Manifestações se espalham por Teerã e outras grandes cidades do Irã desde o fim do ano, já sendo a maior demonstração de força popular em vários anos contra o regime clerical. Registros mostram atos simultâneos na capital e em Mashhad, segunda maior cidade do país, com grupos pedindo a deposição do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo, e mencionando o retorno de Reza Pahlavi, filho do último xá exilado desde 1979.
Os protestos chegam ao 12º dia consecutivo e têm como gatilho o colapso acentuado do rial no mercado paralelo. A desvalorização ocorre em meio à inflação estimada em 40% e à continuidade das sanções internacionais relacionadas ao programa nuclear, fatores que se somam a um quadro de má gestão econômica e denúncias de corrupção.
A organização NetBlocks, especializada em monitoramento de conectividade, relata que o país enfrenta um “apagão nacional da internet”. Segundo a entidade, houve elevação do nível de censura digital, comprometendo a comunicação da população durante a intensificação das manifestações. “O Irã está em meio a um apagão nacional da internet; o incidente ocorre após medidas crescentes de censura digital e prejudica o direito da população à comunicação em um momento crítico”, afirmou o grupo em nota.
Entidades de direitos humanos relatam que a onda de manifestações já alcança mais de 100 cidades e vilarejos nas 31 províncias iranianas desde 28 de dezembro. A agência Human Rights Activist News Agency (HRANA), sediada nos Estados Unidos, indica ao menos 34 manifestantes e oito agentes das forças de segurança mortos desde o início dos atos, além de 2.270 prisões. A organização Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, contabiliza 45 mortos, incluindo crianças.
Serviços de telefonia e internet suspensos
O Irã entrou em um apagão nacional da internet e telefonia enquanto os protestos contra o regime tomam conta do país. A limitação severa das comunicações coincide com a segunda semana de manifestações e com o vai de encontro com a disparada no número de mortos, que chega a mais de 40, segundo relatos de monitoramento.
Dados em tempo real da organização NetBlocks registraram o colapso do tráfego na noite de quinta-feira (8), pouco depois da disseminação de apelos para novos atos às 20h no horário local. O bloqueio reduziu drasticamente o fluxo de informações para fora do país, repetindo o padrão observado em protestos anteriores.
Antes da divulgação das mortes mais recentes, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em entrevista ao apresentador Hugh Hewitt que, caso o regime iraniano “começasse a matar pessoas”, as autoridades seriam “duramente atingidas”. Questionado sobre sua mensagem ao povo iraniano, Trump afirmou que os cidadãos “deveriam ter fortes sentimentos em relação à liberdade” e acrescentou que “vocês são pessoas corajosas”.
A transmissão em persa do Departamento de Estado dos EUA no X/Twitter repercutiu a advertência feita na entrevista, externando em persa o posicionamento de Washington diante do quadro de repressão interna.
À medida que os protestos se espalham, setores do regime iraniano passaram a qualificar as forças dos Estados Unidos como “alvos legítimos” em reação às declarações da Casa Branca.
Ali Safavi, integrante do Conselho Nacional de Resistência do Irã (NCRI), declarou à Fox News Digital que o desligamento da internet começou ainda no início da quinta-feira, indicando atuação coordenada das autoridades para limitar a circulação de informações e dificultar a organização dos manifestantes.
Fonte: Conexão Política





