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Violência contra crianças de até 4 anos cresce até 478% em dez anos

13/10/2026 às 08:59

 

As notificações de violência psicológica contra crianças de 0 a 4 anos cresceram 478,4% entre 2014 e 2024, passando de 7.694 para 26.277 registros. Os números referentes à negligência também aumentaram no período, segundo o Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Os dados reforçam o alerta durante a Semana Nacional de Prevenção da Violência na Primeira Infância, celebrada de 12 a 18 de outubro.

O levantamento aponta ainda crescimento de 149,8% nos registros de violência física e de 369,5% nas notificações de violência sexual, que passaram de 1.671 para 7.845 casos em dez anos.

A maior parte das ocorrências registradas acontece no ambiente doméstico. Segundo o estudo, 79,9% dos casos tiveram autoria classificada como doméstica e, dentro desse grupo, 67,3% ocorreram na própria residência.

Diante desse cenário, a pediatra Joara Almeida, do Hospital Universitário de Lagarto (HUL-UFS/HU Brasil), destaca a importância de reconhecer sinais físicos e comportamentais que podem indicar violência contra crianças pequenas.

“Devemos prestar atenção, principalmente, aos sinais físicos, que são os que mais chamam atenção: um hematoma, uma lesão de queimadura, fraturas. Geralmente, essas lesões são incompatíveis com os quadros citados pelos familiares”, explica.

Além das marcas no corpo, mudanças de comportamento também exigem atenção. Segundo a médica, sonolência excessiva, irritabilidade, isolamento social e medo de relatar o que aconteceu podem indicar a necessidade de uma avaliação mais cuidadosa.

“Os familiares, na simples suspeita, devem buscar o atendimento médico, porque estamos na linha de frente. O enfermeiro que fez a triagem pode sinalizar ao médico a suspeita de violência. A criança deve ser acolhida tanto pela família quanto pelo profissional de saúde. É importante que ela seja ouvida no momento oportuno e que aquilo não vire um interrogatório”, orienta.

A pediatra ressalta que os profissionais de saúde também têm papel importante na identificação de possíveis casos, no registro das informações e no acionamento da rede de proteção à infância.

“Ele é quem vai ouvir, registrar as queixas e acionar toda a rede de proteção à infância. Nós também temos que estar atentos ao fato de que aquela situação pontual pode não confirmar um caso de violência, mas acender um alerta para que a gente consiga acolher essa família da melhor forma possível”, conclui.

Prevenção na primeira infância

Instituída pela Lei nº 11.523/2007, a Semana Nacional de Prevenção da Violência na Primeira Infância busca conscientizar a sociedade sobre a importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento infantil e a construção de uma cultura de paz.

A identificação precoce de sinais suspeitos, o acolhimento da criança e o encaminhamento adequado aos serviços de proteção são medidas importantes para interromper situações de violência e garantir os direitos da infância.

Sobre a HU Brasil

O HUL-UFS integra a Rede HU Brasil desde 2017. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.

*Com informações Comunicação HUL

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