Jogador sergipano morre após incêndio no CT do Flamengo

Da redação, AJNJ1

Dez atletas morreram e outros três ficaram feridos, um em estado grave com 35% do corpo queimado após incêndio que atingiu o Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, na madrugada desta sexta-feira (8). Entre as vítimas fatais está Athila Paixão, de 17 anos, atleta sergipano do município de Lagarto.

Natural do povoado Brasília, o garoto foi revelado pela Escolinha Geração do Futuro, a mesma por onde passou o jogador e conterrâneo dele, Diego Costa, que atualmente joga pelo Atlético de Madrid.

Damião, o pai de Áthila , disse à imprensa que conversa com o filho todas as noites antes de dormir. E na noite que antecedeu a tragédia não foi diferente. “Toda noite eu falava com ele. Só dormia quando falava com ele. Ontem perguntei: “Como você está?” “Estou bem”, ele disse. “Vou treinar no Maracanã”, contou Damião à TV Globo.

De acordo com a assessoria de comunicação do Flamengo, o treino no Maracanã serviria de teste para o VAR (árbitro de vídeo, na sigla em inglês), tecnologia que seria utilizada nas semifinais da Taça Guanabara. Era a realização de mais uma etapa do sonho que vinha se consolidando de forma rápida nos últimos meses.

Áthila era oriundo de escolinha em Lagarto. Foi escolhido pelo Flamengo em março de 2018, e foi chamado para fazer teste após ser visto na Copa Zico do mesmo ano.

Sobrevivente

Todos dormiam no momento em que o incêndio começou. Um dos sobreviventes, Samuel Barbosa, de 16 anos, publicou nas redes sociais que acordou com a fumaça e só teve tempo de chamar um amigo e fugir.

“A maioria não conseguiu porque a quantidade de fogo era muita. E aconteceu que o ar condicionado pegou fogo, daí foi gerando um curto-circuito em todos os ares-condicionados. Foi pegando em tudo. E foi muito rápido. Não deu para conseguir chamar quase ninguém”, disse Samuel.

Perícia

O alojamento era composto de seis contêineres interligados, onde dormiam atletas com idades entre 14 a 16 anos. A perícia trabalha com a hipótese de um curto-circuito em um dos aparelhos de ar-condicionado.

“É muito cedo para dizer se foi por causa da rede que deu pico, se foi por causa do aparelho de ar-condicionado ou se foi a rede interna daqui”, disse o vice-governador.

Em nota, a prefeitura do Rio informou que a licença tem validade até 8 de março, mas a área de alojamento que foi atingida pelo incêndio não consta como área edificada no projeto que foi licenciado em 5 de abril do ano passado. Em vez da estrutura, o projeto previa um estacionamento no local.

“Não há registros de novo pedido de licenciamento da área para uso como dormitórios”, diz a prefeitura, que afirmou que a coordenação de licenciamento só realiza inspeção nesse tipo de edificação em caso de denúncia.