Com mais de 99% das atas apuradas, Keiko Fujimori, de direita, segue liderando eleição presidencial no Peru; opositor comunista pede anulação dos votos no exterior

A candidata de direita Keiko Fujimori segue com vantagem sobre o rival de esquerda, Roberto Sánchez, na disputada corrida presidencial do Peru, à medida que a contagem de milhares de votos avança lentamente.
Fujimori recuperou a liderança na disputa no meio da semana passada, impulsionada pelos votos do exterior, e nesta terça-feira (16) está com 50,091% dos votos, com pouco mais de 33 mil votos separando-a dos 49,909% de Sánchez.
Até o momento, 99,044% dos votos haviam sido apurados, segundo o ONPE (Escritório Nacional de Processos Eleitorais do Peru).
O órgão eleitoral do Peru começou, na quinta-feira (11) passada, a revisar cédulas contestadas do segundo turno de 7 de junho. Os resultados oficiais ainda podem levar dias ou semanas para serem anunciados, segundo as autoridades, em uma das eleições mais disputadas da história do país.
Sánchez viajou no fim de semana para a região andina de Cusco, um de seus redutos eleitorais, onde se reuniu com apoiadores e disse ter “suspeitas” sobre a recontagem dos votos.
Na semana passada, Sánchez solicitou que cerca de 400 mil votos do exterior fossem invalidados, alegando irregularidades no transporte. O pedido foi rejeitado pelas autoridades.
Nos últimos dias, apoiadores de Sánchez realizaram marchas contra a autoridade eleitoral na capital Lima, atendendo aos apelos do candidato de esquerda para “defender o voto do povo”. As manifestações, que atraíram centenas de participantes, foram pacíficas.
Após o segundo turno, missões de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos e da União Europeia concordaram, em coletivas de imprensa separadas, que a votação havia ocorrido dentro da normalidade e, diante dos resultados acirrados, instaram o país a aguardar a apuração oficial.
Sánchez, cuja ascensão tem inquietado investidores privados, concorre com o apoio do ex-presidente de esquerda Pedro Castillo, condenado a 11 anos de prisão por tentar dissolver o Congresso e assumir amplos poderes no final de 2022.
Os mercados financeiros se recuperaram na semana passada, com Fujimori avançando ligeiramente após uma liquidação antes da eleição, impulsionada por temores de que as políticas de Sánchez pudessem minar a estabilidade econômica, segundo operadores dos mercados de ações e de câmbio.
Partido de Sánchez pede anulação dos votos no exterior
O partido Juntos pelo Peru, do candidato de esquerda Roberto Sánchez, entrou com uma ação judicial contra as autoridades eleitorais exigindo a anulação de todos os votos depositados no exterior.
A candidata de direita Keiko Fujimori obteve uma vantagem de quase 90 mil votos nessas eleições realizadas no exterior, uma margem que pode ser decisiva para sua vitória presidencial.
A ação judicial, protocolada na segunda-feira (15) no Superior Tribunal de Justiça de Lima pelo advogado Walter Ayala, porta-voz do Juntos pelo Peru, e compartilhada com a CNN, solicita a anulação de “todo o processo eleitoral realizado no exterior” no segundo turno das eleições, no domingo, 7 de junho. Isso inclui “a instalação, a votação, a contagem e a apuração dos votos em todas as seções eleitorais” fora do Peru.
O processo alega que uma resolução de maio, que alterou a forma como as cédulas são processadas (deixando de ser digitalizadas nos consulados e passando a ser enviadas fisicamente a Lima em malas diplomáticas para serem contadas na capital), foi emitida em “flagrante violação do princípio da inviolabilidade eleitoral”.
A mudança nas regras também viola “os princípios da segurança jurídica, previsibilidade, cadeia de custódia, devido processo eleitoral, legalidade e imparcialidade”, afirma o processo.
Em respeito, o Ministério das Relações Exteriores afirmou anteriormente ter mantido uma “rigorosa cadeia de custódia” dos materiais eleitorais provenientes de 119 repartições consulares.
A coligação Juntos pelo Peru já havia solicitado à Junta Nacional Eleitoral (JNE) a anulação dos resultados de centenas de seções eleitorais na Argentina e nos Estados Unidos devido a supostas irregularidades e falhas, mas a junta rejeitou os pedidos por terem sido apresentados após o prazo.
Sánchez rejeitou essa decisão, alegando que o atraso se deveu ao fato de as atas de apuração da Argentina terem chegado dias depois do previsto, criando uma “impossibilidade material” para os eleitores exercerem seus direitos.
O candidato insistiu em uma postagem na rede social X: “A exigência de zero controvérsias, a defesa do cidadão, do voto popular e do devido processo legal eleitoral são o mínimo necessário para alcançar legitimidade e confiança no povo”.
Fonte: CNN Brasil
