ARACAJU/SE, 19 de maio de 2026 , 12:15:10

Sobrecarga no leg press pode provocar lesões graves e até rompimento de tendão

 

O aumento da procura por academias nos últimos anos tem estimulado hábitos mais saudáveis e ampliado a adesão à prática de atividades físicas. Entre os exercícios mais buscados, a musculação ganhou destaque entre pessoas interessadas em bem-estar, condicionamento e objetivos estéticos. Apesar dos benefícios, especialistas reforçam a importância da execução adequada dos movimentos e do respeito aos limites do corpo para prevenir lesões sérias.

Recentemente, um episódio repercutiu nas redes sociais após um fisiculturista sofrer ruptura do tendão do quadríceps ao realizar leg press com aproximadamente 400 kg. O caso voltou a levantar discussões sobre os riscos associados ao excesso de carga e à prática inadequada em aparelhos frequentemente vistos como mais seguros pelos frequentadores de academia.

Para o ortopedista Mário Augusto Cruz, o leg press costuma passar uma impressão equivocada de segurança justamente por oferecer mais estabilidade durante o exercício. “O leg press é frequentemente considerado mais seguro por oferecer maior estabilidade e menor exigência de equilíbrio em comparação ao agachamento livre. No entanto, isso pode criar uma falsa sensação de segurança e estimular o uso de cargas excessivas”, explica.

Segundo o especialista, a ruptura do tendão do quadríceps geralmente ocorre em momentos de contração excêntrica intensa, quando o músculo tenta controlar a flexão do joelho sob uma carga muito elevada. “Nessa posição, o mecanismo extensor do joelho sofre enorme tensão mecânica, aumentando o risco de falha tendínea, principalmente em tendões já degenerados ou sobrecarregados”, afirma.

Execução inadequada aumenta riscos

Entre os erros mais frequentes durante o exercício, Mário aponta o excesso de flexão dos joelhos durante a fase de descida. De acordo com ele, trazer os joelhos muito próximos ao tórax eleva consideravelmente a pressão sobre as articulações do joelho. “O erro mais comum é permitir flexão excessiva do joelho, aproximando demais os joelhos do tórax durante a descida. Essa posição aumenta significativamente a compressão femoropatelar e a tensão sobre o tendão do quadríceps e o tendão patelar”, pontua.

O médico destaca ainda que o risco de lesão não depende apenas da quantidade de peso utilizada, mas também da maneira como o movimento é realizado. “Os dois fatores são importantes e atuam de forma combinada. A carga elevada aumenta diretamente a força transmitida ao mecanismo extensor do joelho. Porém, a posição do joelho tem enorme influência biomecânica”, explica. Conforme ele, até cargas mais leves podem representar perigo quando associadas a ângulos extremos, fadiga muscular ou técnica incorreta.

Corpo costuma dar sinais antes da ruptura

Antes de uma lesão mais grave acontecer, o organismo costuma apresentar sinais de alerta relacionados à sobrecarga. Dor acima da patela após os treinos, rigidez ao levantar pela manhã, desconforto ao subir escadas e sensação de fraqueza nos joelhos estão entre os sintomas mais comuns. “Muitas rupturas acontecem em tendões que já apresentam desgaste causado por microlesões repetitivas. Algumas doenças também podem aumentar o risco de degeneração tendínea, como diabetes, insuficiência renal, gota e doenças reumatológicas, além do uso de corticoides e alguns antibióticos”, enfatiza.

O ortopedista ressalta que tanto atletas experientes quanto praticantes iniciantes estão sujeitos a esse tipo de lesão. “Atletas experientes costumam trabalhar com cargas muito elevadas e alto volume de treinamento, aumentando o estresse mecânico acumulado sobre o tendão. Já praticantes comuns frequentemente apresentam execução inadequada, falta de preparo muscular, progressão rápida de carga e menor supervisão técnica”, relata.

Recuperação pode ser longa

Quando ocorre a ruptura, é comum que o paciente sinta um estalo intenso acompanhado de dor forte e perda imediata de força na perna. Em diversas situações, a pessoa perde a capacidade de estender o joelho ou até de caminhar normalmente. Nos casos de ruptura completa, geralmente é necessária cirurgia para reinserção do tendão e recuperação dos movimentos. Lesões menores, por outro lado, podem ser tratadas de forma conservadora em algumas situações. “A recuperação costuma ser longa, com reabilitação e retorno às atividades leves em aproximadamente três a quatro meses”, afirma.

Para diminuir os riscos durante o treino no leg press, o especialista recomenda evitar amplitudes exageradas de flexão do joelho, manter controle na fase de descida, não priorizar aumento de carga em detrimento da técnica e respeitar sinais persistentes de dor. Ele também reforça a necessidade de acompanhamento profissional, fortalecimento muscular adequado e progressão gradual das cargas ao longo dos treinos.

Fonte: Asscom Unit

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