Especialista alerta para risco de doenças urológicas no verão

 

No verão a ordem é relaxar, mas nem tanto. É preciso ficar atento aos problemas de saúde comuns da época. Atitudes simples como pouca ingestão de água, e ficar com roupa de banho molhada por muito tempo, podem trazer sérios danos à saúde de quem está aproveitando a estação.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), problemas no aparelho urinário crescem em média 30% no verão. Os principais são o aumento dos casos de pedras nos rins e infecções urinárias. A principal causa é a desidratação, porém outros fatores como mudanças do hábito alimentar em viagens, alterando o ritmo intestinal, podem contribuir para o aumento das infecções. Outro fator é o aumento da transpiração e o uso prolongado de roupas de banho molhadas.

O urologista André Yoichi, membro da SBU e da Confederação Americana de Urologia e da Associação Europeia de Urologia, explica que a urina é produto do processo de filtragem do sangue, retirando as suas impurezas. Algumas destas substâncias, em grande quantidade, associada a baixos níveis de água, podem formar cristais que se agregam e geram os cálculos renais.

“Infelizmente muitas pessoas descobrem da pior maneira possível, sentindo a cólica renal, que é a dor causada pela pedra, porém exames de ultrassonografia e tomografia podem identificar a presença da pedra nos rins antes do surgimento das cólicas. Uma maior quantidade de líquidos permite a diluição dos sais presentes na urina, evitando assim a sua precipitação e a formação de cálculos. A dieta rica em proteína também aumenta o risco de formação de pedras no rim, então devemos restringir o seu consumo”, ressalta o André Yoichi.

O tratamento depende de inúmeros fatores como tamanho, localização, sintomas, presença ou não de infecção, e vai desde orientação de hidratação e hábito alimentar até a necessidade de cirurgias.

No verão diversas situações podem aumentar o risco de infecção urinária. “A desidratação é uma delas, tanto a ingestão insuficiente de líquidos quanto o aumento da transpiração reduzem a produção de urina e consequentemente a frequência urinária, o que diminui a eliminação das bactérias causadoras da infecção. Já a mudança de hábito alimentar em viagens pode provocar ou piorar um quadro de constipação, e isto também aumenta o risco de infecção, além do risco de contrair uma infecção intestinal que pode favorecer uma infecção urinária posteriormente. O aumento da transpiração, o uso de roupas apertadas e uso de roupas molhadas após banho de piscina e mar também favorecem a proliferação de bactérias causadoras de infecção urinária”, lembra o urologista.

André Yoichi também faz um alerta para as mulheres, que sofrem mais com a infecção urinária. “O principal motivo é anatômico: a uretra feminina é mais curta que a masculina. Estima-se que pelo menos metade das mulheres terão ao menos um episódio de infecção urinária ao longo da vida, e 25% das mulheres terão infecções recorrentes”, orienta.

As pessoas com infecção urinária geralmente se queixam de ardor ou dor para urinar, aumento da frequência urinária, e em algumas situações pode haver a presença de sangue na urina. O diagnóstico é feito avaliando os sintomas relatados pelo paciente. Pode haver a necessidade de realizar alguns exames, como a análise da urina, e em casos mais graves o exame de sangue. “Alguns cuidados simples podem ajudar na prevenção. A principal delas é a hidratação e a alimentação adequada. Outros cuidados são não prender a urina e evitar tecidos sintéticos e modelos “colados” ao corpo, dando preferência a roupa íntima de algodão”, conclui.

Fonte: Assessoria de Imprensa