- 02/05/2018 - 17:53

Transformando o certo em errado

É simples! Basta ir mudando o que é certo, aos pouquinhos. É exatamente
isso que vemos acontecer em nossa sociedade. Rui Barbosa declarou: “De tanto
ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a
injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem
chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser
honesto.” Vergonha de ser honesto? Isso é possível? Sim. Isso vai acontecendo
aos poucos, sem que as pessoas se dêem conta.

Na verdade, é um grande desafio perceber isso, pois ficamos sempre
preocupados em não sermos retrógados, não nos tornarmos antiquados. Mas,
entre modernizarmos os nossos pensamentos e mudarmos os nossos valores, há
uma diferença muito grande. Práticas simples do passado como, por exemplo, um
filho beijar as mãos dos pais antes de sair de casa, hoje se contrasta com filhos
que saem de casa sem ao menos dizer para onde vão e muito menos quando
voltam. Não estou fazendo uma proposta para que todos tenham que voltar a beijar
as mãos dos pais, mas as coisas foram negociadas de tal forma que isso hoje soa
como absurdo. E é assim que o errado vai chegando e ganhando espaço em nossa
vida; aí vamos negociando, negociando, abrindo mão de algumas coisas que não
parecem tão importantes assim e, daqui a pouco, estamos tomando o errado por
certo.

Jesus contou uma parábola que nos dá uma boa idéia de como isso
acontece. Trata-se da parábola da moeda perdida (Lucas 15:8-10 – “Ou qual a
mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e
varre a casa, e busca com diligência até a achar? E achando-a, convoca as amigas
e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida”). Aí
está a estória de uma mulher que perdeu uma dracma. A dracma era uma moeda
grega que representava, em média, o salário de um dia de serviço. Ela procura
atentamente, varre a casa, mexe nos móveis até encontrá-la. Sabe por quê?
Porque mesmo que a moeda não fosse de tão grande valor, representaria o fato de
que, da mesma forma como aquela se perdeu, outras moedas poderiam se perder
também. É desse mesmo modo que acontece em nossa vida: vamos abrindo mão
de coisas que perdemos, porque parecem pequenas, sem importância, mas, com o
passar do tempo percebemos que essas coisas pequenas agora significam coisas
grandes em sua totalidade. Isso acontece nas finanças, na área afetiva, na família,
e também na vida espiritual. Às vezes encontramos pessoas dizendo: “Olha, quer
saber? Já vai tarde, tou nem aí.”

Quero lhe convidar a pensar um pouquinho em tudo na sua vida. Faça um
exercício mental agora e pense em certas mudanças, pequenos hábitos que foram
sendo deixados e que, na verdade, te levaram a uma mudança maior, como um
distanciamento da família e de pessoas importantes (que, inclusive, sempre fizeram
a diferença na sua vida), e até distanciamento da fé. Talvez o antídoto para isso
seja pegar o caminho inverso, isto é, se isso aconteceu porque você deixou de
valorizar pequenas coisas e foi abrindo mão delas, que tal, agora, começar daí?
Começar das coisas pequenas. Que tal voltar a pedir a bênção da mãe? Que tal
voltar a participar daqueles almoços de domingo em casa? Que tal voltar a ligar
para aquele amigo só pra dizer um “oi”? Que tal apenas olhar para o céu e dizer:
“Obrigado, Meu Deus!”? Afinal, foi com essas pequenas coisas que tudo começou.
Um abraço e até a próxima se Deus disser que sim.