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Mesmo condenada pela justiça, Marine Le Pen mantém mantém candidatura à eleição presidencial na França em 2027

07/07/2026 às 17:55

 

A líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, anunciou, nesta terça-feira (7), sua candidatura à eleição presidencial de 2027, horas após recuperar o direito de disputar o pleito com uma decisão do Tribunal de Apelação de Paris que reduziu sua pena de inelegibilidade. Embora a Justiça tenha mantido sua condenação por desvio de recursos do Parlamento Europeu e confirmado uma pena que inclui um ano de prisão domiciliar com monitoramento eletrônico, a dirigente do Reagrupamento Nacional (RN) afirmou que iniciará imediatamente sua campanha e recorrerá da sentença.

“Esta noite sou candidata à eleição presidencial”, declarou Le Pen.

Em entrevista à emissora TF1, Le Pen comemorou a decisão judicial e afirmou que os eleitores franceses recuperaram o direito de escolher livremente seus representantes.

“Fiquei feliz que os franceses tenham recuperado sua liberdade de votar e que o tribunal tenha restituído minha elegibilidade”, ressaltou.

A líder da extrema direita também anunciou que dará início imediato à campanha ao lado de Jordan Bardella, presidente do RN e considerado até então o principal plano alternativo do partido para a disputa presidencial.

“Jordan Bardella e eu vamos iniciar muito rapidamente esta campanha presidencial. Oferecemos aos franceses uma dupla e será juntos que vamos convencê-los de que o que vivem hoje não é uma fatalidade”, afirmou.

Questionada se sua campanha começava já nesta terça-feira (7), Le Pen respondeu:

“Sim, se é que ela já não começou. Vamos começar esta noite e trabalhar pelo renascimento da França”.

Condenação

A decisão do Tribunal de Apelação de Paris manteve a condenação de Marine Le Pen por desvio de recursos do Parlamento Europeu, mas reduziu sua pena de inelegibilidade, permitindo que ela volte a disputar cargos eletivos e abrindo caminho para sua participação na corrida presidencial de 2027.

O tribunal também reduziu a pena de prisão de Le Pen de quatro para três anos. A nova sentença prevê dois anos com pena suspensa e um ano de cumprimento em regime domiciliar com tornozeleira eletrônica. A corte manteve ainda uma multa de € 100 mil (R$ 589 mil) contra ela, enquanto o RN foi condenado a pagar uma multa de € 2 milhões (R$ 11 milhões), sendo € 1 milhão (R$ 5,8 milhões) com execução suspensa.

Uma das favoritas para vencer a eleição presidencial de 2027, a líder do Reagrupamento Nacional (RN) afirmou repetidamente que não disputaria o pleito caso tivesse de fazer campanha enquanto cumprisse a medida de monitoramento eletrônico, argumentando que as restrições comprometeriam sua capacidade de participar de comícios e eventos públicos. Após a decisão desta terça-feira, porém, Le Pen afirmou que recorrerá à Corte de Cassação e demonstrou confiança de que conseguirá reverter judicialmente ou suspender as restrições impostas pela condenação.

“Considero que duas jurisdições podem cometer um erro, e o Estado de Direito também reconhece isso ao permitir um recurso à Corte de Cassação. É o que farei para que a corte decida sobre esta questão jurídica”, disse à TF1.

Le Pen, 57, foi condenada em março de 2025 por um esquema de desvio de € 1,4 milhão em recursos do Parlamento Europeu para remunerar funcionários de seu partido na França entre 2004 e 2016. O tribunal de primeira instância concluiu que ela aprovou ou, no mínimo, tolerou um sistema que utilizava verbas destinadas a assistentes parlamentares para pagar empregados do então Frente Nacional, atual RN.

A líder da extrema direita negou ter cometido irregularidades e afirmou que seu partido foi vítima de uma “caça às bruxas”. Durante o julgamento do recurso, realizado em janeiro e fevereiro, ela admitiu ter cometido “um erro”, ao reconhecer que alguns funcionários pagos como assistentes parlamentares da União Europeia haviam trabalhado “em benefício do partido”, mas sustentou que a legenda agiu de “completa boa-fé”.

Os promotores, por sua vez, pediram que a condenação original fosse mantida, com cinco anos de inelegibilidade e quatro de prisão, sendo três com pena suspensa. Segundo a acusação, Le Pen “profissionalizou” um método de desvio de recursos da União Europeia iniciado por seu pai, Jean-Marie Le Pen, depois que assumiu a liderança da legenda em 2011.

Questionada sobre a possibilidade de pedir desculpas aos franceses após a condenação, Le Pen voltou a negar irregularidades.

“Considero que somos inocentes dos fatos que nos são atribuídos e que eles não podem ser classificados como desvio de recursos públicos. O que nos é imputado é que alguns assistentes fizeram política nacional quando deveriam fazer política europeia. O tribunal reconheceu que não houve qualquer benefício financeiro nesse caso”, afirmou.

Disputa presidencial

A confirmação da candidatura reforça a posição de Le Pen como uma das principais favoritas para a eleição presidencial do ano que vem. A líder do RN já disputou a Presidência três vezes: ficou em terceiro lugar em 2012 e chegou ao segundo turno em 2017 e 2022, quando foi derrotada por Emmanuel Macron. Como o atual presidente francês não poderá disputar um terceiro mandato consecutivo, a eleição de 2027 é considerada a melhor oportunidade até agora para que o RN chegue ao poder.

Com a candidatura de Le Pen mantida, Bardella volta a ocupar o papel de principal aliado e coordenador da estratégia eleitoral do RN. Antes da decisão judicial desta terça-feira (7), o dirigente de 30 anos, que se tornou parte da equipe de campanha de Le Pen em 2017 e assumiu a liderança da legenda em 2022, era visto como o plano alternativo do partido caso a líder da extrema direita fosse impedida de concorrer.

A disputa de 2027 também envolve candidatos de outros campos políticos. No centro e na direita, dois ex-primeiros-ministros de Macron buscam liderar o bloco: Édouard Philippe, fundador do partido Horizontes, e Gabriel Attal, líder do Renascimento. Philippe aparece à frente em algumas pesquisas e defende a redução do número de candidatos de centro-direita para evitar um segundo turno entre a extrema direita e a esquerda radical.

Na esquerda, o cenário permanece fragmentado. Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa (LFI), já lançou sua candidatura, enquanto outros partidos discutem a realização de primárias para escolher um nome alternativo. Entre os possíveis candidatos também estão o eurodeputado Raphaël Glucksmann, de perfil social-democrata, a ecologista Marine Tondelier e o ex-presidente socialista François Hollande.

Filha caçula de Jean-Marie Le Pen, fundador da Frente Nacional, Marine assumiu a liderança do partido em 2011 com a proposta de ampliar seu eleitorado e reduzir o isolamento político da legenda. Em 2018, rebatizou o partido como Reagrupamento Nacional. Nas eleições legislativas de 2024, a sigla obteve seu melhor desempenho eleitoral, conquistando, ao lado de aliados, 143 cadeiras na Assembleia Nacional.

Ao todo, 24 pessoas foram condenadas no processo sobre o uso de recursos do Parlamento Europeu, entre ex-eurodeputados, assessores e dirigentes partidários. Doze recorreram da decisão, incluindo Louis Aliot, vice-presidente do RN e prefeito de Perpignan; Nicolas Bay, ex-secretário-geral da legenda; Bruno Gollnisch, um dos principais dirigentes históricos do partido; Catherine Griset, ex-assessora próxima de Le Pen; e Wallerand de Saint-Just, ex-tesoureiro da legenda.

Fontes: O GLOBO e AFP

 

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