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Projeto criado por egressos da UFS é semifinalista do Prêmio LED Globo 2027

19/10/2026 às 11:11

 

Um projeto de educação científica desenvolvido por egressos da Universidade Federal de Sergipe (UFS) está entre os 80 semifinalistas do Prêmio LED Globo 2027, selecionados entre mais de 1.500 iniciativas inscritas em todo o Brasil. Intitulado “Ciência é Fundamental”, o trabalho busca facilitar o ensino de Ciências nas escolas públicas por meio de atividades práticas e materiais gratuitos que auxiliam professores no planejamento das aulas.

A iniciativa foi criada por Camile Porto, egressa do curso de Física, e Kauan Rodrigo dos Santos, de Ciências Biológicas, sob orientação da professora da UFS Lara Arguelho. O projeto utiliza metodologias ativas para estimular a participação dos estudantes e aproximar o conhecimento científico da realidade da sala de aula.

Durante o desenvolvimento, os idealizadores perceberam que, além de incentivar os alunos a aprender na prática, era necessário oferecer suporte aos professores para incorporar novas estratégias de ensino à rotina escolar. A partir dessa experiência e das mentorias da Fundação Fenômenos, foram desenvolvidos e-books interativos, um site gratuito e a Caixa da Ciência, ferramentas voltadas à preparação de atividades educativas.

Os materiais estão disponíveis em cienciaefundamental.com e apresentam propostas de baixo custo para facilitar a aplicação de experimentos e outras práticas pedagógicas.

A professora Lara Arguelho explica que “a iniciativa do projeto Ciência é Fundamental tem como proposta pedagógica a formação integral de jovens pesquisadores interessados em inovação no ensino, metodologias para o ensino de Ciências, experimentação e divulgação científica. Os materiais didáticos produzidos visam auxiliar o planejamento docente de professores da educação básica, oferecendo atividades de baixo custo e parametrizadas, que detalham conteúdos didáticos, tempos de aplicação, custos e alinhamento com as habilidades da BNCC”.

Segundo a orientadora, a elaboração dos materiais também contribui para a formação dos universitários. “Além de apoiar a atividade de ensino de professores da educação básica, o processo criativo e a mentoria durante a criação dos materiais didáticos colocam o graduando em posição de protagonismo, atuando como elaborador de atividades científicas com ênfase na observação, no levantamento de hipóteses, na experimentação e na discussão. Dessa forma, a iniciativa beneficia licenciandos e futuros professores, aproximando a universidade da realidade das salas de aula da educação básica”, destaca.

Para Kauan Rodrigo dos Santos, o reconhecimento nacional representa a concretização de um sonho. No primeiro semestre de 2026, o projeto ficou entre os 20 finalistas do Fenômenos Academy, em uma disputa com mais de 800 iniciativas inscritas.

“Foi uma experiência indescritível estar na grande final, em São Paulo, apresentando esse nosso projeto nascido em Sergipe, nascido na UFS, e que tem potencial para transformar a educação em todo o país”, conta.

Sobre a seleção para o Prêmio LED, ele afirma: “Agora, estar entre os 80 semifinalistas do Prêmio LED 2027, entre mais de 1.500 inscritos, é mais um sinal de que estamos no caminho certo. Faremos de tudo para chegar à grande final e concorrer ao prêmio de R$ 200 mil, mas, desde já, nos consideramos vitoriosos”.

Camile Porto também destaca o impacto da experiência em sua trajetória acadêmica e pessoal. “Essas oportunidades foram importantes para nossas escolhas de vida, para a construção do pensamento crítico e para estreitar a nossa relação com a ciência”, afirma. Ela lembra que gostaria de ter tido acesso a iniciativas semelhantes quando ainda cursava o ensino fundamental.

“Começamos aos poucos, em 2023, e a UFS foi fundamental para fomentar essa ideia desde o início, com ideias, contribuições e espaço que ajudaram a moldar o projeto para que ele se tornasse o que é hoje. O reconhecimento pelo Fenômenos Academy e pelo Prêmio LED traz uma emoção imensa, mas também a sensação de que estamos no rumo certo”, acrescenta.

O projeto recebeu apoio da Agência de Inovação e Transferência de Tecnologia da UFS (Agitte.se), por meio dos editais InoveEdu, em 2023, 2025 e 2026, e Socialize-se, em 2024.

Rodrigo Santos, gestor de Design e Comunicação da Agitte.se, ressalta a importância do incentivo institucional para iniciativas com potencial de impacto social. “Acreditamos que editais como esses são fundamentais no ambiente acadêmico, porque transformam a UFS em um berço de atividades de impacto real. Eles levam a inovação tecnológica e social para além dos muros acadêmicos e dão aos estudantes e pesquisadores o suporte necessário para criar soluções práticas, presentes no dia a dia das pessoas. É o investimento que conecta o conhecimento gerado em sala de aula aos problemas reais da sociedade, impulsionando o empreendedorismo que gera transformação e desenvolvimento para o país”, afirma.

Aplicação nas escolas

Os materiais do “Ciência é Fundamental” já são utilizados em sala de aula. Ismael de Almeida, professor de Ciências e Biologia da Escola Municipal de Ensino Fundamental Florentino Menezes, no bairro Areia Branca, na Zona de Expansão de Aracaju, utiliza os e-books com seus alunos.

“Quem está no dia a dia da sala de aula sabe o quanto o planejamento exige tempo, pesquisa e criatividade. Os e-books do Ciência é Fundamental ajudam justamente nesse processo, porque reúnem conteúdos e propostas que podemos adaptar à realidade dos nossos estudantes”, relata.

Para o professor, os recursos servem de base para aulas mais dinâmicas e contextualizadas. “Isso facilita nosso trabalho e nos permite dedicar mais tempo ao que realmente importa: pensar em como fazer o conhecimento científico chegar aos estudantes de maneira significativa.”

A chegada à semifinal do Prêmio LED Globo 2027 amplia a visibilidade da iniciativa sergipana e reforça o papel da universidade pública no desenvolvimento de soluções educacionais. O projeto reúne formação acadêmica, inovação e apoio aos professores para aproximar a ciência do cotidiano dos estudantes da educação básica.

*Com informações Ascom UFS

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