ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 19:02:37

Curso gratuito orienta escolas no combate à violência digital

 

Educadores da rede pública de Sergipe já podem se inscrever em um curso gratuito e online voltado ao enfrentamento da violência digital contra meninas. A formação, com 20 horas de carga horária e certificação, busca capacitar professores, gestores e demais profissionais da educação para identificar, prevenir e lidar com casos que têm se tornado cada vez mais frequentes no ambiente escolar.

Disponível na plataforma AVAMEC, do Ministério da Educação, o curso “Escolas ON, Violências OFF: Educação para segurança digital de meninas” é desenvolvido pela organização Serenas e já reúne mais de 26 mil inscritos em todo o país, com mais de 14 mil profissionais certificados. Em Sergipe, a iniciativa conta com parceria da Secretaria de Estado da Educação para ampliar o alcance entre profissionais da rede pública.

A proposta é preparar educadores para atuar diante de situações como assédio online, vazamento de imagens íntimas, chantagem e outras formas de violência digital, especialmente entre meninas e jovens. Dados que embasam a formação apontam que 77% das jovens já sofreram algum tipo de assédio na internet, reforçando a urgência do tema.

No estado, a capacitação já começa a refletir em ações práticas nas escolas. Professores e coordenadores pedagógicos participaram de encontros presenciais e passaram a atuar como multiplicadores do conteúdo na rede estadual.

Um dos exemplos é o da professora Elaine Andrade, da Escola de Ensino Integral Professor Seixas Doria, em Nossa Senhora do Socorro. Após participar da formação, ela ampliou o trabalho com os alunos sobre desigualdade e violência de gênero. Entre as iniciativas, orientou estudantes do terceiro ano na produção de um vídeo educativo sobre relacionamentos abusivos, utilizado posteriormente em atividades com turmas mais novas.

A experiência promoveu a troca entre os próprios alunos, que passaram a discutir sinais de abuso, direitos e formas de buscar ajuda. Além disso, a escola desenvolve outras ações, como a criação de um protocolo de acolhimento para vítimas, aplicação de pesquisas com estudantes e elaboração de um site com conteúdos educativos.

Segundo a professora, o curso contribuiu para qualificar o debate em sala de aula. “Agora eu sei explicar o que é um feminicídio com muito mais propriedade e de um jeito mais didático.”

A coordenadora de projetos da Serenas, Jade Lopes, ressalta que a formação foi pensada para dar suporte direto ao cotidiano escolar. “Os professores enfrentam diariamente situações que envolvem violências facilitadas pela tecnologia e precisam de ferramentas para lidar com esses casos. O curso foi pensado para apoiar tanto ações pedagógicas quanto práticas de acolhimento”, afirma.

A iniciativa também busca fortalecer o papel da escola como espaço de prevenção e proteção, diante do uso cada vez mais intenso da internet por estudantes. Além da formação, a Serenas atua no apoio a políticas públicas e no desenvolvimento de estratégias para enfrentamento das violências de gênero em parceria com órgãos governamentais.

O curso conta com apoio institucional do Ministério das Mulheres, do Ministério da Educação e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, além de financiamento do Programa Brasil–Reino Unido de Acesso Digital. Em Sergipe, a execução ocorre em articulação com a Secretaria de Estado da Educação.

*Com informações Secom PR

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