Copa do Brasil: quando o sonho vira realidade

A Copa do Brasil, que terá a edição de 2016 se iniciando amanhã (16), é considerada a competição mais democrática do país. Ela proporciona confrontos que seriam improváveis e campeões que chegam às decisões como verdadeiros azarões. Aqueles times em que pouquíssimas pessoas depositariam suas fichas. A não ser os que nunca irão lhes abandonar: os seus fiéis torcedores.

 

Para mostrar que na Copa do Brasil o sonho pode, sim, virar realidade, vamos lembrar clubes e trajetórias que entraram para a história da competição e que marcaram o seu nome para sempre no torneio.

 

Criciúma (1991)

 

Naquele ano, o Tigre foi uma equipe imbatível em casa, copeiro ao extremo, cheio de vontade e com jogadores capazes de decidir uma partida na base da raça e também da técnica. Comandado pelo técnico Luiz Felipe Scolari, o Criciúma tinha como principais jogadores os meio-campistas Roberto Cavalo, Gélson e Grizzo e os atacantes Jairo Lenzi e Soares. Antes de chegar à final, Felipão e seus atletas eliminaram Ubiratan, Atlético Mineiro, Goiás e Remo.

 

Na decisão, o Tigre teve o Grêmio pela frente, com todo o favoritismo para o clube gaúcho. Em um Olímpico lotado, Vilmar abriu o placar no primeiro tempo e segurou o resultado até os minutos finais, quando o Tricolor gaúcho empatou em uma cobrança de pênalti de Maurício. Na volta, com a vantagem de ter marcado um gol fora de casa, o Criciúma precisava apenas de um empate sem gols para ser campeão. E foi isso que aconteceu: 0 a 0 e título histórico para o Tigre.

 

Juventude (1999)

 

Oito anos depois, era a vez de outro time do Sul do Brasil fazer bonito. Na primeira fase daquele ano, contra o Guará, o Juventude ainda era comandado por Geninho. Depois, quem assumiu foi Valmir Louruz, que foi o técnico campeão. E a trajetória do clube de Caxias do Sul foi longe de ser fácil. Fluminense, Corinthians, Bahia e Internacional, todos campeões brasileiros, ficaram pelo caminho. Sendo que, em alguns destes confrontos, alguns resultados inesquecíveis. Como o 6 a 0 sobre o Fluminense na segunda fase e a vitória por 1 a 0 sobre o Corinthians fora de casa nas oitavas de final.

 

A classificação nas quartas de final só veio após vencer o Bahia nos pênaltis. E o que dizer sobre o inesquecível 4 a 0 sobre o Internacional, em pleno Beira-Rio, que garantiu a classificação para a final?

 

No jogo de ida da decisão, com 20 mil torcedores transformando o Alfredo Jaconi em um verdadeiro caldeirão, o Juve venceu o Botafogo por 2 a 1, com Fernando e Márcio Mexerica marcando para os gaúchos, e o tetracampeão mundial Bebeto descontando para os cariocas. Na volta, em um Maracanã com mais de 100 mil pessoas, os atletas do Juventude seguraram o 0 a 0 na raça, com direito a uma atuação de gala do goleiro do Emerson. Título e muita festa no interior do Rio Grande do Sul.

 

Santo André (2004)

 

Mais uma vez o Maracanã foi o palco da final, mais uma vez o estádio mais importante do mundo estava lotado e mais uma vez a festa foi da parte visitante das arquibancadas. O Santo André tinha um técnico promissor: Péricles Chamusca. E o comandante possuía um material de qualidade. Se não fosse pelas grandes atuações do goleiro Júlio César, dos meias Ramalho, Élvis e Romerito e dos atacantes Sandro Gaúcho e Osmar, o Ramalhão não teria ido tão longe. Se não fosse pelo entrosamento entre treinador e atletas, o Santo André não teria eliminado Novo Horizonte, Atlético Mineiro, Guarani, Palmeiras e 15 de Novembro até chegar à final contra o Flamengo.

 

Na primeira partida, em São Paulo, apesar de o Ramalhão ser o mandante, quem tinha a maioria nas arquibancadas do Palestra Itália era o clube carioca. Mas isso não assustava Chamusca e seus comandados. Jogaram bem e não venceram por detalhe. Roger abriu o placar para o Flamengo, e Osmar e Romerito viraram a partida. Os cariocas só chegaram à igualdade no final, com um improvável gol de falta de Athirson: 2 a 2.

 

No segundo jogo, em um Maracanã lotado, a festa foi toda armada para o time da casa. Mas esqueceram de avisar ao Santo André. O clube paulista não deixou o Flamengo atacar, jogou com inteligência tática e com dois gols no segundo tempo decretou o título e a festa histórica no Rio de Janeiro. Sandro Gaúcho e Élvis balançaram a noite naquela fantástica noite de quarta-feira: 2 a 0.

 

Paulista (2005)

 

No ano seguinte, mais um clube do interior de São Paulo foi fazer a festa no Rio de Janeiro. Mas desta vez tudo seria diferente: o campeão, o vice e o palco da final. O Paulista teve uma campanha de time grande, eliminando Juventude, Botafogo, Internacional, Figueirense e Cruzeiro. O Galo já havia sido vice-campeão paulista no ano anterior, mas poucos acreditavam que ele poderia fazer uma campanha tão sensacional na Copa do Brasil.

 

Alguns jogadores do elenco se destacaram e se firmaram no cenário do nosso futebol. O goleiro Victor, o zagueiro Réver, o volante Cristian e os atacantes Léo e Marcio Mossoró eram alguns nomes da equipe, que tinha Vagner Mancini como técnico.

 

Na primeira partida da final, diante do Fluminense, uma vitória por 2 a 0 (gols de Mossoró e Léo) no Estádio Jaime Cintra deu uma grande vantagem para o Paulista. Na segunda partida, em São Januário, na Cidade Maravilhosa, Mancini e seus comandados seguraram uma pressão enorme do Flu, que era comandado por Abel Braga, e se sagraram campeões com o placar em 0 a 0.