ARACAJU/SE, 18 de junho de 2024 , 0:29:57

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Setembro Amarelo será lançada nesta sexta-feira, 1º

 

 

Em decorrência do Brasil ocupar o 8º lugar em números absolutos e passar a incluir nas estatísticas também crianças e jovens – segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), a partir do próximo dia 1º o CFM (Conselho Federal de Medicina) em parceria com a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) e o CVV (Centro de Valorização da Vida) desenvolverão a campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio chamada de ‘Setembro Amarelo’.

As ações da campanha também serão desenvolvidas em Aracaju e todo Estado de Sergipe, garante a psiquiatra da Infância e Adolescência Glaise Franco, que explicou que a intenção das entidades médicas com esta campanha que acontece desde 2014, é conscientizar e alertar a população a respeito da realidade do suicídio no país e no mundo, bem como, suas formas de prevenção.

Ela observa, que o problema tem preocupado as entidades médicas, porque as taxas de suicídios entre crianças, e principalmente entre os jovens, têm crescido em torno de 10%. “Não se tem uma causa determinante nem especifica, mas há a suspeitas de alguns fatores, a exemplo do uso de drogas, doenças mentais, transtornos de pressão e até bullyng, que é a prática de atos violentos contra uma pessoa indefesa”, salientou.

Por isso mesmo, enfatiza Glaise Franco a ideia da campanha é mobilizar as pessoas durante todo o mês de setembro com o foco nas crianças e adolescentes, bem como, alertar os pais e professores que estão em maior contato com essas faixas etárias para que tenham condições de identificar possíveis sinais de pensamentos suicidas.

Questão é tabu

Mas esta iniciativa das entidades médicas junto as escolas, principalmente da rede particular de ensino, lamenta a psiquiatra, tem sido muito complicada porque a questão é tratada pelos pais, professores e direção das unidade de ensino como um tabu. “Para eles é um assunto proibido que não deve ser tratado no meio escolar, mesmo apenas entre pais e docentes”, revela.

Sendo assim, Glaise Franco lamenta que a campanha fica comprometida em parte no seu objetivo imediato junto as crianças e jovens. Mas a questão precisa ser abordada de forma franca para que o pior seja evitado o quanto antes. “A melhor forma de prevenir e falar sobre o assunto. Evita, previne e ajuda a preservar a saúde e vida dos filhos”, observa.

Para se ter uma ideia da complexidade da questão, a psiquiatra revela que muitos casos de suicídio entre crianças e jovens aparecem como intoxicação, e dessa forma, dificulta as estatísticas. “Veja o caso recente do tal jogo da Baleia Azul que se tornou uma válvula de escape para justificar o problema. Na verdade, esse jogo se tornou um meio dos adolescentes tentar tirar a vida”, lamenta.

Casos envolvendo crianças

Ela relata alguns casos recentes, sem citar nomes, como o caso de uma criança de 10 anos de idade, que antes de tirar a vida deixou um bilhete com a  seguinte declaração: “Mãe te amo!”. Em seguida se atirou do 7º andar do prédio onde morava. Uma outra criança, estressada, há 11 anos atrás, desenhou um coração numa folha onde também imprimiu a palma de sua mão pintada e cometeu o suicídio.

“O suicídio se tornou um câncer em nossa sociedade contemporânea que não quer assumir a existência do problema de forma clara e objetiva”, lamenta a psiquiatra.

Saúde pública 

Um problema de saúde pública que vive a questão do tabu e o aumento de suas vítimas é o suicídio. Pelos números oficiais, são 32 brasileiros mortos por dia, taxa superior às vítimas da Aids e da maioria dos tipos de câncer. Tem sido um mal silencioso, pois as pessoas fogem do assunto e, por medo ou desconhecimento, não veem os sinais de que uma pessoa próxima está com ideias suicidas.

A esperança é o fato de que, segundo a OMS, nove em cada dez casos poderiam ser prevenidos. É necessário a pessoa buscar ajuda e atenção de quem está a sua volta.

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