ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 3:26:27

Dra. Priscila Batista fala sobre a importância do sanitarista para a saúde pública

O 28º episódio do podcast “A Voz do Médico”, produzido pelo Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed), recebeu a médica sanitarista, Dra. Priscila Batista. A profissional, natural de Tobias Barreto, compartilhou sua trajetória e enfatizou a relevância da medicina preventiva e social como estratégia para uma saúde pública mais equânime e de qualidade.

Durante a gravação do programa, apresentado por Dr. Argemiro Macedo e Dr. Alfredo Viana, a convidada especial contou que foi uma das entusiastas na introdução da residência médica sanitária em Sergipe. Em uma época em que a especialização em medicina preventiva e social era escassa na região, ela buscou a oportunidade na Unicamp-SP, em 2003, e voltou de lá com um objetivo nobre: contribuir para o bem coletivo.

+ Assista ao programa na íntegra.

Dra. Priscila, que também atua como professora universitária, contou que a medicina sanitária carrega em sua essência três pilares: epidemiologia, ciências sociais e humanas, além de gestão e planejamento. Ela ressaltou, ainda, a importância de ações desenvolvidas no território comunitário a longo prazo, indo além do consultório, realçando a necessidade de abordagens coletivas para o que ela classifica de ‘produção de saúde’.

     “Sou uma médica sanitarista da vigilância epidemiológica do Estado. Como trabalhadora, sei que tem uma série de impedimentos para que eu possa desempenhar meu trabalho, mas também sei que tem uma série de possibilidades. Eu me vejo, ainda, como gestora de processos, utilizando, inclusive, a minha legitimidade médica para fazer mudanças que não necessariamente precisem passar por essa burocracia [no serviço público]. Precisamos de independência para atuar de maneira eficaz. A produção de saúde passa por encontros, coletividade e isso, para mim, é fundamental. A recente regulamentação da profissão de sanitarista [sancionada por Lula em 2023] é um avanço, mas a falta de concursos, bem como de reconhecimento, ainda são desafios”, analisou Priscila. 

Indagada sobre a falta de concursos públicos e desinvestimento em saúde, principalmente na Prefeitura de Aracaju, a médica lamentou a situação. Além disso, Priscila reforçou a necessidade de se formar mais sanitaristas em Sergipe, mediante, claro, concurso.

“Viver essa situação na capital do Estado é lastimável. Aracaju já foi uma referência para o Brasil inteiro. Investimento não é só em concurso público, porque não é só você ter alguém que tenha estabilidade, mas ter alguém que seja provocado a não entrar numa estabilidade rígida. Então, fazer a gestão e investir em atenção primária, investir na unidade básica, acho que isso também é a base, além de fazer promoção de encontros permanentes e com discussões sobre os rumos da saúde pública, conversando com a comunidade. Isso é algo que não pode se perder”, colocou. 

ATRIBUIÇÕES

Dra. Priscila explicou que o sanitarista atua em áreas estratégicas, uma especialidade médica que vai além do tradicional atendimento clínico e visa, sobretudo, promover a saúde coletiva.

Pela Lei 14.725/23, entre as atribuições do sanitarista estão:

  • planejar, administrar e supervisionar as atividades de saúde coletiva na esfera pública e privada, observados os parâmetros legais e regulamentares vigentes;
  • identificar, monitorar e informar as notificações de risco sanitário, como epidemias, assegurando o controle de riscos e agravos à saúde da população;
  • atuar em ações de vigilância em saúde, entre outras.

Por fim, Dra. Priscila agradeceu ao Sindimed por abrir espaço para discutir a residência em medicina preventiva e social.

                  “Agradeço ao Sindimed por abrir essa possibilidade para que a gente possa falar de residência de medicina sanitária que ainda existe em alguns lugares do país, com poucas vagas. Temos uma ministra da Saúde [Nísia Trindade] que é sanitarista e espero que a gente possa fomentar a formação de mais sanitaristas em Sergipe e ter concurso público. Tem que ter esse profissional via concurso”, concluiu.

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