Política

Renan Santos lança candidatura com críticas a Lula e Flávio Bolsonaro

02/08/2026 às 07:28

 

O partido Missão confirmou oficialmente, neste sábado (1º), a escolha de Renan Santos como candidato à Presidência da República. Em discurso, o empresário criticou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), também candidatos ao cargo, e defendeu “matar quem roubar”.

Para Renan, a sua candidatura não se encaixa na chamada terceira via, que ele classifica como uma “oposição da oposição”.

“Nós não somos nada de terceira via. Nós construímos o próprio caminho com as próprias ideias, com as próprias cores, com o próprio sonho, com a própria imaginação”, completou.

O candidato, que é um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), disse rejeitar o rótulo de “antipetista”: “Nós não somos como outros ratos que se vestem de verde e amarelo, se apropriando dos símbolos nacionais só para dizerem: ‘veja só, eu sou o oposto do Lula’. Quando você se define pelo seu inimigo, você nunca o supera.”

“Estamos há décadas vivendo a noite do petismo. Eu volto a afirmar: a afirmação é a luz. E a luz está presente nessa cor. A luz são as nossas ideias. A luz é a nossa coragem”, defendeu Renan.

O candidato classificou o senador Flávio Bolsonaro de “farsante” e “corrompido” e afirmou que ele está sendo preparado para perder nas eleições.

“São semanas para que a gente tire Flávio do segundo turno e para que o Lula vire seus canhões malditos contra nós, os mesmos canhões que eles viraram contra nós no impeachment [de Dilma Rousseff]. Não há energia nos demais candidatos. Nós já estamos em terceiro [lugar] e subindo”, continuou.

Segurança pública, fim das favelas e armas nucleares

Renan Santos vem apresentando a segurança pública e o combate ao crime organizado como temas centrais de sua candidatura e de seu projeto para o Brasil.

“Vocês vão comprar seu celular. Vocês vão comprar a sua casa. Vocês vão comprar seu carro. Vocês vão comprar seu celular”, afirmou Renan. “E ninguém vai roubar nada que é teu, porque nós vamos matar quem roubar.”

Entre as metas apresentadas no evento deste sábado por Renan estão:

  • Reduzir o número de homicídios a, no máximo, 10 mil por ano;
  • Baixar os juros para menos de 6% e alcançar superávit nominal nas contas públicas;
  • Retirar 8 milhões de pessoas das favelas e transformar as 6 mil comunidades em bairros;
  • Alfabetizar nove entre cada dez crianças.

Segundo Renan, o Brasil passa por uma falta de ambição e de projeto de país. “Eu vi gente maravilhosa em todas as regiões do Brasil. Eu amei cada canto do Brasil. Todas as críticas que eu fiz ao Pará foram para melhorar o Pará”, disse.

“Todas as favelas que eu vi e critiquei foi para que as pessoas pudessem sonhar e não mais viver numa favela, e não aceitar mais ser tratado como bicho”, completou.

“Todas as críticas da classe política são para que a população deixe de ser submissa e se erga e fique de pé e se levante como vocês estão de pé agora, se insubordine contra eles, se rebele contra esses malditos”, completou.

Renan afirmou que, no final de um eventual mandato, deseja que o Brasil volte a ter um programa especial e que construa armas nucleares. “Eu quero que o Brasil pense em construir não apenas armas nucleares, mas aviões de guerra de última geração, usando as nossas próprias terras raras”.

“Eu quero botar o Brasil no Conselho de Segurança da ONU não porque pediu por favor, mas porque o mundo depende da gente”, disse.

O candidato subiu ao palco por volta das 17h30 e relembrou a fundação do Movimento Brasil Livre (MBL) há 12 anos. “Eu acredito em predestinação e eu acredito que o destino o tempo todo olhou para nós e nos testou. Nos testou durante o impeachment da [presidente] Dilma (PT).”

Renan já havia sido oficializado como candidato no dia 20 de julho em um evento realizado em formato online e sem transmissão ao vivo. Segundo o que o candidato explicou, a decisão foi tomada por orientação da equipe de segurança da pré-campanha diante de uma escalada de ameaças atribuídas a facções criminosas.

O candidato a vice será Aroldo Medina, militar da reserva. Ele foi o primeiro a discursar no evento, que começou por volta das 14h20. Ele afirmou que pretende comandar a primeira incursão ao Morro do Alemão, no Rio de Janeiro.

“Atenção, se preparem. Vou ligar para o presidente Renan Santos e vou dizer: ‘presidente, pronto, dê o sinal verde’. Vamos botar aquela bandidagem toda a correr e inauguraremos uma nova era de ordem e progresso para o Brasil”, afirmou Medina.

“O choque de lei e ordem que será dado neste país não tem precedente”, afirmou o deputado federal Kim Kataguiri (Missão).

A vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil), coordenadora da campanha, definiu Renan como “líder de sua geração” e destacou o apoio dos jovens. “Diferentemente do que falam, que os jovens escolhem mal, não, os jovens estão escolhendo bem. As outras gerações é que ainda não entenderam o recado”, afirmou.

O Missão apresentou também seus candidatos aos governos de nove estados: André Luís, no Maranhão; Ben Mendes, em Minas Gerais; Breno Barcelos, no Espírito Santo; Coronel Busnello, no Rio de Janeiro; Huggo Leonardo, no Ceará; Luiz França, no Paraná; Marcelo Brigadeiro, em Santa Catarina; Rafaell Milas, no Mato Grosso; e Renan Hallais, em Pernambuco. Todos eles discursaram no evento.

Os ingressos para o evento custaram de R$ 174 a mais de R$ 7 mil. Segundo integrantes do partido, os recursos vão para a sigla e devem ajudar no financiamento de campanhas.

Os partidos têm até 5 de agosto para realizar as convenções partidárias, nas quais oficializam candidatos e coligações para as eleições. As siglas têm até 15 de agosto para registrar, na Justiça Eleitoral, os candidatos escolhidos para a disputa. A propaganda eleitoral começa em 16 de agosto.

‘Livro Amarelo’

No evento, também foi lançado o “Livro Amarelo”, conjunto de seis fascículos em que o Missão, partido criado pelos integrantes do MBL, apresenta seu projeto para o Brasil.

Segundo Kim Kataguiri, que também é um dos fundadores do MBL, o livro traz propostas para áreas como segurança pública, aumento da competitividade, defesa e meio ambiente. A versão mais básica custa R$ 140.

Orlando Lima, coordenador do projeto, apresentou a publicação como a base de “um projeto para governar, reconstruir e civilizar. É algo que redefinirá a posição do Brasil no mundo, e a posição de vocês no Brasil”.

“O ‘Livro Amarelo’ parte de uma interpretação de Brasil, uma interpretação de nossa identidade, e não é à toa que sejamos, ao final de tudo, um projeto de subversão da má história brasileira”, disse ainda Orlando Lima.

O livro está dividido em 14 capítulos distribuídos em três volumes. No primeiro, há propostas para acabar com políticas e heranças consideradas negativas pelo grupo. Entre elas, por exemplo, o maior ajuste fiscal da história do Brasil, “maior do que o Plano Real”, no valor de R$ 3,3 trilhões.

Nos dois outros volumes entram as propostas para “destravar o país e construir a civilização tropical”. “O que nós temos, além de boas ideias, é coragem de imaginar um Brasil melhor”, afirmou Pedro D’eyrot, também cofundador do MBL. Ele citou iniciativas para “recuperar o soft power brasileiro”, zerar a fila do Sistema Único de Saúde (SUS) e fazer reformas na educação.

Kim Kataguiri também anunciou o lançamento do Instituto Livro Amarelo. “Assim como temos o ‘Livro Amarelo’ nacional, nós teremos os estaduais, os municipais. A gente vai garantir que os nossos candidatos a prefeito, os nossos candidatos ao governo do Estado, ao Senado, ao Congresso, em todas as esferas, tenham um programa sólido para defender. É um programa de um partido que tem crença, que tem propósito.”

Quem é Renan Santos

Renan Santos tem 42 anos, é ativista político, empresário e uma das lideranças do Movimento Brasil Livre.

Entre 2015 e 2016, participou de protestos que pediam o impeachment da então presidente Dilma Rousseff, entre eles a chamada “Marcha pela Liberdade”, que caminhou de São Paulo a Brasília.

Paulistano, cursou Direito na Universidade de São Paulo (USP), sem concluir o curso.

Junto com os demais integrantes do MBL, fundou o partido Missão, com mais de 800 mil assinaturas recolhidas — recorde entre novas legendas no país.

O partido teve o registro concedido pela Justiça Eleitoral no fim do ano passado e participará de sua primeira eleição. Até o momento, não anunciou alianças com outras legendas.

Ele defende o endurecimento de penas para crimes violentos, medidas para acabar com o controle territorial de facções criminosas e a implementação do que chama de “Direito Penal do Inimigo”.

Segundo a proposta, trata-se de um mecanismo jurídico que passa a considerar integrantes de facções como “inimigos do Estado”, “eliminando a presunção de inocência para quem for identificado como integrante dessas organizações ou portar fuzis”.

Outras propostas de Renan são condicionar a reeleição de prefeitos ao cumprimento de metas; substituir a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) por um regime de negociação direta entre contratante e contratado; extinguir a Justiça do Trabalho; criar uma reserva nacional em criptomoedas; e aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com um corte radical de gastos para economizar R$ 3,3 trilhões em dez anos.

Fonte: G1

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