Da redação, AJN1
O Sindicato dos Enfermeiros de Sergipe (Seese) realizou na manhã desta sexta-feira (3), uma fiscalização no Hospital de Campanha montado pela Prefeitura de Aracaju para receber pacientes infectados pela covid-19. O objetivo da inspeção, segundo o sindicato, foi apurar denúncias de irregularidades na rede de gases e ociosidade no número de leitos, além de problemas de regulação do fluxo de pacientes vindos das unidades básicas de saúde para o hospital provisório.
“Nós recebemos diversas denúncias dos profissionais que atuam aqui no hospital ou de profissionais do Samu e do Hospital Fernando Franco a respeito de problemas na rede de gases, na ociosidade de leitos. A Prefeitura tem feito uma campanha em torno de 152 leitos e o que se colocava é que havia uma baixa ocupação, enquanto se tinha uma superlotação no Fernando Franco e lá no Hospital de Urgência de Sergipe com aracajuanos. Dos 152 leitos, há só 60 leitos ativos e, desses 60, até o início da fiscalização, 41 leitos estavam ocupados, o que não justifica ter a dificuldade das unidades básicas, principalmente a superlotação como na UPA do Fernando Franco”, afirma a presidente do sindicato, Shirley Marshal Diaz Morales, ao relatar que foi difícil fazer a fiscalização. “Tivemos dificuldades, inclusive, não foi permitido que fizéssemos registro fotográfico, uma obstrução em termos de fiscalização.
Shirley diz ainda que uma enfermeira que estava com a covid-19 evoluiu para óbito porque teria tido um trauma pulmonar provocado por problema de rede de gás no Hospital de Campanha. “Por imperícia dos profissionais, no momento de intubação. Outros pacientes estariam com esse mesmo problema. Inclusive, o pessoal do Samu estaria tendo de se deslocar para o hospital para poder realizar não atendimento de rua, mas suporte ao hospital, porque os profissionais que estavam nesse hospital não estavam conseguindo intubar, ou seja, o Samu estava vindo para cá para dar suporte, o que configura em desvio de finalidade”, denuncia.
O que diz a SMS
A secretária municipal de Saúde de Aracaju, Waneska Barboza, diz que não há problemas no Hospital de Campanha. “O paciente que vai para porta de urgência, seja do Nestor Piva ou Fernando Franco, para ser encaminhado para cá, ele precisa estar encaixado no perfil do leito do hospital. A gente não pode pegar um paciente que está intubado no hospital zona norte ou zona sul porque o transporte que é utilizado é um transporte de alta complexidade, feito pelo Samu. O leito de UTI é regulado pelo governo do Estado e o paciente que tem esse perfil de complexidade elevada, ele é regulado para ser transferido para um leito de UTI. A gente não pode pegar um paciente que precisa de leito de UTI e trazer para o hospital de campanha, que tem leito de estabilização, e postergar ainda mais o tratamento ideal do paciente. A gente não pode ter uma porta aberta do hospital de campanha para receber pacientes graves e não ter leitos de estabilização disponível para pacientes”.
Sobre a morte de uma enfermeira supostamente provocada por falha médica e vazamento de gases, a secretária disse que a denúncia é grave, mas não recebeu nenhum comunicado oficial por parte do sindicato.
“Essa é uma denúncia muito grave. Até o momento a SMS não recebeu nenhum tipo de denúncia desse tipo. Como se trata de ato médico, assim que essa denúncia chegar formalmente, indicando qual foi o paciente, qual foi o procedimento, nós abriremos um procedimento administrativo e encaminharemos para o Conselho Regional de Medicina e nós faremos a fiscalização do ato médico. Essa denúncia precisa ser checada, estamos recebendo coisas que estão dizendo, é preciso que venha uma denúncia formal. A gente tem, inclusive, relatório da empresa que fornece os gases mostrando que, em nenhum momento, houve irregularidade no fornecimento dos gases. Temos uma central de abastecimento que não permite que essa pressão caia a ponto de desativar algum respirador ou causar um trauma”, diz a gestora, ao concluir que, dos 200 pacientes que passaram pelo hospital, 133 receberam alta, 13 foram a óbito, e 20 foram transferidos para UTI.







