Meio Ambiente

ONU alerta para risco de calor extremo global em decorrência do El Niño

03/06/2026 às 15:30

 

A agência meteorológica da Organização das Nações Unidas (ONU) previu, nessa terça-feira (2), um El Niño moderado ou possivelmente forte, que pode elevar as temperaturas globais e aumentar o risco de condições climáticas extremas nos próximos meses.

O fenômeno é um aquecimento periódico das temperaturas da superfície do mar no Oceano Pacífico central e oriental, que normalmente dura entre nove e 12 meses, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

A OMM disse que as águas quentes do oceano estão impulsionando o desenvolvimento do El Niño e previu temperaturas acima da média na maior parte do mundo de junho a agosto. A OMM disse que é provável que o El Niño continue até novembro.

A organização também informou que não se sabe ao certo qual será a intensidade do El Niño, pois os modelos diferem em sua gravidade, mas alertaram sobre a necessidade de se preparar.

“Precisamos nos preparar para um evento El Niño potencialmente forte — que exacerbará a seca e as chuvas fortes e aumentará o risco de ondas de calor tanto na terra quanto no oceano”, disse a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.

O padrão climático é conhecido por perturbar os climas regionais, podendo trazer temperaturas mais altas em todo o mundo e, ao mesmo tempo, aumentar as chuvas no sul da América do Sul e nos Estados Unidos, em partes do Chifre da África e na Ásia Central.

O El Niño também pode causar secas na Austrália, América Central, Indonésia e partes do sul da Ásia, além de estimular a formação de furacões no Pacífico central e oriental, informou a OMM.

O último El Niño, que os meteorologistas disseram ter sido forte, entre 2023 e 2024, contribuiu para tornar 2024 o ano mais quente já registrado, lembrou Saulo.

Segundo ela, outros riscos associados ao calor extremo incluem uma maior disseminação de doenças transmitidas por vetores, como mosquitos e carrapatos, e redução do suprimento de alimentos e água.

“As comunidades que já estavam enfrentando dificuldades serão levadas muito além de seus limites”, disse.

Para os consumidores, que enfrentam inflação devido à guerra do Irã, os preços dos alimentos podem aumentar ainda mais por causa do El Niño.

Hein Schumacher, presidente-executivo da Barry Callebaut, uma das maiores processadoras de cacau do mundo, alertou que as colheitas nas regiões de cultivo do Equador e da África Ocidental, que respondem por 60% da produção global, podem ser reduzidas.

“Isso é algo que estamos observando com muita cautela”, disse ele à mídia em uma ligação na terça-feira. “O El Niño pode ter um efeito que pode levar a alguns milhares por tonelada.”

Algumas agências meteorológicas nacionais previram o El Niño mais forte em uma década.

A OMM é mais cautelosa, mas observou condições de subsuperfície anormalmente quentes em todo o Pacífico tropical, com temperaturas superiores a 6 graus Celsius acima da média, criando um reservatório de calor que está impulsionando o aquecimento da superfície.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que esse foi um lembrete da necessidade de uma mudança dos combustíveis fósseis para a energia renovável.

“O mundo deve tratar isso como um alerta climático urgente. As condições do El Niño colocarão lenha na fogueira de um mundo em aquecimento”, disse.

Fonte: Reuters

← AnteriorPEC do fim da escala 6×1 não irá…Próximo →Camisa utilizada por Pelé na Copa do Mundo…