ARACAJU/SE, 15 de maio de 2026 , 1:57:29

Tensão global derruba Ibovespa de volta aos 110 mil pontos

 

As preocupações dos investidores com o crescimento da economia global e dos lucros corporativos ficaram ainda maiores hoje, em meio à nova alta nos preços de commodities energéticas. Em um contexto de pressões inflacionárias já persistentes, os temores voltaram a pesar sobre os ativos de risco no mercados financeiros em todo o mundo, com reflexos também no Brasil, levando o Ibovespa a um pregão de perdas robustas, terminando o dia novamente no patamar dos 110 mil pontos.

O Ibovespa fechou o pregão em desvalorização de 2,22%, aos 110.393,09 pontos, não muito distante das mínimas intradiárias de 109.979 pontos. O volume financeiro negociado na B3 hoje foi de R$ 33,18 bilhões.

Segundo participantes do mercado, vêm crescendo as preocupações de que o mundo comece a atravessar um período de crescimento mais baixo, ao mesmo tempo em que as pressões inflacionárias têm resistido em ceder.

Em um sinal de que a aversão ao risco que contaminou os mercados locais hoje veio do exterior, os índices em Nova York e na Europa também tiveram um dia negativo. O índice Nasdaq encerrou o pregão em queda de 2,14%, o S&P 500 recuou 1,30% e o Dow Jones fechou em baixa de 0,94%. O Stoxx 600 caiu 0,47%, aos 450,77 pontos.

“Alguns eventos importantes levaram a essa reação de hoje, mas o movimento esteve principalmente conectado com o mercado de energia,
com o petróleo registrando seguidas altas, com perspectivas de alcançar os US$ 90 o barril”, afirma o economista-chefe da WHG Asset Management, Fernando Fenolio.

Segundo ele, no campo macroeconômico, o mercado vê um cenário de risco inflacionário muito mais elevado, à medida em que percebeu que a normalização da oferta tem sido muito mais lenta do que se esperava.

Há ainda, segundo Fenolio, muitas questões pairando nos mercados, como o impasse fiscal americano e a desaceleração do crescimento na China, relacionada ao setor imobiliário e às restrições energéticas. “A visibilidade é baixa. O S&P 500 acumulava 20% de alta no ano até pouco tempo, o que faz com que os investidores coloquem os lucros no bolso e esperem a redução de incertezas”, afirma.

No centro das atenções dos participantes do mercado, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (Opep+) anunciou que os membros decidiram reiterar o plano de ajuste da produção mensal, elevando em 400 mil barris por dia a produção para o mês de novembro, conforme cronograma, sem qualquer aumento adicional. O fato impulsionou os preços das referências aos maiores níveis de fechamento desde 2014. O Brent para dezembro subiu 2,49%, a US$ 81,26 o barril, na ICE, em Londres.

“A reunião da Opep + ajudou a pressionar os preços do petróleo e, além disso, temos uma semana recheada de dados pela frente, com o payroll na sexta-feira. Os preços do petróleo para cima, com pressões inflacionárias e abertura das curva de juros, contribuíram para essa aversão ao risco que vimos hoje”, afirmou Ricardo Vieira, diretor-executivo da Logos Capital.

Segundo ele, o movimento negativo, nos Estados Unidos, foi mais acentuado em empresas de tecnologia, especialmente naquelas que ainda não apresentam lucros robustos e têm valuations elevados devido às expectativas de resultados futuros.

De certo modo, o movimento se refletiu no Brasil, com as companhias de tecnologia, varejo eletrônico e do setor financeiro não tradicional registrando os piores desempenhos dentro do Ibovespa.

As ações do Banco Inter, que vêm sofrendo há dias com rumores de uma revisão nos provisionamentos, voltaram a terminar o dia em queda firme, mesmo após a empresa ter adiantado a divulgação da prévia operacional do terceiro trimestre. As units caíram 13,42% e as preferenciais recuaram 12,95%.

Já o Banco Pan fechou em baixa de 10,63%, após a companhia anunciar a fusão de suas operações com a Mosaico, dona das marcas Buscapé, Bondfaro e Zoom.

Outros papéis sensíveis às variações nas taxas de juros também foram destaques negativos na sessão. Totvs ON caiu 5,17%, Via ON cedeu 7,12%, Magazine Luiza ON recuou 5,77% e Americanas ON perdeu 8,30%.

“Há uma dinâmica de receio relacionada à questão de aumento de juros e uma questão de estagflação. Esse ponto ficou um pouco mais vocal no fim de semana. Isso porque 26 empresas do S&P 500 divulgaram resultados e 18 delas comentaram sobre a dificuldade relacionadas a
aumento de custos e repasse de preços. Recomposição de margens aparentemente pode ser um problema razoável daqui para frente”, afirmou o chefe de pesquisa de ações do BTG Pactual digital, Bruno Lima.

Fonte: Valor

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