Com 56 anos de existência e prestes a completar um ano em que teve suas operações reestruturadas após a Iguá assumir o sistema de distribuição de água e esgoto no estado, a Companhia de Saneamento de Sergipe – Deso concentrou suas ações na melhoria da infraestrutura da captação, adução de água bruta e tratamento da água que abastece todo o estado. O diretor-presidente da Companhia, Luciano Góes Paul, diz na entrevista a seguir que a Deso está investindo tanto na modernização, como na ampliação e implantação de novas adutoras em diversas regiões do estado, um investimento de cerca de R$ 102 milhões, obras estas que vão impactar diretamente na melhora do abastecimento de água do estado. Segundo ele, no geral, o investimento se aproxima de meio bilhão em infraestrutura hídrica. Em 2025, a Companhia registrou receita operacional bruta de R$ 612,4 milhões, resultado que, segundo Góes, garantiu a manutenção da capacidade operacional, bem como a continuidade das atividades essenciais, em um contexto de ajustes operacionais e organizacionais no período.
Correio de Sergipe/AJN1 – Após a concessão parcial dos serviços de água e esgoto para a empresa Iguá Sergipe, o papel da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) passou por uma reestruturação significativa. Qual o papel da Deso dentro desse novo contexto?
Luciano Góes – A Deso vive um novo ciclo institucional. Continuamos com a nossa nobre missão de produzir a água que abastece o estado e estamos ampliando nossa infraestrutura com investimentos robustos e planejamento de longo prazo. Permanecemos responsáveis por toda a captação, adução de água bruta e tratamento da água que abastece 74 municípios sergipanos. Operamos 140 sistemas de produção e garantimos o fornecimento de água tratada para a concessionária responsável pela distribuição, além de garantir água bruta para a indústria, a exemplo da Fafen Sergipe.
CS/AJN1- Estamos prestes a completar um ano em que a Iguá assumiu o serviço de água e esgoto no estado. A Deso passou a responder por duas, das quatro etapas: captação de água bruta e tratamento. O senhor vê o serviço da Deso fluindo melhor nesses primeiros meses, já que o foco foi reduzido?
Luciano – Neste novo cenário, aprimoramos nossa estrutura técnica, nossa capacidade operacional e, sobretudo, nossa capacidade de investimento. Temos um planejamento estratégico muito bem construído e executado, e todas as nossas ações estão pautadas no compromisso da Companhia com a entrega de resultados concretos, que refletem diretamente na qualidade da água que a Deso produz para a população.
CS/AJN1 – O governador Fábio Mitidieri destacou nesta semana que, por meio da Deso, mantém obras estruturantes que já somam mais de R$ 400 milhões em investimentos, contemplando cerca de 25 municípios e beneficiando aproximadamente 922 mil pessoas. Quais são essas obras?
Luciano – Estamos executando o maior ciclo de investimentos da história da Deso. Somando obras concluídas, em execução e contratadas, nos aproximamos de meio bilhão de reais aplicados em infraestrutura hídrica nesta gestão. Entre os destaques estão a adutora do alto sertão, considerada uma das principais obras hídricas do estado e com previsão de conclusão em 2026, além de sistemas que ampliam a oferta de água em municípios do sertão, como Nossa Senhora da Glória, Poço Redondo e Porto da Folha, e intervenções que aumentam a capacidade de distribuição e reduzem a dependência de sistemas antigos. Outro destaque é a nova Estação de Tratamento de Água (ETA) do Poxim, em Aracaju. A unidade terá a capacidade de produção para a região metropolitana triplicada, consolidando-se como a maior ETA da capital sergipana. O novo sistema beneficiará cerca de 300 mil habitantes da região.
CS/AJN1 – A população ainda sofre com interrupções no abastecimento devido a rompimento de adutoras e sabemos que a troca de tubulações antigas diminui estas ocorrências. A Deso tem um projeto para modernizar as adutoras, digo, trocar tubulações antigas, automatizar o processo e ampliar a capacidade de transporte da água?
Luciano – A Deso está investindo tanto na modernização, como na ampliação e implantação de novas adutoras em diversas regiões do estado, um investimento de cerca de R$ 102 milhões. Estamos implantando 140 km de adutoras de água tratada, impactando 143 mil pessoas em oito municípios. Já em adutoras de água bruta, são 13 km de novas adutoras sendo implantadas nos municípios de Nossa Senhora das Dores e Pirambu, beneficiando 27 mil pessoas.
CS/AJN1 – Como a Deso tem conseguido fazer os investimentos necessários para ampliação e recuperação dos sistemas de captação e tratamento de água?
Luciano – A Deso tem investido de forma estratégica em soluções tecnológicas que elevam o padrão técnico da companhia, reduzindo custos operacionais. Isso fortalece nossa sustentabilidade operacional, reduzindo perdas, economizando energia e ampliando a durabilidade dos ativos. A inovação é uma realidade na gestão na Deso, resultando em solidez financeira e eficiência operacional, o que permite ampliar a nossa capacidade de investimento.
CS/AJN1 – Considerada uma das principais obras hídricas do estado, a adutora do alto sertão, segue em execução. Qual a previsão de conclusão e qual o impacto desta obra uma vez concluída?
Luciano – Sem sombra de dúvidas, a adutora do alto sertão é um dos principais investimentos em infraestrutura hídrica de Sergipe. Os novos sistemas vão ampliar a oferta de água em municípios do sertão, como Nossa Senhora da Glória, Poço Redondo e Porto da Folha, beneficiando uma população aproximada de 145 mil pessoas. Essas intervenções somam pouco mais de R$ 94 milhões e vão aumentar a capacidade de distribuição, reduzindo a dependência de sistemas antigos. As obras serão entregues ainda este ano.
CS/AJN1 – Qual a situação hídrica das 15 barragens em Sergipe?
Luciano – Como tivemos um período chuvoso intenso, as barragens estão com os níveis adequados para garantir a segurança hídrica nos próximos períodos, especialmente nos momentos de estiagem.
CS/AJN1 – Como foi o desempenho financeiro da Deso em 2025?
Luciano – Em 2025, a Companhia registrou receita operacional bruta de R$ 612,4 milhões. Com esse desempenho, mantivemos a manutenção da capacidade operacional, bem como a continuidade das atividades essenciais, em um contexto de ajustes operacionais e organizacionais no período. A administração da Deso mantém o compromisso com a melhoria da eficiência operacional, o controle de custos e o aumento da rentabilidade, visando à sustentabilidade econômico-financeira do negócio.
CS/AJN1 – Quantos funcionários a Deso tem hoje, entre servidores de carreira e contratados?
Luciano – Hoje o nosso time é composto por 1.800 colaboradores, entre servidores efetivos e contratados.
CS/AJN1 – Que mensagem o senhor quer deixar para a população?
Luciano – Mais do que manter nossa relevância no cenário estadual e nacional do saneamento, estamos consolidando ações que garantem a segurança hídrica de Sergipe para as próximas décadas. A Deso continua sendo uma grande empresa pública de saneamento. E está preparada para continuar fazendo parte da vida e do futuro dos sergipanos.