ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 2:59:42

Americanas e bancos arrastam briga que mina recuperação judicial

 

A recuperação judicial da Americanas herda um conflito com os bancos que surgiu já no dia seguinte ao comunicado do rombo bilionário no balanço da varejista. Fazendo acusações de arrogância, traição e falta de compromisso contra os acionistas de referência da empresa — Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles —, os bancos tentaram bloquear recursos da varejista.

Por trás dessa disputa estão pelo menos R$ 20 bilhões que uma dezena de bancos tem a receber da Americanas. Disso, cerca de um terço é devido a bancos públicos. As instituições financeiras terão que provisionar no balanço ao redor de 50% dessas pendências para garantir as reservas necessárias para cobrir potenciais perdas. O que vai afetar o lucro desses grupos. Além disso, destacam especialistas, o ambiente hostil deve atrapalhar a aprovação do plano de recuperação da varejista e atrasar o pagamento, ainda que parcial, aos credores.

Lista de credores

A lista de credores da Americanas, que teve seu pedido de recuperação judicial aceito pela justiça carioca na última quinta-feira, deve vir a público nesta segunda-feira (23). Com dívidas de R$ 43 bilhões, a empresa solicitou o prazo de 48 horas para apresentar a relação dos cerca de 16,3 mil credores. O prazo terminaria neste fim de semana, mas o Estadão/Broadcast apurou que a lista completa é esperada para segunda-feira.

Na noite de sexta-feira, a empresa apresentou uma lista com alguns nomes, incluindo operações com bancos como , Bradesco, Itaú Unibanco e Banco do Brasil, além de uma relação de detentores de debêntures. Ao todo, a lista tinha 61 operações, mas alguns credores apareciam com várias transações.

A empresa teve de entrar com o pedido de recuperação judicial mais cedo do que se esperava. A princípio, a Justiça concedeu à Americanas uma liminar que a protegia contra antecipação de vencimentos por parte de credores por 30 dias. No entanto, com os rebaixamentos de notas de crédito, a empresa deixou de conseguir antecipar com os bancos e adquirentes cerca de R$ 3 bilhões em recebíveis de cartão de crédito, recursos essenciais para financiar o dia a dia de suas operações.

Ao mesmo tempo, o BTG Pactual conseguiu reter R$ 1,2 bilhão que a companhia, antes, contava como caixa. Além disso, outros bancos passaram a congelar os investimentos da empresa, o que levou a Americanas a buscar proteção definitiva na Justiça para negociar suas dívidas, sem inviabilizar a continuidade de suas operações. A crise teve início quando o agora ex-CEO da varejista, Sergio Rial, comunicou ter encontrado “inconsistências contábeis” da ordem de R$ 20 bilhões no balanço da empresa.

Fonte: Linkedin

 

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