A Vibra Distribuidora anunciou reajuste de 54,63% no valor do querosene de aviação (QAV), com vigência a partir desta quarta-feira, 1º de abril.
O comunicado foi enviado a operadores de táxi-aéreo na última sexta-feira, 27 de março. A elevação se dá em meio à alta internacional do petróleo impulsionada por tensões no Oriente Médio, após ações militares envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que levaram ao fechamento parcial do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global da commodity, contribuindo para que o barril ultrapassasse US$ 100.
O preço do barril Brent, que girava entre US$ 66 e US$ 67 em janeiro, ultrapassou os US$ 100 em março, com altas diárias de até 14%. Em 1º de março, a Petrobras já havia anunciado reajuste de 9,4% no QAV, equivalente a R$ 0,31 por litro, o maior desde setembro de 2023.
Fontes próximas à operação da estatal indicam que o combustível de aviação pode ficar entre 70% e 80% mais caro, seguindo as métricas internas de precificação da Petrobras, que incorporariam as altas acumuladas desde o último reajuste anunciado em 27 de fevereiro.
Além da Vibra, outras distribuidoras que atuam no mercado brasileiro também indicaram reajustes. Empresas como Air BP e Raízen, licenciada da Shell no país, informaram que os preços devem subir, embora ainda não tenham divulgado o percentual exato do aumento.
O QAV representa atualmente cerca de 30,6% das despesas das companhias aéreas no Brasil. Com um reajuste superior a 50%, o impacto pode ser inevitável para as empresas e, caso os preços elevados se mantenham por mais tempo, parte desse custo tende a ser repassada ao consumidor.
Entre os impactos possíveis para a malha aérea brasileira estão o encarecimento de passagens, a diminuição ou corte de rotas e cidades sem atendimento contínuo. Com margens já pressionadas no setor, absorver uma alta dessa magnitude sem repassar ao bilhete é, na prática, muito difícil para as companhias.
Fonte: Conexão Política





