De todas as manifestações que colorem o mês de junho em Sergipe, uma das mais expressivas delas é a das quadrilhas juninas. Os grupos reúnem música, coreografia, figurino, tradição e inovação para apresentar espetáculos que atraem a atenção de sergipanos e dos turistas que visitam o estado.
Em cada estado do Nordeste, as quadrilhas apresentam particularidades e, em Sergipe, não é diferente. É o que destaca Sidney Menezes, 28 anos, coreógrafo da Século XX, uma das principais quadrilhas do estado e que este ano já foi vice-campeã do Concurso de Quadrilhas Arranca Unha. “Ela carrega em si uma tradição, uma história, uma essência. É muito característica daqui do Nordeste, e Sergipe tem uma particularidade na parte dançante, mantendo a essência tradicional”, afirma.
O árduo trabalho é característica padrão das quadrilhas durante todo o ano e, ao mesmo tempo, solidifica o amor por ele. Diretor-presidente e marcador da quadrilha Quadrilha Junina Assum Preto desde 1991, Genicleudo Melo, 55, também é advogado, e brinca com a forma como é abordado em seu trabalho. “Por muitos dias a gente deixa de fazer o nosso para trabalhar nas quadrilhas. Nas audiências me chamam de ‘Dr. da Cultura’, e isso é um orgulho. Antes de ser advogado, eu sou quadrilheiro”, reforça com um sorriso no rosto.
Esse amor perpassa todos os postos dentro de uma quadrilha. Helder Gomes, 41, é componente da Século XX, e após idas e vindas dentro do cenário do forró, reencontrou nela a paixão que move tantos envolvidos no meio. “Quando você entra em uma quadrilha junina, diz ‘só vou dançar esse ano’ e acaba encantado com tudo. Você tem o prazer de dançar, trazendo a força da nossa cultura, e um dá apoio ao outro”, destaca.
Competição
Para o público encantado nas arquibancadas, a quadrilha é beleza e harmonia. Mas para quem é quadrilheiro, ela também significa competição. Os torneios movimentam todo o trabalho de preparação – é o caso do IX Campeonato Brasileiro de Quadrilhas Juninas, que será realizado no Ginásio de Esportes Constâncio Vieira, em Aracaju, de 26 a 28 de julho.
A preparação é feita com muita antecedência. Assim que acaba um São João, já se iniciam as pesquisas para a temática do próximo ano, por volta de janeiro muitas delas iniciam os ensaios. “Quando a gente entra no arraiá para dançar, é com sangue nos olhos. A disputa traz essa responsabilidade do nível do trabalho. Quando você sabe que vai ser julgado, tem que trabalhar com mais excelência e qualidade”, reforça Sidney Menezes.
Algumas das principais quadrilhas do estado tornaram-se referência ao longo do tempo. É o caso da Assum Preto, que em 2005 foi campeã do primeiro Concurso Nacional de Quadrilhas Juninas. O título é ostentado com orgulho por Genicleudo Melo. “A quadrilha junina hoje é o maior produto turístico que Sergipe tem. E a Assum Preto pôs Sergipe no cenário nacional”, relembra.
Lado social
Hoje as quadrilhas cresceram a ponto de não apenas serem grupos juninos, são também atuantes em suas comunidades, atingindo de adolescentes a idosos. Algumas das quadrilhas possuem projetos de atividades físicas, aulas de dança, reforço escolar, distribuição de roupas e cestas básicas, por exemplo. É um projeto social, cultural e econômico, visto que a produção das mesmas movimenta toda a cadeia local.
Para isso, o apoio do Governo do Estado é fundamental. “A gente agradece também ao Governo, que quer mostrar mais essa cultura. Isso é bom para Sergipe, pois nos leva longe. Estamos em eventos e congressos aqui e em outros estados, o é de grande importância, deixando mais rico o nosso trabalho”, completa Helder Gomes.







