ARACAJU/SE, 3 de março de 2024 , 19:23:08

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Brasileiros representam 2% dos imigrantes ilegais nos EUA

Uma pesquisa publicada recentemente pelo Pew Research Institute revelou que, entre 2016 e 2021, o número de brasileiros em situação ilegal nos Estados Unidos aumentou de 130 mil para 200 mil pessoas, o que fez com que essa população passasse a representar 2% do total de imigrantes indocumentados no país.

 

Ainda de acordo com a pesquisa, foram computados no mesmo período um total de 10,5 milhões de imigrantes em situação irregular nos EUA, sendo a maior parte deles (4,1 milhões) provenientes do México, seguidos de El Salvador (800 mil), Índia (725 mil) e Guatemala (700 mil).

 “Estes números, porém, não levam em conta os últimos dois anos (2022 e 2023), quando intensificou-se a maior crise humanitária da história dos Estados Unidos na fronteira com o México, com mais de 2.206.039 imigrantes ilegais apreendidos e, em muitos casos, deportados pelas autoridades americanas ao tentarem atravessar o deserto entre os dois países. Entre eles, infelizmente, milhares de brasileiros”, afirma Marcelo Gondim, advogado de imigração em Los Angeles.

Além dessa estimativa, o CBP (Departamento Americano de Alfândega e Proteção Fronteiriça), indicou  em seu último relatório anual, divulgado em janeiro de 2023, que 6 a 7 milhões de pessoas foram detidas na fronteira desde 2021. A agência americana reportou ainda que, atualmente, mais de 35.000 imigrantes indocumentados estão detidos em prisões e centros de detenção que estão quase sempre superlotados.

Ainda de acordo com o CBP, somente em 2022, foram apreendidos cerca de 24 mil brasileiros que buscavam entrar ilegalmente nos EUA, em sua maioria homens entre 20 e 40 anos de idade, que relataram ter sofrido maus-tratos e falta de produtos básicos de higiene e alimentação enquanto aguardavam pela deportação nos centros de detenção do governo.

Desde 2019, quando a lei conhecida como “Title 42” foi implementada pela administração de Donald Trump, o governo norte-americano passou a deportar imediatamente imigrantes detidos na fronteira, retirando deles o direito a pedidos de asilo ou refúgio junto à Corte Federal de Imigração. Quando Joe Biden chegou ao poder, em 2021, havia a expectativa de que esta lei fosse derrubada, algo que, devido a disputas políticas entre Republicanos e Democratas, ocorreu somente em 2023.

Segundo Gondim, que já representou clientes em centenas de processos de asilo e de defesa contra deportação, o maior motivo que leva brasileiros a buscarem entrar ilegalmente nos Estados Unidos é a desinformação: “Existem muitos grupos no WhatsApp e nas redes sociais que espalham fake news e incentivam práticas ilegais para brasileiros que sonham em morar nos Estados Unidos. Infelizmente, muita gente tem embarcado neste conto-de-fadas e arriscado a vida atravessando o deserto, quase sempre sendo guiados e enganados por atravessadores que chegam a cobrar mais de 30 mil dólares por este “serviço’, diz o advogado. 

Segundo a Polícia Federal do Brasil, 2022 foi o ano com o maior número de brasileiros repatriados dos Estados Unidos: 4.516 pessoas. Desde 2019, todas as semanas pelo menos um voo vindo dos EUA aterrissa em solo brasileiros trazendo imigrantes que foram deportados, totalizando mais de 9 mil pessoas neste período. A maioria deles, cidadãos brasileiros que tentaram atravessar o deserto mexicano.

Atualmente, não há fronteira terrestre mais perigosa do que a dos Estados Unidos com o México. Segundo dados divulgados em setembro de 2023, pela OIM (Organização Internacional para as Imigrações), 686 pessoas morreram ou desapareceram nessa região nos últimos 12 meses. Entre as principais causas de mortes estão: afogamento, acidentes com veículos ou por insolação ou frio extremo.

“Fazer a travessia pelo deserto é algo muito arriscado e que não vale a pena, seja pelas dificuldades do deserto, possibilidade de ser enganado por algum atravessador (coiote) ou pelas punições que o imigrante pode sofrer caso cheguem aos EUA, como prisão e deportação. Até porque existem diversas vias legais imigratórias para quem deseja entrar pela porta da frente dos Estados Unidos”, alerta Gondim.

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