Pediatria do Huse registra redução de 55% no atendimento

Desde o início da pandemia da covid-19, as pessoas ficaram mais receosas em frequentar os hospitais pelo receio da contaminação, exceto em casos de pacientes com sintomas de coronavírus ou urgência. No Hospital Pediátrico Drº José Machado de Souza, localizado no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), por exemplo, a redução de atendimentos, se comparado ao mesmo período do ano passado foi de 55%.

O que poderia ser um fator positivo, por outro lado, leva ao questionamento se os responsáveis estão medicando as crianças por conta própria sem um diagnóstico profissional da situação. A pediatra e coordenadora da pediatria do Huse, Cristiane Barreto, alerta para o risco do agravamento de doenças que pareçam ser inofensivas, e ressalta a importância das pessoas prestarem atenção aos sinais que são dados pela criança e a partir daí encaminhar para uma unidade de baixa ou alta complexidade.

“A gente não recomenda automedicação. Se a pessoa tiver uma febre um antitérmico pode ser utilizado e procura a unidade de saúde, se foi diagnosticado com coronavírus e se automedicar de jeito nenhum, nesse caso o recomendado é procurar e seguir a orientação médica”, finalizou a coordenadora da Pediatria do Huse.

A servidora pública, Sheila Carvalho, 45, medicou a filha em casa depois da criança reclamar de dores abdominais. Com medo da contaminação nas unidades de saúde, ela acabou arriscando a vida da filha que estava com apendicite e como viu que as dores não passavam, ela levou a pequena M.L.C, oito anos, até uma unidade de saúde do bairro onde mora e a criança acabou ficando internada. “Foi um susto grande, mas com medo preferi medicar a minha filha em casa, como as dores só aumentavam resolvi pedir ajuda médica e para minha surpresa ela foi transferida para o Huse onde foi operada de apendicite”, disse.

“É importante que as pessoas procurem assistência primeiramente se estiver com algum problema de um quadro respiratório, buscar ajuda em uma unidade de menor complexidade, porque a vinda ao hospital por coisas simples pode acarretar em contaminação por covid, deixar para o hospital as coisas mais graves e de urgência. Em Aracaju temos oito postos que só atendem pacientes com síndromes respiratórias, então, qualquer sinal de gravidade é buscar essas unidades e eles que vão direcionar para o hospital ou não”, explicou Cristiane Barreto.

Redução

O número de crianças atendidas no primeiro semestre deste ano (janeiro a junho 2020), foi de 8.546 registros. Desse total, 1.035 precisaram ficar internadas em observação entre outros protocolos. Se comparado ao mesmo período do ano passado (2019) e sem pandemia da covid-19, esse número de atendimentos chegou a 18.747 atendimentos.

Fonte: SES