O diabetes na infância é uma condição que exige diagnóstico rápido e acompanhamento contínuo. Muitas vezes, os sintomas podem ser confundidos com situações comuns da rotina infantil. De acordo com o Atlas da Federação Internacional de Diabetes (IDF), no Brasil 92.300 crianças e adolescentes têm Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1). O país ocupa o 3º lugar no ranking de incidência de DM1 infantil no mundo, ficando atrás apenas da Índia (229.400) e Estados Unidos (157.900).
O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune que impede o pâncreas de produzir insulina. Pode surgir em qualquer fase da infância, sendo mais comum entre os quatro e seis anos e entre os 10 e 14 anos. Há alguns fatores de risco que devem ser observados, como predisposição genética, por exemplo.
Entre os sintomas mais frequentes do DM1 estão sede excessiva, urina em grande volume ou com maior frequência, perda de peso sem explicação aparente, fome aumentada, cansaço, irritabilidade e, em alguns casos, enurese secundária — quando a criança volta a urinar na cama depois de já ter adquirido controle esfincteriano. Também podem ocorrer visão embaçada, sonolência e infecções recorrentes.
Segundo a endocrinologista Dra. Lorena Lima Amato, um dos principais desafios é justamente a possibilidade de os sintomas serem atribuídos a outras causas. “Na infância, sede aumentada, mais fome e mais cansaço podem ser vistos como algo passageiro, ligado ao crescimento ou à rotina da criança. Isso faz com que muitas famílias demorem a procurar avaliação médica”, afirma a endocrinologista.
Dra. Lorena explica que esse atraso pode ser particularmente perigoso no diabetes tipo 1, forma mais comum na infância. “Quando o diagnóstico demora, a criança pode chegar ao atendimento já com descompensação importante”, alerta a especialista.
Tratamento – No diabetes tipo 1, o uso de insulina é obrigatório e deve ser combinado com monitoramento da glicemia, orientação nutricional, prática de atividade física e acompanhamento com equipe multiprofissional.
Dra. Lorena Amato explica que o acompanhamento precoce faz diferença no controle da doença e na qualidade de vida da criança. Quanto antes o diabetes é identificado, maiores são as chances de evitar complicações e de garantir um tratamento mais seguro e eficaz ao longo do desenvolvimento.
“A orientação é que sinais como sede excessiva, perda de peso inexplicada e alterações urinárias não sejam ignorados. Diante da suspeita, a avaliação médica deve ser feita o quanto antes”, alerta Dra. Lorena Amato.







