A Polícia Federal (PF) iniciou uma nova linha de investigação para apurar se o dinheiro solicitado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro serviu para bancar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.
Vorcaro chegou a pagar R$ 61 milhões e o senador cobrou, em áudio via aplicativo de mensagens, mais recursos que seriam usados para custear o filme Dark Horse, que trata da vida de Bolsonaro. As informações foram reveladas pelo The Intercept Brasil.
No entanto, a PF quer identificar se o montante de fato foi destinado para o filme ou se a produção serviu para camuflar o repasse das verbas.
A suspeita partiu do fato de envolvidos no filme afirmarem que a gravação não recebeu recursos do Master e também pelo destino final que parte da verba teria sido direcionada.
Isso porque US$ 2 milhões teriam sido transferidos para um fundo sediado no Texas denominado Havengate Development Fund LP, que tem como um dos responsáveis legais Paulo Calixto, advogado de Eduardo.
Produtora nega patrocínio de Vorcaro a filme de Bolsonaro
A produtora GOUP Entertainment afirmou em nota que não recebeu um “único centavo” de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ou de qualquer outra empresa em que ele tivesse participação. O pronunciamento veio após informações divulgadas na quarta-feira (13) pelo Intercept mostrarem que o senador e pré-candidato a presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pediu um repasse de R$ 135 milhões ao ex-banqueiro para financiar o filme “Dark Horse” – um longa biográfico inspirado na trajetória política do pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na nota enviada, a produtora esclarece que a legislação dos Estados Unidos proíbe a divulgação de investidores protegidos por acordos de confidencialidade (Non-Disclosure Agreements), justificando o sigilo sobre os financiadores do filme.
Documentos mostram que pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, foram pagos entre fevereiro e maio de 2025 em seis transferências bancárias para financiar o projeto.
Segundo a GOUP Entertainment, o projeto cinematográfico foi estruturado dentro do modelo “privado de desenvolvimento audiovisual, por meio de articulações, parcerias e mecanismos legítimos do mercado de entretenimento nacional e internacional, sem utilização de recursos públicos”. Ressaltou ainda que conversas e negociações não configuram, por si só, um investimento consumado.
A produtora repudiou tentativas de associação entre a produção do longa com “fatos externos desprovidos de comprovação documental, financeira ou contratual” e se colocou à disposição das autoridades para esclarecimentos.
Flávio Bolsonaro se pronunciou, por meio de nota, que o pedido se tratou de um “filho procurando patrocínio”.
“Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”, afirmou.
Cúpula da campanha de Flávio busca relator do caso Master no STF para tratar de crise
A cúpula da campanha do senador Flávio Bolsonaro contatou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Master na Corte, para tratar da crise envolvendo a campanha após a revelação de que Flávio pediu recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. A intenção é tentar compreender até que ponto o caso Master pode atingir Flávio Bolsonaro.
Na reunião que teve com a coordenação da campanha após o caso estourar nesta quinta-feira (14), Flávio assegurou que não haveria mais nada ligando ele a Vorcaro. Ainda assim, a cúpula da campanha quer se certificar disso.
Mendonça tem dito a interlocutores ter sido surpreendido tanto quanto a campanha com o envolvimento de Flávio.
A conversa também deve ter um contorno político.
Isso porque o entorno mais próximo do pré-candidato se incomodou com o ressurgimento da defesa de que Michelle Bolsonaro assuma a candidatura no lugar de Flávio e quer captar essa temperatura com Mendonça, que é próximo de Michelle e tem pouca relação com Flávio.
Nesta quarta-feira, a CNN Brasil mostrou que ele se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada, o que motivou críticas internas ao ministro do STF.
Um interlocutor próximo de Eduardo Bolsonaro disse à CNN entender que “esse tiro veio do bolsonarismo”, sugerindo que o vazamento contra Flávio partiu de aliados do próprio grupo.
Fonte: CNN Brasil






