhões em 2016 para uma estimativa de R$ 2,13 bilhões em 2025, o que representa um avanço de 903,4% no período.
O levantamento aponta que a virada estrutural do setor ocorreu a partir de 2020, impulsionada pelas restrições da pandemia de Covid-19. Naquele ano, o faturamento real quase dobrou, com alta de 95,8%, passando de R$ 498,8 milhões em 2019 para R$ 976,5 milhões. Desde então, o crescimento se manteve consistente, superando R$ 1,5 bilhão em 2022 até atingir o recorde projetado para 2025.
Segundo o presidente do Sistema Fecomércio-Sesc-Senac de Sergipe, Marcos Andrade, o avanço reflete uma mudança definitiva no comportamento do consumidor. “O crescimento de mais de 540% em termos reais mostra que o consumidor sergipano incorporou definitivamente as compras online no seu dia a dia. No entanto, o fato de mais de 95% dessas vendas virem de fora do estado acende um alerta para a necessidade de políticas de incentivo à transformação digital do comércio local”, afirma.
A concentração do mercado em grandes plataformas nacionais e internacionais é um dos principais pontos de atenção do estudo. Em 2016, empresas de fora já respondiam por 91,5% das vendas online no estado. Para 2025, a projeção é ainda maior: 95,4% de participação, equivalente a R$ 2,13 bilhões. Já os negócios locais devem ficar com apenas 4,6% do mercado, somando cerca de R$ 103 milhões.
Embora o faturamento das empresas sergipanas tenha crescido em termos absolutos — de R$ 29,4 milhões para R$ 103 milhões —, o ritmo é significativamente inferior ao dos concorrentes externos, evidenciando desafios de competitividade e digitalização.
O estudo também mostra a crescente relevância do e-commerce no varejo estadual. Em 2016, as vendas online representavam apenas 1,6% do faturamento total do setor. Esse percentual subiu para 2,0% em 2019, avançou para 4,3% em 2020 e deve alcançar 7,4% em 2025, indicando uma mudança estrutural nos hábitos de consumo.
Para o economista Marcio Rocha, o cenário reforça a urgência de adaptação do comércio local. “Essa parceria com a Fecomércio Bahia nos deu um meio de consolidar as informações do comércio eletrônico de forma consistente e permite enxergar com clareza que o varejo físico de Sergipe precisa se integrar de forma urgente ao ecossistema digital. O espaço para crescimento existe, mas as empresas locais precisam de capacitação e infraestrutura para competir com os gigantes de fora”, conclui.
*Com informações Fecomércio
