Por Cláudia Lemos
A reabertura dos shoppings centers em Sergipe era tida como certa pelo setor, que sentiu o adiamento da data para 14 de agosto, não apenas como um balde de água fria. O comércio viu se dissipar um “respiro”, que era ansiosamente esperado com a venda do Dia dos País. “Tudo que inibe venda é perda. Estamos há mais de 120 dias de portas fechadas, sofrendo com prejuízos e desemprego, duplicatas chegando. Perdemos o Dia das Mães, o Dia dos Namorados e agora perderemos o Dia dos Pais”, diz Edivaldo Cunha, presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Sergipe (FCDL/SE). O governador Belivaldo Chagas anunciou na quarta-feira, 5, que os shoppings somente deverão reabrir para o público no próximo dia 14. Tornando liberada a venda a partir de ontem, 6, nos sistemas drive thru e delivery.
Edivaldo Cunha diz não entender a atitude do governo em não permitir a reabertura dos shoppings, mediante a garantia do cumprimento de todas as medidas de segurança em saúde estabelecidas, inclusive em protocolos da Organização Mundial de Saúde. “O governo havia sinalizado que permitiria a reabertura. A expectativa era grande. Sabíamos que abrindo as lojas do shoppings, outras também reabririam. As vendas não seriam iguais, mas na situação em que todos estão, qualquer venda a mais representaria muito. Seria uma maneira de aquecer o caixa. Com a negativa, vários segmentos seguem prejudicados”, observa.
O presidente da FCDL faz questão de destacar que a permissão de vendas por delivery e drive thru são bastante válidas, mas diz que esse modelo não cobre em sua totalidade a venda presencial, não preenchendo as despesas das empresas. “Isso deveria ter sido feito há 90 dias. Lógico que é melhor que nada”, diz, acrescentando que não entende o porquê de em várias capitais do país onde a propagação e os números da COVID-19 estão altos, os shoppings já terem sido abertos, “enquanto que em Sergipe há essa demora para a reabertura.
Perguntado sobre como avalia o diálogo do governo com o setor, Edivaldo respondeu: “o governo não tem levado a sério aquilo que temos apresentado”. Ele diz que inicialmente, representados por Laércio Oliveira, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Sergipe (Fecomércio), foi levada ao governo uma proposta do que poderia ser feito para que o comércio reabrisse, sem sucesso naquela ocasião. “Após, apresentamos uma nova intenção de protocolo. Logo depois, a fase laranja, que permitiria a reabertura de vários setores, foi liberada, mas acabou sendo cassada pela justiça. Na minha opinião o fechamento do comércio foi cedo demais. Parece que o comércio é tratado como vilão. Temos feito o nosso papel. Temos obedecido todos os critérios estabelecidos. Os estabelecidos tem garantido o que determina os protocolos”, diz, acrescentando que aglomerações em agências bancárias e loterias, por exemplo, são uma constante, mas apenas o comércio acaba sendo punido. “É como se o comércio fosse o vilão da história”, diz.
Sobre quantos trabalhadores do comércio já perderam emprego após o início da pandemia, Edivaldo diz que está sendo feito um novo levantamento para atualizar os dados, mas de março a julho foram 14 mil desempregados em todo o estado. Sem outra alternativa para o segmento, Edvaldo diz esperar que os shoppings realmente reabram no próximo dia 14. “Sabemos que mesmo com a retomada das atividades, não haverá um “boom” de vendas. As pessoas estão sem dinheiro, mas qualquer venda conta”, destaca.
Sobre o montante do prejuízo já acumulado e quanto ao fechamento de estabelecimentos, o presidente da FCDL diz que apenas após a retomada será possível levantamentos desta natureza. “Algumas empresas sinalizam para um cenário nada agradável. Principalmente as pequenas não possuem capital de giro. Dizem que não têm como voltar. Vamos fazer um apanhado, porém uma posição fiel somente após o retorno”, colocou Edivaldo.







