O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, na segunda-feira (20), a demissão do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macêdo. A saída foi selada em reunião entre os dois no Palácio da Alvorada.
Macêdo será substituído pelo deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP).
A mudança leva o governo Lula a chegar à décima terceira troca no primeiro escalão. Desde o início do terceiro mandato do petista, em janeiro de 2023, a média é de uma mudança do gênero a cada 76 dias, ou dois meses e meio.
Veja as mudanças anteriores
Gonçalves Dias (sem partido)
Deixou o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República em abril de 2023, após virem à tona vídeos de sua postura durante os atos de 8 de janeiro daquele ano.
Daniela Carneiro (União Brasil)
Em julho de 2023, foi substituída no Ministério do Turismo por Celso Sabino, do mesmo partido, em busca de mais apoio da sigla no Congresso.
Ana Moser (sem partido)
A ex-jogadora de vôlei deixou o Ministério do Esporte em setembro de 2023 para dar lugar a André Fufuca (PP), mais uma vez numa costura política junto ao Centrão.
Márcio França (PSB)
Nas mesmas tratativas, Silvio Costa Filho (Republicanos) assumiu a pasta de Portos e Aeroportos. França foi realocado no então recém-criado Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte.
Flávio Dino (PSB)
Deixou a Esplanada no início de 2024 para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF) e foi substituído por Ricardo Lewandowski (sem partido) no Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Silvio Almeida (sem partido)
Acusado de assédio por Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, acabou sendo trocado por Macaé Evaristo (PT) na pasta de Direitos Humanos e Cidadania em setembro do ano passado.
Paulo Pimenta (PT)
Foi substituído por Sidônio Palmeira (sem partido) na Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República no início deste ano após críticas à condução da área.
Nísia Trindade (sem partido)
Um mês depois, em fevereiro, a ministra da Saúde não resistiu a diferentes pressões e deu lugar a Alexandre Padilha (PT).
Alexandre Padilha (PT)
Antes de assumir a pasta da Saúde, Padilha ocupava a Secretaria de Relações Institucionais (SRI) da Presidência da República, que passou a ser comandada por Gleisi Hoffmann (PT).
Juscelino Filho (União Brasil)
Entregou o cargo de ministro das Comunicações para focar na própria defesa após ser denunciado pela PGR por suspeita de desvio de emendas parlamentares.
Carlos Lupi (PDT)
O ministro da Previdência, Carlos Lupi pediu demissão do cargo de ministro da Previdência em maio, nove dias após uma operação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) revelar um esquema bilionário de desvios em aposentadorias e pensões do INSS.
Cida Gonçalves (PT)
A ex-ministro das Mulheres foi substituída do cargo por Lula pela assistente social e professora Márcia Lopes em maio deste ano, diante de descontentamento no Planalto quanto à gestão da pasta e processos na Comissão de Ética da Presidência contra a então titular.
Macêdo planeja candidatura a deputado federal em 2026
O ex-ministro da Secretaria-Geral, Márcio Macêdo afirmou que está deixando o cargo para disputar as eleições de 2026. Macêdo deve concorrer a deputado federal por Sergipe. O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) foi convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o cargo.
“Em conversa com o presidente Lula, ficou definido que deixarei o cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República para disputar as eleições de 2026”, disse em vídeo publicado nas redes sociais.
Macêdo ocupava um dos cargos mais próximos a Lula no Palácio do Planalto. A Secretaria-Geral tem como atribuição fazer interlocução do governo com a sociedade civil e os movimentos sociais. O ex-ministro afirmou que sai com “sentimento de dever cumprido”:
“Saio com o sentimento de dever cumprido e com a certeza de que entregamos tudo o que prometemos durante a campanha”, afirmou Macêdo.
Com a troca, Lula quer ter no comando da Secretaria-Geral, pasta que faz interlocução com movimentos sociais e a sociedade civil, um nome que tenha canal direto com essas entidades e capacidade de mobilização. A estratégia de intensificar a relação com os movimentos sociais está ligada a disputa eleitoral do ano que vem. Boulos iniciou sua atuação política como líder do Movimentos dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).
A expectativa é que Boulos fique no cargo até o fim do terceiro mandato de Lula, em dezembro do ano que vem. Assim, o novo ministro não deve disputar a eleição de 2026, o que fará o PSOL sair em busca de outro puxador de votos em São Paulo para não perder espaço no Congresso.
Líder do movimento estudantil nos anos 1990, Márcio Macêdo é considerado um quadro relevante da burocracia partidária do PT, que ganhou a confiança de Lula quando organizou as caravanas pelo país antes do presidente ser preso em abril de 2018. Foi tesoureiro do PT e comandou as finanças da campanha de 2022, que foram aprovadas por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Sou profundamente grato ao presidente Lula, com quem tenho caminhado lado a lado desde 2015, na tesouraria do PT, nas caravanas “Lula pelo Brasil”, na luta pela liberdade do presidente, na coordenação da campanha vitoriosa de 2022, na transição de governo e, nos últimos dois anos e nove meses, como ministro. Seguiremos juntos, com o mesmo compromisso e vontade de trabalhar pelo povo brasileiro!”, disse o ex-ministro após a demissão.
Fonte: O GLOBO







