- 25/09/2017 - 15:41

E depois?

Tenho observado como temos nos tornado mais e mais adeptos do imediatismo. Parece que “temos pressa em ter pressa”. Sabe, do jeito como as coisas estão indo, o pescador tradicional, com uma varinha de pescar e umas minhoquinhas na latinha vazia de massa de tomate vão se tornar extintos, pois isso parece pura perda de tempo. Afinal, por que esperar tanto para os peixes morderem a isca (aliás, esses parecem não ter pressa), se podemos comprar um peixão no mercado? Ou ainda, comprar um peixe que não nada em águas tupiniquins, no setor de importados dos grandes supermercados? Ou, melhor ainda, pegar o telefone e pedir um peixe prontinho, talvez um sushi que não precisa esperar para assar? Não é verdade?
Se você concordou com as opções que eu lhe dei, então você é adepto do imediatismo. Cuidado! O imediatismo pode atender as nossas necessidades, sim, porém apenas por um momento. É como se fosse um analgésico: diminui a dor, mas a causa pode continuar por lá. Além disso, ele pode nos impedir de passar pelo valiosíssimo processo de maturidade que vem com o tempo. Enquanto o imediatismo estiver ligado ao uso de microondas ou de “disk alguma coisa”, tudo estará bem. Mas isso pode refletir o que está acontecendo em outras áreas de nossas vidas. Pare um pouco para pensar (e repensar) se os problemas que hoje você enfrenta na vida não estão relacionados com decisões que foram tomadas no impulso de um momento, ou se relacionamentos que estão acabando tão rapidamente não são resultados de uma decisão precipitada de quem queria apenas uma aventura diferente. Tomar decisões definitivas para situações temporárias pode ser um grande desastre. Vejo pessoas que buscam uma alegria rápida demais e que praticamente não dá trabalho, pois depende muito mais do que acontece a sua volta do que elas tem dentro de si. Isso quer dizer que transferem aos outros a responsabilidade de serem felizes, dependendo da qualidade da festa, do humor dos demais, dos elogios que recebem, e por aí vai. Até mesmo a espiritualidade individual sofre terríveis prejuízos, pois as pessoas estão pensando apenas no agora.
Mas… e depois? Lembro-me de um texto na Bíblia citado pelo sábio Salomão: ”Alegre-se, jovem, na sua mocidade! Seja feliz o seu coração nos dias da sua juventude! Siga por onde seu coração mandar, até onde a sua vista alcançar; mas saiba que por todas essas coisas Deus o trará a julgamento”. Ou seja, é muito mais fácil errar no impulso do que quando paramos para pensar no que estamos fazendo. Como nos ensina esse texto, até podemos fazer o que nos der na cabeça, mas não devemos esquecer que tudo terá conseqüências. Quantas pessoas aproveitam períodos de festas para fazer tudo o que lhes vem à cabeça, e depois quando chegam em casa e colocam a cabeça no travesseiro para dormir, sentem um vazio tremendo na alma. Muitos chegam a chorar, sofrer com insônia, porque estão cuidando apenas de coisas efêmeras, não estão cuidando do espírito. Na frente dos amigos, são aparentemente resolvidos, mas quando estão na companhia apenas do travesseiro, são tristes, confusos, carentes, sem saber que a verdadeira alegria está em Jesus. Veja que não estou falando de religião, mas de Jesus. A própria religião também pode ser vazia se vivida apenas como fuga ou como fim, mas quando ela cumpre o papel de ser um meio pelo qual tenho mais conhecimento a respeito da pessoa de Jesus, e tenho então um encontro com Ele, a verdadeira felicidade (aquela que não depende apenas das circunstâncias) trará um sentido maior a minha vida. Portanto, antes de fazer qualquer coisa pense um pouquinho assim: “e depois”?
Um grande abraço e até a próxima se Deus disser que sim.