Conheça Pedro Alliana, vice que pode assumir Presidência do Paraguai

Integrante do Partido Colorado, Pedro Alliana se tornou vice-presidente do Paraguai em agosto de 2023, após a vitória da chapa liderada por Santiago Peña nas eleições daquele ano. Com a renúncia de Peña, em meio à crise envolvendo o Ueno Bank, Alliana deve assumir a Presidência do país.
O Congresso ainda analisa um pedido de impeachment contra Peña. Parlamentares da oposição defendem que o presidente seja retirado do cargo para perder o foro privilegiado. A renúncia de Peña também precisa ser aprovada pelo Congresso paraguaio.
Quem é Pedro Alliana
Hércules Pedro Lorenzo Alliana Rodríguez, de 52 anos, começou sua trajetória política em 2006, quando disputou a prefeitura de Pilar, sua cidade natal, mas não foi eleito. Dois anos depois, conquistou seu primeiro cargo público ao vencer a eleição para governador do departamento de Ñeembucú, no sul do Paraguai. Ficou no posto até 2012.
Em 2013, foi eleito deputado nacional por Ñeembucú. Permaneceu na Câmara dos Deputados por dez anos e chegou à presidência da Casa, cargo que ocupou entre 2019 e 2022.
Nas eleições de abril de 2023, foi escolhido para compor a chapa presidencial do Partido Colorado ao lado de Santiago Peña. Os dois venceram a disputa e tomaram posse em 15 de agosto daquele ano.
Alliana é casado desde 2006 com Fabiana María Souto, também integrante do Partido Colorado e deputada nacional por Ñeembucú. O casal tem quatro filhos.
Impasse com Lula
Pedro Alliana tem assumido funções ligadas à política externa do Paraguai. Ele foi o primeiro integrante do governo a se manifestar após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra do Paraguai.
Em julho, o governo paraguaio convocou o embaixador brasileiro em Assunção, José Antônio Marcondes de Carvalho, para prestar esclarecimentos sobre as falas de Lula, feitas na semana passada. As declarações foram consideradas ofensivas por autoridades e grupos políticos do Paraguai e provocaram uma tensão diplomática entre os dois países.
Na ocasião, Lula afirmou que o Paraguai invadiu o Brasil, a Argentina e o Uruguai no século 19, dando início a um conflito que matou cerca de 70% da população paraguaia, segundo estimativas de historiadores. “A gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil, invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina e aquela guerra, que parecia que era nada, durou cinco anos”, disse Lula.
Alliana criticou a declaração do presidente brasileiro e afirmou que a versão apresentada não respeita a história do Paraguai. “A distorção dos fatos históricos não contribui para consolidar o futuro comum de nossos povos. Pelo contrário, reacende antigas aflições que afetam a dignidade de seus habitantes. Devemos abordar esta etapa com prudência, responsabilidade e, sobretudo, respeito à verdade histórica”, afirmou o vice-presidente.
Deputados rejeitam pedido de impeachment contra Pedro Alliana
A Câmara dos Deputados do Paraguai rejeitou hoje o pedido de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana. A votação ocorreu após a renúncia do presidente Santiago Peña, em meio à crise provocada pelo fechamento de um banco que afetou milhões de pessoas e levou a protestos no país.
Foram 48 votos contra o impeachment e 30 a favor. Com a rejeição do pedido, Alliana fica livre para assumir a Presidência do Paraguai.
Fonte: UOL
