Vitória Maria Porto, 22 anos, moradora do município Barra dos Coqueiros (SE), é técnica em edificações e há três anos conseguiu uma vaga de auxiliar administrativa, num complexo de condomínios, como aprendiz. Hoje, Vitória é a coordenadora da área onde começou na mesma empresa.
Contando assim, parece que foi fácil. Porém, apesar de curso técnico num dos mais renomados institutos profissionalizantes de Sergipe, muitos currículos foram distribuídos, sem sucesso. A oportunidade do primeiro emprego surgiu através do Programa de Aprendizagem Aprendiz Integrado, que ajuda na inserção de jovens, entre 14 e 24 anos, no mercado de trabalho, através do sistema de cotas da Lei do Aprendiz (10.097/2000).
“A porta que o programa abriu, foi muito importante para mim. Eu moro com minha mãe e minha irmã. Estávamos passando por um período difícil. O programa de aprendizagem me deu a segurança que precisava para ajudar em casa e continuar meus estudos”, declara Vitória, que atualmente é universitária e cursa Arquitetura.
Mudanças no Mercado
Segundo a orientadora educacional do Aprendiz Integrado, Naídja Lima, embora ainda mais desafiador para as mulheres, já é possível vislumbrar mudanças no mercado de trabalho para o público feminino em Sergipe.
“Algumas funções, que antes só eram oferecidas aos homens, como auxiliar de pedreiro, por exemplo, estão sendo oferecidas às mulheres pelas empresas. Isso tanto aumenta a oferta de vagas para o público feminino como reforça a ideia de que lugar de mulher é onde ela quiser”, disse a orientadora.
Para o gestor do programa Aprendiz Integrado, Josef Andrer, parte das mudanças no mercado de trabalho para o público feminino está relacionado ao fato delas buscarem mais qualificação. Ele revela que, no início do programa, em Sergipe, em 2018, o público masculino era maior que o feminino; hoje, a procura é equivalente.
“Elas estão saindo cada vez mais cedo de casa, a procurar emprego. Observamos esse movimento não só em Sergipe, como também nos nossos polos no Pará, Distrito Federal e Rio de Janeiro. Elas estão tomando consciência de que a formação profissional, a independência financeira e emocional são importantes na busca pelo empoderamento”, analisa Andrer, que também já foi aprendiz.
O caminho ainda é longo. Até 2021, dado mais recente da Pesquisa por Amostra de Domicílio (PNAD) do Instituto Brasileiro Geografia e Estatística (IBGE), 322 adolescentes e jovens mulheres, de 14 ou mais, estavam ocupadas e com rendimento em Sergipe. Já jovens do sexo masculino ocupavam 515 vagas (mostra de mil jovens).
O programa Aprendiz Integrado, até julho deste ano, foi responsável pela inserção no mercado de trabalho e qualificação profissional de 201 adolescentes e jovens mulheres, 89 na Grande Aracaju. O programa é gratuito tanto para o jovem aprendiz quanto para as empresas parceiras.
Vencendo barreiras
As mulheres ainda se deparam com algumas barreiras para inserção no mercado de trabalho. A aprendiz Talita de Jesus Santos, 20 anos, sentiu na pele como a falta de experiência e o fato de ser mãe precoce foram condições que dificultaram a busca pelo primeiro emprego.
“Eu tive meu filho com 17 anos, ainda não tinha concluído o Ensino Médio. Mesmo sem ter uma situação financeira estável, meu marido e minha mãe não queriam que eu trabalhasse. Quando uma amiga me falou do programa de aprendizagem profissional, eu me inscrevi, passei por treinamentos gratuitos e consegui este ano uma vaga de emprego. O programa vem me ensinando muita coisa, inclusive, a não gastar tudo que ganho. Estou me sentindo mais madura e com mais responsabilidade”, conta Talita, que já pensa em investir na área de Segurança do Trabalho.
Luciana de Almeida Nascimento, 21 anos, começou aos 18 anos no programa limpando praças em Lagarto, cidade do interior sergipano. “Na época, foi a vaga que surgiu e eu agarrei sem preconceito”, lembra. Hoje, Luciana está no quarto contrato, todos em funções diferentes, e já fez diversos cursos. Ela agora busca uma vaga na universidade na área da Saúde.
Já Karoline Menezes, de 23 anos, conta que, principalmente depois da pandemia, encontrou muitas portas fechadas. “O programa de aprendizagem profissional foi a chave que abriu meus caminhos”, declara. Além de aperfeiçoar sua comunicação como blogueira, Karoline conseguiu trabalhar em três contratos. Hoje, ela faz parte do staff do Aprendiz Integrado – uma forma de graduação dos aprendizes –, e, como voluntária, ajuda jovens que estão iniciando no programa.






