Aterrando a vegetação

13/06/2026 às 06:30

 

Não tenho visto nos últimos dias o trator, aqui, na frente, fazendo montes de areia e depois despejando-os adiante, na vegetação um tanto rasteira, em grande parte, e de  arbustos menores. Me refiro a primeira parte de terras fincadas depois do Iate Clube, parte que, há alguns anos atrás, esteve coberta pelas águas do Rio Sergipe, ondas que iam até a metade de Av. Beira-Mar, e, depois, com o milagroso recuo das águas, se tornou palco de inúmeras árvores, algumas já atingindo, acredito, mais de dez metros.

Daqui de cima, do andar onde moro, a presença de trator jogando areia na vegetação, de pequeno porte, me incomodava e ainda me incomoda. Não sei se o trator recuou para voltar depois, ou se recuou em definitivo. Torço pela segunda hipótese. Não consigo encarar areia em cima de vegetação de gramíneas, tentativa, talvez, de criar um ambiente de praia, quando a proximidade de um canal, a despejar águas sumamente sujas, desaconselha banhos naquele local. Qual seria a razão?  Não imagino qual.

O que sei, porque estou a testemunhar, é a reação da vegetação rasteira, a renascer, aqui e ali, em pontos estratégicos, robusto sinal de que o aterrar aquela área representasse, como representa, um ato negativo que a própria natureza rejeita. E, aliás, com absoluta razão, se tornando uma forma de evitar que árvores, arbustos, e o mais de vegetação que nela venham a nascer, possam sucumbir ante a areia, evitando seguir o mesmo destino de parte do manguezal, adiante, a espelhar apenas troncos secos de vegetação morta, em meio a uma água sem substância alguma, desenhando um estranho mapa dentro do manguezal a causar consternação em quem trafega pelo Calçadão.

A vegetação, que essa parte ostenta, nascida há bem pouco tempo atrás, com destaque para as dezenas de amendoeiras, entre outras árvores, já se constitui em um santuário, cujo verde simboliza para a sua beleza e para o bem estar do bairro, num cartão postal que deveria merecer um tratamento melhor, evitando, de uma vez por todas, que tratores ali sejam colocados para arrastar areia com o fim de tapar a vegetação. Fora, trator, fora.

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