ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 2:43:13

BC eleva Selic a 9,25% e juro atinge maior patamar desde 2017

 

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (8) elevar a taxa básica de juros Selic em 1,5 ponto percentual, passando de 7,75% para 9,25% ao ano, o maior patamar desde outubro de 2017. É a sétima alta consecutiva e já era esperada pelo mercado. A decisão foi unânime.

No comunicado, o Copom informou que antevê outro ajuste da mesma magnitude na próxima reunião, prevista para os dias 1º e 2 de fevereiro de 2022.

“O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas, e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária”, disse em comunicado.

Além disso, o colegiado afirmou que, “diante do aumento de suas [próprias] projeções [de inflação] e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário avance significativamente em território contracionista”.

“O Comitê irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”, disse.

Inflação e desafios para os emergentes

O Copom afirmou que o cenário externo “se tornou menos favorável” desde a última reunião. “Alguns bancos centrais das principais economias expressaram claramente a necessidade de cautela frente à maior persistência da inflação, tornando as condições financeiras mais desafiadoras para economias emergentes”, disse.

Além disso, o colegiado afirmou que “a possibilidade de nova onda da covid-19 durante o inverno” e o aparecimento da variante ômicron “adicionam incerteza quanto ao ritmo de recuperação nas economias centrais”.

No caso da atividade econômica do Brasil, o Comitê afirmou que “indicadores divulgados desde a última reunião mostram novamente uma evolução moderadamente abaixo da esperada”.

Já a inflação ao consumidor “continua elevada”.

“A alta dos preços foi acima da esperada, tanto nos componentes mais voláteis como também nos itens associados à inflação subjacente”, disse.

As medidas de inflação subjacente são aquelas mais sensíveis à atividade econômica e à taxa de juros. Segundo o BC, diversas dessas medidas “apresentam-se acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação”.

Horizonte de política monetária inclui 2022 e 2023

O Copom informou que seu horizonte de política monetária inclui os anos-calendário de 2022 e 2023. “O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para as metas ao longo do horizonte relevante,  que inclui os anos-calendário de 2022 e 2023” diz o documento.

Segundo o colegiado, a decisão foi tomada “considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis”. Para o Copom, a medida está em linha com seu objetivo secundário de suavizar as flutuações econômicas.

Balanço de riscos

O Copom manteve inalterado o seu balanço de riscos para a inflação, em relação à forma como foi descrito na reunião anterior, de outubro. O balanço de riscos permanece assimétrico para o lado negativo.

O comitê vê riscos altistas e baixistas para a inflação. ”Uma possível reversão, ainda que parcial, do aumento nos preços das commodities internacionais em moeda local produziria trajetória de inflação abaixo do cenário básico”, afirma o BC, repetindo o risco baixista que havia mencionado em outubro.

“Por outro lado, novos prolongamentos das políticas fiscais de resposta à pandemia que pressionem a demanda agregada e piorem a trajetória fiscal podem elevar os prêmios de risco do país”, reafirmou, citando o risco do lado negativo.

O Copom não viu piora no balanço de riscos desde a sua última reunião: “Apesar do desempenho mais positivo das contas públicas, o Comitê avalia que questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevam o risco de desancoragem das expectativas de inflação, mantendo a assimetria altista no balanço de riscos.”, afirma o comunicado. “Isso implica maior probabilidade de trajetórias para inflação acima do projetado de acordo com o cenário básico”.

Alta esperada

Depois da reunião de outubro deste ano, quando elevou a Selic de 6,25% ao ano para 7,75% ao ano, o Copom afirmou que antevia “outro ajuste da mesma magnitude” no encontro de hoje. A piora do quadro inflacionário, com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subindo para 10,67% no acumulado de 12 meses até outubro e elevações das expectativas de inflação, fez diversas instituições financeiras, consultorias e gestoras projetarem durante algumas semanas altas maiores do que 1,5 ponto percentual. No entanto, indicadores de atividade econômica divulgados mais recentemente apresentaram números piores do que era esperado, diminuindo as apostas em elevações maiores da taxa básica de juros.

Pesquisa conduzida pelo Valor na semana passada ouviu 111 instituições financeiras e consultorias, das quais 110 calculavam alta de 1,5 ponto percentual da Selic. Apenas uma casa projetava alta de 1,75 ponto.

Fonte: Valor Econômico

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